8 sinais de que algumas faculdades de design estão atrasadas 15 anos

No Brasil temos 336 faculdades de design. Algumas formam designers para viver no passado.

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​Enquanto a sociedade e o mercado de design vivem inúmeras mudanças, muitos cursos ainda preparam seus alunos para viverem no passado. Mas não tem sentido gastar tempo com matérias e práticas que serviam há 15 anos atrás, não hoje. Abaixo eu comento cada um dos pontos que fazem as faculdades serem defasadas:

CONTEÚDO: Aulas baseiam-se em conteúdo defasado como proporção áurea, gestalt, etc.

Muitos conteúdos repetidos em sala de aula foram criados há 100 ou mais anos atrás, numa época em que não existia nem microscópio eletrônico (ele foi inventado em 1933), a psicologia ainda engatinhava e os estudos sobre comportamento humano ainda não tinham influenciado o design como hoje. Ideias como proporção áurea, gestalt,1 diagrama de Gutemberg, consideravam os seres humanos como sendo iguais uns aos outros e não levavam em conta a experiência prévia no processo da percepção. 

PRODUÇÃO: Abordagem sobre produção gráfica está desatualizada

Hoje já estamos na era dos dados variáveis, da impressão colorida que consegue substituir os textos e imagens de acordo com um banco de dados, temos a gravação de chapa substituindo os fotolitos digitais, os bancos de imagens foram integrados aos softwares, a impressão em tecido por sublimação, as provas de cor que simulam quase com perfeição as saídas de impressão, temos ainda as impressoras de grande formato que também cortam, aplicam relevo, hotstamp e verniz via digital. E eu te pergunto: quantas dessas tecnologias são ensinadas ou exploradas nas faculdades? Ainda vivemos no tempo do xerox e da gráfica que usa fotolito. A questão aqui nem é achar que designers são meros escravos da tecnologia ou meros operadores de impressão. Trata-se de entender que a sociedade muda, a tecnologia muda e os designers precisam se adaptar, a não ser que queiram ficar para trás (como aconteceu com aqueles operadores de linotipo que não aprenderam fazer outra coisa).

INCUNÁBULO: Design de interface trata os sites como se fossem um folder digital

Não faz muito tempo que as faculdades incluíram nos seus currículos conteúdos sobre projeto de interfaces para a plataforma web. Já apareceram outras formas muito mais sofisticadas para produção de websites, como templates customizáveis do WordPress, layouts data-driven, frameworks javascript, etc. E os alunos continuam aprendendo a fazer sites como se isso fosse apenas desenhar um layout no Photoshop e pedir para alguém «fatiar». Exatamente como se fazia no ano 2000.

TIPOGRAFIA: Não se aplica tipografia para web

Eu estava em 2010 na cidade de Los Angeles, dando uma palestra sobre tipografia no congresso TypeCon quando ouvi pela primeira vez o termo Web Fonts. Era a salvação da lavoura: finalmente iríamos nos livrar das Verdanas, Tahomas e Ariais da vida, e teríamos uma biblioteca decente de fontes para usar nos websites! Na ocasião conheci Eben Sorkin, o responsável pelo projeto de fontes web do Google, até então com apenas 125 fontes. Hoje já são 700 opções, só neste catálogo, e milhares de outras fontes nos demais concorrentes. Mas quantas faculdades incluem o estudo da tipografia aplicada no contexto da web?

APPS: Pouco ou quase nada se fala de design de interface para aplicativos

Numa época em que o número de smartphones já superou a venda de computadores desktop, as faculdades de design ainda tratam o design de interface como sendo primariamente para websites e só. E a quantidade imensa de aplicativos sendo lançados, não precisa de uma interface também? Mas fazer um layout de tela para um aplicativo é igual a fazer para um layout de website? Às vezes eu penso que as faculdades pensam assim: «olha, não ia nem ter design de websites, então os alunos já estão no lucro. Por nós, eles só aprenderiam a fazer marquinha, caixinha e livrinho». Daí, cobrar design de interfaces para aplicativos já seria pedir demais né?

NÃO DIGITAL: A prática de ilustração é primariamente analógica

Eu vejo muitos alunos que são ilustradores muito talentosos. A gente sabe: um aluno que manja de ilustração desenha até com retalho de gesso no asfalto, com borra de café no fundo da xícara, enfim. Mas quando se trata de levar essa habilidade para o mundo digital, parece que eles viram aleijados que perderam as mãos num acidente na mesa de ping pong. Não conseguem usar um tablet, não entendem o mundo vetorial, não conseguem entregar uma ilustração num tamanho adequado para ser usada em grandes dimensões, e isso acaba subutilizando seu potencial. Um mínimo de adequação do trabalho de ilustração no mundo digital deveria ser feito, mas as faculdades entendem que isso exigiria equipamentos caríssimos, que não há dinheiro, etc. Ou seja, o aluno vai continuar traumatizado com o ping pong.

COISIFICAÇÃO: O foco é na produção de objetos físicos e materiais gráficos, não no serviço desempenhado

De maneira simples, as faculdades preparam os alunos para fazerem objetos. Um folder, um cartão de visitas, um cartaz, uma luminária, uma mochila, um brinquedo pedagógico. Acontece que a solução de um problema nem sempre significa jogar mais lixo na natureza. O que a pessoa precisa? De um carro ou de transporte? De uma máquina de lavar roupas ou da limpeza da roupa? De um cartão de visitas ou de uma forma de entrar em contato futuramente com o cliente? Essa é a diferença entre projetar coisas e projetar serviços. Quantas faculdades ensinam a desmaterialização como prática projetual?

