Mais sobre o logótipo corporativo

Clarificação sobre as funções universais deste sinal identificador.

Retrato de Norberto Chaves Norberto Chaves Barcelona Seguidores: 3223

Opiniones:
1
Votos:
8
Compartir:

O logótipo corporativo (ou institucional) é a versão gráfica do nome da entidade. As suas funções universais – aquelas que são comuns a todos esses signos –, são duas e apenas duas:

  • Primeira função: permitir a leitura clara do nome;
  • Segunda função: conotar o caráter de seu titular.

Qualquer outra possibilidade de utilização do logótipo (narrar, descrever, incentivar, indicar, etc.) depende das necessidades de cada caso particular, ou seja, não é generalizável. (Veja Las funciones de la marca gráfica, Luciano Cassisi).

O que é que se entende por «leitura clara»? Que o nome deve ser lido «em bloco», como uma imagem, e não «soletrado». Consegue-se isso através de um uso inteligente dos recursos gráficos da escrita: família tipográfica, entrelinhamento, corpo e cor de letra, etc. e, como é óbvio, através de uma comparação detalhada entre várias versões alternativas, de forma a poder determinar a que é mais «legível».

Mas não é tudo: o que significa «manifestar o caráter»? Significa que a retórica gráfica do logótipo deve ser compatível, não contrariando o estilo ou caráter da organização: «elegante», «clássico», «informal», «racional», «técnico», «neutro», «transgressor», «popular», «refinado»…

As duas funções nem sempre são plenamente compatíveis, isto é, o cumprimento exato de uma pode impedir o exato cumprimento da outra. Alcançar o equilíbrio entre as duas é uma das competências e funções da profissão de designer.

O diretor de um museu de arte contemporânea poderá chamar-se Pepe, mas convém que no seu cartão pessoal figure «José Fernandes Dias». O mesmo deve acontecer com o logótipo do seu museu: «MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA», escrito com uma tipografia de elevada qualidade, grande seriedade e, também, contemporânea, mas não «na moda». Também não deve ter floreados ou iconografia alusiva, porque os visitantes desse museu entendem o que é «arte contemporânea» e descrevê-la seria, de certa forma, um desrespeito.

Se há algo que o designer gráfico deve aprender é a ter fé e respeito por palavras e apenas as «complementar» com recursos não-verbais quando é de todo indispensável. Normalmente os nomes das organizações são únicos o que é ainda mais evidente nas estão a competir no mercado concorrencial.

Então, por exigência comercial e jurídica, ninguém (exceto scammers) terá um nome igual ao concorrente, pelo que os nomes, por si só, são suficientemente diferenciados sem ter de recorrer a outros artifícios gráficos. A prova disso é a quantidade de logótipos escritos em Helvetica, Frutiger ou Times sem que as marcas se confundam entre si.

No entanto, esse recursos não-verbais são indispensáveis nas marcas de produtos de consumo por impulso, como detergentes ou filmes de terror, em que a narrativa é dispensada: os logótipos dos primeiros devem cintilar e os dos segundos poderiam derramar sangue.

A partir de um projeto de logótipo ajustado é possível ver se este é suficiente ou se necessita de mais algum elemento gráfico que o reforce (fundo, acessório gráfico ou símbolo complementar). Um museu de arte contemporânea, por exemplo, pode pedir uma contração como «MARCO»1 (há um em Monterrey), com o nome apresentado debaixo ou ao lado dele, ou até mesmo reforça-lo com um símbolo abstrato que permita rubricar outras mensagens ou assinalar o museu à distância (o museu de Monterrey usa um quadrilátero como símbolo).

Adicionar a essa marca, por exemplo, uma paleta ou um pincel (já se viram coisas piores) seria uma atitude de grande inocência que provocaria um rebaixamento da hierarquia cultural dessa instituição.

No entanto, esse pincel poderia ilustrar bem, a sala de pintura de um jardim de infância. Isto é o que queremos dizer quando falamos de «carácter».

Esses acrescentos só se devem ser considerados depois de se ter resolvido corretamente o logótipo que é, convém lembrar, o único sinal incontornável. As únicas (escassas) organizações que podem prescindir dele são aquelas que, com tempo, perseverança e graças ao poder de persuasão de seu símbolo, conseguiram aliar firmemente o símbolo ao seu nome até os transformar em sinónimos (Apple, Shell, Lacoste ou Mercedes-Benz).

