Nossos ambientes são reflexos de nós mesmos

A humanidade faz design como uma extensão do nosso interior biológico.

Retrato de Rique Nitzsche Rique Nitzsche Rio de Janeiro

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¬ęWe shape our buildings, and afterwards our buildings shape us¬Ľ.

Essa foi uma das primeiras frases da palestra do ingl√™s Garrick Jones, um design thinker convidado pela Faculdade Ibmec para a inaugura√ß√£o dos seus dois Think Labs no Rio de Janeiro. Tamb√©m m√ļsico e professor do London School of Economics, ele se referia ao pensamento do primeiro ministro Winston Churchill na abertura do debate sobre a reconstru√ß√£o da House of Commons, depois de ter sido bombardeada na Segunda Grande Guerra. Churchill desejava criar um ambiente mais apropriado √†s necessidades humanas. Assim como os design thinkers desejam criar e implantar cen√°rios prop√≠cios ao desenvolvimento humano.

A frase de Churchill vem sendo citada por diversos autores para mostrar a influ√™ncia dos ambientes nos h√°bitos humanos. Wanda J. Orlikowski,1 professora da Escola de Administra√ß√£o do MIT, diz que a rela√ß√£o entre design e administra√ß√£o oferece tanto possibilidades como armadilhas, inven√ß√Ķes ou conven√ß√Ķes, capacita√ß√£o ou constrangimentos. Ela percebe que um bom design pode ser uma oportunidade para transpor os erros, as conting√™ncias, as improvisa√ß√Ķes da realidade f√≠sica existente.

¬ęOs cientistas comportamentais costumam dividir o que fazemos no trabalho ou aprendemos na escola em duas categorias: ‚Äėalgor√≠tmica‚Äô e ‚Äėheur√≠stica‚Äô¬Ľ.2

A educa√ß√£o e os escrit√≥rios tradicionais foram projetados para fun√ß√Ķes que se repetem, seguindo uma sequ√™ncia de instru√ß√Ķes preestabelecidas. Nesse caso, o controle dos procedimentos tende para o absoluto, com m√©tricas que refinam a performance dos atores do evento. No sistema algor√≠tmico as a√ß√Ķes s√£o repetitivas e o final √© previs√≠vel. J√° no processo heur√≠stico, n√£o existe uma atitude de abertura de novas hip√≥teses que s√£o testadas para a gera√ß√£o de uma solu√ß√£o original, que n√£o existia antes. A grande demanda atual √© por atividades heur√≠sticas que ir√£o gerar a desejada inova√ß√£o.

Se n√≥s constru√≠mos ambientes constrangedores, eles nos ir√£o constranger enquanto existirem. Uma sala de aula mal projetada e constru√≠da ir√° ajudar a gerar indiv√≠duos sem criatividade. Em compensa√ß√£o, um quarto de hospital bem desenhado pode apressar a recupera√ß√£o de um paciente. Nas ruas mal projetadas das cidades, no anonimato, as pessoas reagem. Se os indiv√≠duos percebem uma atmosfera p√ļblica que n√£o atende suas necessidades, eles tender√£o a adapt√°-la, interferindo, improvisando, deixando seu recado para o sistema. A exist√™ncia f√≠sica humana precisa de aten√ß√£o espec√≠fica mais profunda e interdisciplinar, pressuposto b√°sico da psicologia ambiental.

Os espa√ßos descontra√≠dos das empresas do Vale do Sil√≠cio estimulam a informalidade, o di√°logo e a inova√ß√£o. Um exemplo muito citado √© o pr√©dio de escrit√≥rios da Pixar que se transformou em uma f√°brica de ideias. ¬ęNunca vi um pr√©dio que promoveu a colabora√ß√£o e a criatividade t√£o bem como este¬Ľ, disse John Lasseter, chefe de cria√ß√£o da Pixar. Assim como nos escrit√≥rios do Google, os funcion√°rios s√£o incentivados a ¬ęcolidirem casualmente¬Ľ, que acaba gerando as desejadas ¬ęcolabora√ß√Ķes n√£o planejadas¬Ľ.

