Luiz Renato Roble

Design é mais que desenho, é conceito

Ter dedos ágeis no teclado e no rato é importante, mas é apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que é o computador, e não o fundamental.

      Os avanços tecnológicos, mais especificamente a informática trouxe, traz e trará progressos para a nossa vida. Todos esses avanços possibilitam grandes e pequenas conquistas, impossíveis de serem imaginadas há algumas décadas. Essas conquistas, por estarem tão presentes no nosso dia-a-dia, fazem com que muitas vezes não percebamos, nem a sua importância, nem a sua omnipresença.

Já imaginou o inferno que seria conduzir pelas ruas de qualquer cidade, passando por tantos faróis, semáforos ou sinaleiros (como preferir), se não existisse um sistema informático garantindo a sincronia do seu funcionamento? Pior, quem teria coragem de aterrar num aeroporto como o de Congonhas, por exemplo, sem que houvesse um moderno e complexo conjunto de computadores na torre de comando, auxiliando os controladores de tráfego aéreo? É difícil de imaginar, mesmo porque, não só os aviões, mas até os automóveis, são cada vez mais construídos e movidos através do intenso uso de computadores.

Se por um lado, a tecnologia informática melhora as nossas vidas, por outro lado, a sua presença maciça vem transformando-nos ao ponto de já não sermos mais os mesmos que costumávamos ser quando ela não existia. Não enviamos mais cartas de amor manuscritas com ardor, capricho e borrões, mandamos sim, e-mails frios, objectivos e automaticamente corrigidos. Também já não conseguimos desejar um sonoro e sincero «bom dia» à telefonista de uma empresa, pois somos atendidos por uma gravação automática. No futuro, se calhar, estaremos a premir tecla 1, para «bom dia», tecla 2 para «boa tarde» e tecla 3 para «até logo».

A verdade, é que a mesma tecnologia que proporciona coisas positivas, também é responsável por aspetos negativos em áreas que dependem muito do computador no dia-a-dia. O design, por exemplo, com o advento dos computadores, passou por uma verdadeira revolução. Atividades e possibilidades que anteriormente eram difíceis, demoradas e portanto, caras para serem executadas, são agora facilmente realizadas com o auxílio do computador. A popularização dos programas gráficos contudo, nivelou os profissionais do design por baixo, possibilitando hoje em dia a qualquer um, tornar-se, ou pelo menos, considerar-se, um designer da noite para o dia em poucos «clics». É raro encontrar novos profissionais que saibam desenhar utilizando lápis, papel e criatividade.

Ter dedos ágeis no teclado e no rato é importante, mas é apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que é o computador, e não o fundamental. Os efeitos especiais que os novos programas oferecem, fazem com que as pessoas se esqueçam ou realmente não saibam que para ser um bom designer é preciso talento, estudo, capacidade, informação e acima de tudo, conteúdo.

Cada vez mais vemos trabalhos de design, para pequenas e médias empresas com soluções pasteurizadas e banalizadas. Para que isto não ocorra, é necessário buscar profissionais que saibam trabalhar o conceito de uma marca ou de um produto. Que saibam estudar o mercado, o público alvo e encontrar as soluções corretas que venderão a imagem a ser comunicada com força e competitividade.

Não basta apenas fazer uso dos fantásticos recursos da computação gráfica, para intitular-se designer. Limitar-se a isso, é fazer parte de uma farsa, que engana a poucos e por pouco tempo. Na verdade, um bom designer existe com ou sem computador, ou seja, um verdadeiro profissional de design sabe conceituar. É aquele que continua a trabalhar normalmente, mesmo quando a luz do escritório falta e o computador tem que ficar temporariamente desligado.

Author
Luiz Renato Roble Curitiba
Edition
Ines Reis London

Published on 03/07/2012

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