Como reagir quando clientes pedem altera√ß√Ķes no projeto?

O cliente altera seu layout e você fica mordido com isso? Eis algumas dicas que podem te ajudar a lidar com essa situação.

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Alguns alunos meus, na faculdade de design da Universidade Federal do Paran√°, me questionaram sobre como acho que eles deveriam agir, quando um cliente tentasse alterar um layout feito por eles. Geralmente os designers n√£o gostam quando esse tipo de pedido de mudan√ßa ocorre, mas refletindo sobre o assunto eu pensei em algumas formas de lidar com isso. Eu apresento minhas conclus√Ķes sob a forma de 7 dicas:

Mostre que você tem base

Mostre que cada decis√£o tomada tem um embasamento te√≥rico. Isso faz alguns clientes notarem que voc√™ n√£o escolheu apenas ¬ępor gosto pessoal¬Ľ. Se ele acha que foi por gosto, bem, gosto por gosto, vai valer o dele.

Alerte antes

Avise ¬ęantes¬Ľ de come√ßar o projeto, j√° na proposta/or√ßamento, que o cliente n√£o pode alterar o layout. Ele pode no m√°ximo dizer que n√£o gostou, que quer ver outra vers√£o, mas n√£o ¬ęalterar¬Ľ seu desenho. Inclusive, isso √© um direito do designer.1

Enxergue além do óbvio

Nem sempre a opini√£o do cliente √© um problema. Acontece que ao inv√©s de dizer ¬ęeu queria que meu logo tivesse mais destaque¬Ľ, ele diz ¬ęaumenta o logo¬Ľ. Na cabe√ßa dele, a √ļnica forma de dar destaque/sali√™ncia/√™nfase visual para alguma coisa √© aumentando. Ele n√£o sabe que voc√™ consegue fazer isso atrav√©s da cor, da posi√ß√£o, da nitidez, de incongru√™ncia, de pistas visuais, etc. Ent√£o, na tentativa de explicar o que ele quer, ele acaba ¬ęensinando o padre a rezar¬Ľ. Ent√£o, cuidado ao criticar o cliente: no fundo ele s√≥ n√£o sabe se expressar. Se voc√™ resolver o problema dele, e explicar por que resolveu de outra forma, ele pode aceitar sua sugest√£o.

Controle seu ego

Alguns designers v√™em seu sangue ferver quando um cliente ¬ęp√Ķe o dedo¬Ľ no seu projeto. Pergunte-se: estou irritado porque eu acho que sou um deus-igner e meu trabalho √© intoc√°vel? Ser√° que o fato do cliente mexer no projeto √© porque ele odeia voc√™, acha que voc√™ √© um incompetente ou √© voc√™ que est√° superestimando o comportamento dele? Ser√° que com um jogo de cintura √© poss√≠vel contornar o problema e perceber que no fundo o cliente n√£o entendeu direito o que voce faz?

Defina expectativas

Defina as expectativas do servi√ßo antes de come√ßar o trabalho. Alguns clientes tem uma expectativa errada sobre o que um designer faz. Ent√£o, antes de come√ßar o projeto deixe claro que voc√™ n√£o √© um arte-finalista ou operador de Coreldraw. Mostre que seu projeto tem um m√©todo, fases de pesquisa, que suas decis√Ķes se baseiam em conceito.

Não encha linguiça

N√£o venha com aqueles papos de que fez o layout se baseando na semi√≥tica da Gestalt da parafuseta do santo Peirce, pois isso n√£o diz nada pro cliente e s√≥ alimenta esses mitos de que designers agem como caixas-pretas, que trabalham, mas ningu√©m sabe como s√£o por dentro. Quer usar psicologia no seu projeto? Ent√£o APRENDA psicologia de verdade, e n√£o essas historinhas gestaltianas para boi dormir. A psicologia que te ajuda √© aquela sobre percep√ß√£o visual, processos cognitivos de aten√ß√£o, entendimento, mem√≥ria, mudan√ßa comportamental, rea√ß√Ķes emocionais. E lembre que isso n√£o √© uma verdade suprema, e cada caso √© um caso.

Pessoas valem mais do que problemas

Talvez a mais importante: não brigue com seu cliente. Os layouts passam, as pessoas ficam. Por causa de uma briga num problema temporário, você perde um cliente para sempre. O que é melhor? Ceder às vezes e preservar a relação, ou bater de frente, ganhar a luta de quem tem mais argumento e estragar o relacionamento? O que você prefere? Ser feliz ou ter razão? Pense nisso.

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EdiçãoJulio Teixeira Florianópolis Seguidores: 9

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Ricardo Martins

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Ricardo Martins
Jul 2016

Agora escrevi um artigo sobre a Gestalt, que explica melhor a minha visao sobre o tema: https://ideiasricardomartins.w...

0
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Retrato de Renata Gibson
1
Renata Gibson
Mai 2013

Acho que posso ter compreendido mal, mas achei muito estranho seu comentário sobre a teoria da Gestalt e a semiótica de Peirce. Ambas são teorias extremamente importantes; a Gestalt para a composição e a Semiótica, de uma forma menos direta, para o processo de comunicação da mensagem, neste caso, visual. São assuntos complexos, e eu jamais usaria com o cliente estes argumentos, indecifráveis para quem nunca estudou o assunto, mas o conhecimento e aplicação deles (e de outras psicologias, como as que vc citou) é de enorme valor. (Reforço ainda seu próprio argumento, que cada caso é um caso).