No in√≠cio do ano de 2013, um estudo conduzido por Peter Barret, do Reino Unido, focou nas salas de aula, o cen√°rio das inter-rela√ß√Ķes humanas do aprendizado (3). A pesquisa publicada em Building and the Environment constatou a previs√£o de Churchill. Pode ser atribu√≠do aos recintos de ensino um impacto de 25%, positivo ou negativo, sobre o progresso dos alunos ao longo do ano letivo. O que pode oferecer uma disparidade de performance de 50% entre duas salas de aula, uma m√©trica bastante significante em qualquer lugar do planeta.

Pelo menos seis dos par√Ęmetros estudados t√™m efeito significativo na aprendizagem. Por exemplo, a qualidade da luz ambiental (natural x artificial), a qualidade dos equipamentos necess√°rios aos exerc√≠cios de ensino, al√©m da complexidade e cores que significam o conjunto de est√≠mulos visuais para os alunos. As outras duas vari√°veis consideradas foram a capacidade de conex√£o e flexibilidade das salas.

¬ęEssa √© a primeira vez que uma avalia√ß√£o hol√≠stica foi feita sobre a liga√ß√£o entre ambientes e o seu impacto sobre as taxas de aprendizagem. O resultado √© bem maior do que imagin√°vamos¬Ľ, diz Barret que est√° conseguindo fundos para a continuidade da pesquisa. Diante da percep√ß√£o de que o formato da educa√ß√£o tradicional n√£o muda h√° s√©culos, os estudos sobre as poss√≠veis mudan√ßas recaem somente sobre as metodologias de ensino e sobre uma das vari√°veis do problema, o professor. A academia do hemisf√©rio norte j√° est√° realizando experi√™ncias em criar recintos mais adequados para o desenvolvimento de uma cultura de maior criatividade para suas crian√ßas e de empreendedorismo inovador para seus jovens.

Vista parcial do Think Lab da Faculdade Ibmec da Barra, Rio de Janeiro

No Brasil, a Faculdade Ibmec, responsável pelo primeiro MBA em Finanças do país, investiu em ambientes mais incentivadores tanto para intensificar o relacionamento humano como para o desenvolvimento das habilidades criativas de seus alunos e professores. A novidade é que esse tipo de iniciativa é inédito em uma instituição superior que nasceu na área dos negócios.

O Ibmec investiu nos Think Labs, espa√ßos inovadores que atendem √†s vari√°veis mais significativas da pesquisa de Barret, oferecendo aos usu√°rios uma infinita flexibilidade no processo din√Ęmico do aprendizado. Qualquer metodologia de ensino pode ser praticada nesses ambientes luminosos. Todos os equipamentos dos ambientes s√£o m√≥veis ou desmont√°veis, inclusive as paredes e as divis√≥rias de vidro. O professor Garrick Jones, presente √† inaugura√ß√£o, alinhou-o aos mais inovadores laborat√≥rios do mundo.

Vista parcial do Think Lab da Faculdade Ibmec do Centro, Rio de Janeiro

A aposta do Ibmec foi na quebra dos paradigmas do ensino, oferecendo um palco para uma integra√ß√£o din√Ęmica entre os participantes, permitindo uma troca mais intensa entre o facilitador e os alunos que, assim, assumem a posi√ß√£o de protagonistas ativos da sua pr√≥pria transforma√ß√£o. A proposta tamb√©m englobou os espa√ßos de trabalho dos professores que, al√©m de possuir um tranquilo escrit√≥rio reservado para suas pesquisas, podem compartilhar e trocar informa√ß√Ķes com seus pares nas √°reas comunit√°rias.