Em suma, a criação de um logótipo corporativo (ou institucional) não devem partir do «pré-conceito» da decoração ou da manipulação de forma, mas sim de sua expressão fundamental e relevante, seguido do seu enriquecendo até ser visto como indispensável. Para além disto e ainda mais importante: saber quando parar.

Contudo, detetar qual estilo gráfico é o mais coerente com o caráter de uma entidade é uma questão relacionado com a sensibilidade: não existem fórmulas.

Para isso é necessário um profissional capaz de detetar as conotações de cada fonte tipográfica, ou seja, um designer gráfico de grande calibre. Essa é uma capacidade específica da sua profissão.

Retrato de Norberto Chaves Norberto Chaves Barcelona Seguidores: 3223

Traducción: Alvaro Sousa V N Gaia Seguidores: 13

Opiniones:
1
Votos:
8
Compartir:

Colabora con la difusión de este artículo traduciéndolo

Traducir al inglés Traducir al italiano

Seleção de exemplos gráficos: Juan Carlos Naranjo

  1. ​N.T.: Há um duplo sentido no termo «MARCO». Por um lado, é o nome do Museu de Arte Contemporânea de Monterrey mas, por outro, significa «quadro» em português.
Código QR de acceso al artículo Mais sobre o logótipo corporativo

Este artículo no expresa la opinión de los editores y responsables de FOROALFA, quienes no asumen responsabilidad alguna por su autoría y naturaleza. Para reproducirlo, salvo que estuviera expresamente indicado, por favor solicitar autorización al autor. Dada la gratuidad de este sitio y la condición hiper-textual del medio, agradeceremos evitar la reproducción total en otros sitios Web.

Norberto Chaves

Más artículos de Norberto Chaves

Idioma:
PT
Título:
Toda marca deve ser...
Sinopsis:
Doze normas supostamente «universais» do design de marcas gráficas.
Compartir:
Idioma:
PT
Título:
Marca cromática e semântica da cor
Sinopsis:
A significação da cor motivada pela associação do signo com códigos pré-existentes e a significação da cor pela progressiva convencionalização da relação arbitrária.
Compartir:
Idioma:
PT
Título:
Pensamento tipológico
Sinopsis:
Um requisito fundamental para saber avaliar e desenhar corretamente signos gráficos marcários.
Compartir:
Idioma:
PT
Título:
Da identidade ao signo
Sinopsis:
Se o símbolo da marca deve transmitir a identidade do dono, por que a maioria não cumpre essa premissa?
Compartir:

Debate

Logotipo de
Mi opinión:

Ingresa con tu cuenta para opinar en este artículo. Si no la tienes, crea tu cuenta gratis ahora.

Retrato de Paulo Granato
0
Paulo Granato
Hace un año

Excelente texto!

0
Responder

Te podrían interesar

Retrato de Norberto Chaves
Autor:
Norberto Chaves
Título:
La marca: ¿vestimenta o disfraz?
Sinopsis:
Convencidos de que lo único importante es ser novedosos, muchos directivos y diseñadores en lugar de identificar empresas, instituciones y hasta países, producen marcas que, curiosamente, no se parecen a sus dueños.
Compartir:
Interacciones:
Votos:
230
Opiniones:
81
Seguidores:
3223
Retrato de Tayde Mancillas
Autor:
Tayde Mancillas
Título:
Eres tu propia marca
Sinopsis:
Gestiona tu nombre de forma correcta para aumentar tu reputación y generar oportunidades de trabajo. Conecta tu profesión con tu pasión.
Compartir:
Interacciones:
Votos:
23
Opiniones:
10
Seguidores:
84

Próximos cursos online

Desarrollamos para ti los mejores cursos online de actualización profesional, que te permitirán formarte y especializarte de la mano de renombrados especialistas

Auditoría de Marca

Auditoría de Marca

Taller de práctica profesional: análisis, diagnóstico y programa de marca sobre casos reales

6 semanas
8 Abril

Branding Corporativo

Branding Corporativo

Cómo planificar, construir y gestionar la marca de empresas e instituciones

4 semanas
20 Mayo

Estrategia de Marca

Estrategia de Marca

15 claves para programar el diseño de símbolos y logotipos de alto rendimiento

4 semanas
24 Junio

Branding: Diseñador y Cliente

Branding: Diseñador y Cliente

Tratar con el cliente, hacer presupuestos y planificar las etapas de la creación de una marca

3 semanas
2 Septiembre