1
Retrato de Ricardo Martins
82
Ricardo Martins
Mai 2013

Oi Renata, talvez n√£o tenha sido voc√™ que compreendeu mal, pode ter sido eu que n√£o soube me expressar. O foco do meu coment√°rio foram as situa√ß√Ķes em que designers usam termos dif√≠ceis para criar nos clientes um sentimento de inferioridade. A linguagem tem sido usada por alguns designers para defender uma suposta superioridade baseada em conhecimento que alguns clientes n√£o saberiam refutar. Por √ļltimo, quero dizer que eu tenho minhas obje√ß√Ķes √† escola gestaltista e √† semi√≥tica, mas isso √© assunto pra outro post rsrs.

0
Retrato de Renata Gibson
1
Renata Gibson
Mai 2013

Ah, sim! Foi o que eu imaginei. Concordo plenamente, apesar de que existem clientes (aqueles mais arrogantes) que parece que s√≥ se convencem se a gente falar grego com eles! Mas isso √© exce√ß√£o (s√≥ tive um assim at√© hoje). Hehehe, caso vc decida escrever esse ¬ęoutro post¬Ľ, fico curiosa para ler! N√£o coube no meu coment√°rio anterior, mas gostei muito do seu artigo. Um abra√ßo e obrigada pela resposta.

2
Retrato de Chico Neto
2
Chico Neto
Mai 2013

Oi Ricardo, concordo com a Renata. Acho que você expressou-se de forma controversa ao falar de Gestalt e Semiótica. Até porque, penso eu, que podemos utilizá-la e reportá-las aos clientes de forma simples e sincera. Abraços.

0
Retrato de Ricardo Martins
82
Ricardo Martins
Mai 2013

Entendo Chico. Concordo com voc√™ quando diz que conhecimento apresentado de modo sincero √© v√°lido. S√≥ tenho ressalvas contra muitos argumentos gestaltistas apresentados fora de contexto e sem que os designers realmente entendam o que est√£o dizendo. O que significa ¬ęboa forma¬Ľ? Eu tenho medo toda vez que vejo algu√©m dizendo que o design √© ¬ębom, legal, bacana¬Ľ. Outros argumentos sobre o uso indiscriminado de ¬ęleis da Gestalt¬Ľ podem ser lidos aqui: Enlace , tamb√©m Enlace

0
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Retrato de Paulo Dias
1
Paulo Dias
Mai 2013

Perfeito! Tenho todos esses sentimentos descritos pelo Ricardo. O bom √© que essas sugest√Ķes ajudam bastante na hora de lidar com esta situa√ß√£o desagrad√°vel.

Parabéns!

1
Retrato de Ricardo Martins
82
Ricardo Martins
Mai 2013

Aprendi que design é 50% política e 50% técnica. Por isso, quando for fazer um orçamento cobre o dobro do que cobraria apenas pela técnica. Metade do tempo você ficará conversando, perguntando, respondendo, enfim, interagindo com o cliente.

1
Retrato de Rogerio Foster Vidal
0
Rogerio Foster Vidal
Jul 2013

Prof Ricardo, todos n√≥s Designers enfrentamos quase que diariamente essa situa√ß√£o, pois o que fazemos inclui uma ¬ęparceria¬Ľcom o cliente! √Äs vezes o cliente se torna uma pessoa que procura desrespeit√°-lo como profissional, para angariar vantagens e conseguir o projeto que voc√™ suou , pesquisou e ¬ębaixou o santo¬Ľ para atender corretamente esse cliente com valores aviltantes! Tenho feito ¬ęcurso de bambol√™¬Ľ para ter jogada de cintura e tentar ultrapassar esses momentos de convencimento, mas sinceramente, quando o cliente n√£o te respeita mesmo, a porta √© serventia da casa!!! Com todo respeito!

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Retrato de Rodrigo Utopia
0
Rodrigo Utopia
Mai 2013

Gostei do texto, mas quanto ao √ļltimo √≠tem, procuro ter cuidade para n√£o virar uma ferramenta nas m√£os do cliente.

1
Retrato de Ricardo Martins
82
Ricardo Martins
Mai 2013

Obrigado Rodrigo! =)

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Retrato de Weymar Lucia
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Weymar Lucia
Mai 2013

ótimo texto!

1
Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Mai 2013

Obrigado Weymar!

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Retrato de Leandro Leite
0
Leandro Leite
Mai 2013

√ďtimas dicas, muito interessante tamb√©m a divis√£o em t√≥picos. Mas como lidar quando ap√≥s a cria√ß√£o e entrega do projeto o pr√≥prio cliente faz, ou contrata algu√©m para fazer, modifica√ß√Ķes no que voc√™ criou? Acho que nesse momento a dica sobre controlar o ego √© valiosa.

2
Retrato de Ricardo Martins
82
Ricardo Martins
Mai 2013

Concordo Leandro, realmente ter equilíbrio é a parte difícil. E é aquilo que não aprendemos em cursos ou faculdade.

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