Norberto Chaves

A qualidade existe e é inegociável

Para incentivar o entusiasmo do desenvolvimento de sua própria cultura gráfica e aspiração à qualidade.

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La calidad existe y es irrenunciable

Para incentivar o entusiasmo do desenvolvimento de sua própria cultura gráfica e aspiração à qualidade.

Em uma aula sobre qualidade de marcas para alunos de design gráfico, eu mostrava exemplos bem extremados, bem contrastantes, de marcas de excelente e de péssima qualidade, a diferença era gritante, mesmo para um leigo no assunto. Ao mostrar a última marca (a pior em todos os sentidos), uma estudante me perguntou: Por que você diz que a marca é ruim? Minha perplexidade paralisou minha possibilidade de resposta por alguns momentos. Era como ter que explicar que é dia para uma pessoa que está tomando um banho de sol. Como se explicam as evidencias?

De qualquer forma, a pergunta da estudante foi, para mim, esclarecedora: no mundo em que vivemos hoje a perfeição não é clara para todos e, portanto, o horror também não é evidente. A origem desta dissolução das evidências culturais é fácil de detectar: ​​se trata do acelerado processo de “desculturação”, típico da sociedade de consumo. Não precisamos nos estender muito, a literatura sobre isso é vasta e também os sintomas são bem aparentes, basta sair na rua ou ligar a televisão.

Mas o interessante não é tanto para analisar este processo e suas reduções. E sim, a redução da reduções: o "tudo é relativo". Parece que se vale tudo e que o que alguns "dogmáticos" consideram "inculto" é, em realidade, um produto de "uma outra cultura" ... fazer o que amigos! Hipóteses como esta abriram caminho para todo tipos de desastres.

Com esta introdução, vamos passar agora para o nosso campo, o gráfico. Para isso, vamos começar a partir de um fato inegável: o gráfico é uma área da cultura, como a arquitetura, gastronomia e esporte. E não é apenas uma área da cultura, indo além do design gráfico, é uma das primeiras áreas a se desenvolver na humanidade. Lembre-se das cavernas, estamos desenhando há mais de 15 mil anos.

Em todos os campos da cultura existem códigos que regulam sua reprodução e o seu disfrute. Há boas bandas de rock, e bandas de rock péssimas, e no meio as regulares. Roqueiros autênticos, aqueles que sabem de rock não costumam errar e só vão a shows que valem a pena. Aqueles que conhecem futebol sabem apreciar uma boa jogada e sempre tem uma lembrança para a mãe do atacante que a frustrou. A torcida sabe, e não perdoa.

Bem, o mesmo vale para o gráfico. Uma pessoa com cultura gráfica sabe diferenciar um bom ilustrador de um ruim. É claro que existem situações em que o julgamento é controverso, e as unanimidades são raras. Mas esses casos são a exceção que confirma a regra. É uma mentira que tudo é relativo. Os valores são relativos apenas a quem os não tem. Em outras palavras: o alardeado "tudo é relativo" nada mais é do que o álibi para os iletrados.

Mas, contra o oportunismo do relativista que suspende sine die o julgamento, a cultura exibe esmagadoramente suas certezas: um ​​património irrefutável de peças maravilhosas e outro, resultado da ignorância ou mediocridade. Assim como existe cultura, existe também barbárie. Distinguir um do outro não é uma questão de opinião, e sim de conhecimento.

A descrição acima poderia ser interpretado como um pedido de elitismo. Contra esse perigo que eu me lembro de uma escrita acima: "A torcida sabe, e não perdoa" Se trata de “saber”. E o conhecimento é distribuído entre os setores sociais de acordo com suas afinidades: uns sabem de rock, outros de futebol, outros de gráfico. Praticamente ninguém sabe tudo, isso é normal e até diria que saudável.

E o que isto tudo tem a ver com design? Bem, tudo. Quando um cliente usa um designer gráfico é porque ele não é treinado para satisfazer adequadamente uma necessidade de comunicação. Ele sabe que não sabe e recorre alguém, que como a torcida, sabe do seu. E dentro desse conhecimento está saber detectar a qualidade (de uma fonte, uma paleta de cores, de uma fotografia, uma ilustração ...). E, mais ainda, saber produzir essa qualidade.

E entre todas suas características está fornecer materiais gráficos de altíssima qualidade, pois este compromisso é o princípio fundamental do profissionalismo (em qualquer profissão). Seja qual for o tema da peça, o público-alvo ou a linguagem, a peça deve ser excelente: a qualidade é estratégica e, portanto, indispensável. E é também, o motivo pela qual se usa um designer gráfico em vez de ir diretamente para a Indústria Gráfica.

Quando temos dúvidas de nossa apreciação da qualidade, um padrão de conduta correto seria não refugiar-se no relativismo, e sim questionar a nossa capacidade de avaliação. Não duvide da Cultura, mas sim da que você possui. E daí, colocar mãos à obra na tarefa de incorporar ela... que nunca acaba.

Nas opiniões enviadas ao ForoAlfa sobre temas estritamente técnicos (por exemplo, a qualidade de uma nova marca), predominam diferenças marcantes, e não no tom, o que é normal, mas no sinal, positivo e negativo, da avaliação.

Na avaliação da qualidade, é compreensível que observem diferenças em grau, oriundas do diferente nível de exigência opinativo. Mas, tratando-se de membros de uma mesma profissão, é inconcebível que o mesmo produto gráfico seja considerado por eles como de alta e baixa qualidade: um médico acredita que o paciente é saudável e seu colega diz que é morto.

A crise cultural, já mencionada, parece estar afetando escolas, pois uma parte importante dos seus diplomados saem com disciplinas centrais pendentes.

Author
Norberto Chaves Barcelona
Translation
Joaquin Presas Curitiba

Published on 20/02/2014

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