O projeto foi desenvolvido, desde o in√≠cio, atrav√©s da metodologia experimental do design thinking, tamb√©m adotado em universidades de neg√≥cios no hemisf√©rio norte. Todos os diversos stakeholders dos Think Labs participaram interativamente do projeto de forma colaborativa. Foram projetados para que as pessoas e as ideias ¬ęcolidam casualmente¬Ľ gerando ¬ęcolabora√ß√Ķes n√£o planejadas¬Ľ, mas desejadas. O resultado vem sendo animador, segundo Fernando Schuler, diretor geral do Ibmec Rio e respons√°vel por levar a d.think a criar o design de experi√™ncia dos Think Labs.

Para todos os designers, é uma ótima notícia perceber que sua metodologia serve para melhorar a academia e os negócios. O Brasil precisa de uma plataforma mais criativa e transdisciplinar para o seu salto para além do seu presente tão carente.

Editor: Mariane Garcia Unanue Juiz de Fora

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  1. Wanda J. Orlikowski, professora do MIT, autora do artigo Managing and Designing, no livro de Richard J. Boland Jr and Fred Collopy, Managing as Designing, p√°gina 90, Stanford Business Books, 2004.
  2. Daniel H. Pink, autor de Drive, editado no Brasil como Motivacão 3.0, capítulo 1, Ascenção e queda da Motivação 2.0, páginas 25 e 26.
  3. Kyle VanHemert, Study Shows How Classroom Design Affects Student Learning, Fast Company, disponível em janeiro de 2013.
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Rique Nitzsche

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Retrato de Chico Neto
2
Chico Neto
May 2014

Rique, √© animador conhecer os resultados positivos do Design Thinking aplicado √† educa√ß√£o superior no Brasil. Notar a aplica√ß√£o da metodologia na reconstru√ß√£o dos espa√ßos de aprendizado e seus efeitos traz a tona uma interroga√ß√£o: porque os cursos de gradua√ß√£o orientados √† Economia Criativa ainda guardam, majoritariamente, a anatomia secular orientada aos mon√≥logos docentes? Um caminho a buscar √© apresentar aos professores sugest√Ķes de ativdades interativas com redefini√ß√Ķes imediatas e pontuais dos espa√ßos sem demandar a m√£o-de-obra da constru√ß√£o civil como, felizmente, houve no Ibmec.

0
Retrato de Rique Nitzsche
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Rique Nitzsche
May 2014

Caro Chico, tentando responder à sua questão, lembro que o negócio da educação está focado no verbo educar, que não é a mesma coisa que o verbo aprender. A pouca empatia (olhar pelos olhos do outro) é que resulta na manutenção do negócio sem mudanças significativas, desde que a operação esteja dando lucro.

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Retrato de Chico Neto
2
Chico Neto
May 2014

Oi Rique,

Pois √©, em sala de aula, tento substituir o paradigma do ensino pelo aprendizado coletivo. Mas volto a minha interroga√ß√£o inicial: voc√™ conhece algum pesquisador, em nosso pa√≠s, como proposi√ß√Ķes de ferramentas, t√©cnicas, m√©todos e processos que explorem o HCD na educa√ß√£o superior? L√° fora, h√° muita coisa boa, principalmente, no ensino fundamental e m√©dio. Mas voc√™ sabe de algu√©m, aqui, com pesquisa ou publica√ß√£o explorando o tema de forma pr√°tica e efetivamente propositiva? Abra√ß√£o.

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Retrato de Rique Nitzsche
267
Rique Nitzsche
May 2014

Chico, não posso me chamar de um educador que conhece o mercado de educação. Sou um designer que se adaptou à educação. Honestamente, não sei o que existe no Brasil na área de pesquisa educacional. Falha minha. Minhas oficinas são trocas de conhecimento e gosto de estar nelas. Faço por prazer. Nem gosto de chamar os ambientes coletivos de salas de aula, já que são oportunidades colaborativas de trocas.

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