ADIVINHAÇÃO: A pesquisa com usuários é subutilizada

Por último, muitos cursos fabricam designers especialistas em usar bola de cristal, que adivinham os pensamentos e desejos das pessoas! Esses designers nunca conversam com um usuário, nem observam o comportamento do consumidor. Misteriosamente esses designers entendem como o usuário pensa, se comporta e se sente, e consegue projetar aquilo que irá atender todas as suas necessidades. Para não ficar feio, as faculdades agora ensinam os alunos a fazer pseudo-pesquisas usando formulários do Google, afinal fazer pesquisa séria significa apenas despejar umas 10 perguntinhas num formulário e enviar para o máximo de amigos online no Facebook. Já faz alguns anos que sabemos a importância de considerar as necessidades dos usuários, mas as faculdades de design ainda estão no passado, neste respeito.

Conclusão

Portanto, esses 8 pontos destacados demonstram como muitos cursos oferecidos pelas faculdades de design ainda preparam designers para viver no passado, ensinando conteúdos desatualizados, ignorando as mudanças no universo digital e da Internet, preparando designers para serem meros fazedores de objetos e adivinharem as necessidades dos usuários finais. Quem sabe, daqui a 15 anos a faculdade evolua. Mas daí, a sociedade já estará em outro tempo, e de novo ela estará atrasada.

Vale lembrar que este post trata dos «conteúdos defasados». Seria inocência achar que a questão dos conteúdos seja o único problema das faculdades. Isso é só a ponta do iceberg.2

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  1. Você pode ler uma explicação mais detalhada sobre as deficiências da Gestalt.
  2. Curiosamente, depois do meu artigo foi publicado um texto sobre a questão do futuro da formação em design, excelente (dica do Guilherme Sebastiany).
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Ricardo Martins

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Auresnede Pires Stephan
Há um ano

Entendo perfeitamente seu grau de inquietação e questionamentos. No entanto, vamos fazer uma reflexão abrangente:depois dele aprender todos os novos sistemas, novos processos de produção,novas mídias enfim a revolução , eu lhe pergunto: Qual será a sua função no âmbito social e cultural do design....vender mais sabonetes, automóveis, filmes de ficção, games e assim fazer a máquina funcionar para que os grandes grupos ganhem mais e cada vez mais...poluindo o ambiente...nunca vi cidades como atualmente tão poluídas de embalagens...a quantidade de velhos computadores, e amontoados nos ferro velhos ....e o designer sorrindo pelo privilégio de estar na mídia.Creio assim, que tenha razão nas suas observações....mas particularmente acredito que o desafio é bem maior, do que uma faculdade atualizada tecnologicamente. Uma pergunta final: tem se alimentado de softwares...ou de alimentos bem embalados de bom design...mas cancerígenos.

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Miguel Gallego
Out 2016

Perdone o portunhol, asisto a aulas pra aprender a sua lingua, mais estou ainda començando. Boa reflexao. A comunicaçao via Apps esta renacendo -ao menos en UK e Espanha. é dificil encontrar diseñadores que entendan algo de apps.

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Sebastian Lloza
Jul 2016

Ojalá alguien pudiera traducir el artículo al español, estoy de acuerdo con lo que pude comprender y creo que es una discusión que hay que llevar a las aulas y a los sitios de trabajo, al diseñador, de cualquier índole, se le pide estar actualizado, ser un «coolhunter», pero a la vez estamos siendo formados en teorías difícilmente aplicables en el mundo actual.

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Sidney Caser
Jul 2016

Ao ler seu artigo fico impressionado que no Brasil são poucos os que sabem o que é DESIGN. Graças

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Maria Cecília Fittipaldi Vessani
Jul 2016

Não posso acreditar que ao criticar a Gestalt com tanta ênfase coloque em seu lugar algo tão ultrapassado e retrógrado quanto o behaviorismo de Skinner!!! Isto está mais para publicidade do que para design e bem aquém de reconhecer os estudos de antropologia cultural e de cultura visual, alem de outros pensadores contemporâneos como Flusser, Subirats, Peter pal Pélbart, etc.

Quanto ao fato de que as faculdades de design estão ainda na era 2D e impressão com fotolito, me desculpe, mas é a percepção da realidade desse autor que está totalmente defasada. Talvez a experiência dele,em sua escola, tenha sido essa, num certo passado, e ele esteja generalizando...Inaceitável!

1
Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

Olá Maria, adjetivos como ultrapassado, defasado, retrógrado me soam mais como ataques pessoais gratuitos. É uma pena, pois uma profissional com a sua experiência e inclusive seu trabalho na área indígena poderiam contribuir grandemente com suas ideias. Se você ler o título do meu artigo, verá que eu disse que "algumas" faculdades estão desatualizadas. Na sua opinião, isso é "generalizar"? Sobre o behaviorismo, caso você tenha interesse, posso te mostrar uma análise mais detalhada sobre o porque dessa escola de psicologia ser mais adequada do que todas as teorias "da cópia". E não se sinta ofendida com meu artigo, ele não é uma crítica às pessoas, é uma crítica ao problema.

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Retrato de Maria Cecília Fittipaldi Vessani
0
Maria Cecília Fittipaldi Vessani
Jul 2016

Sim , Ricardo, voce tem toda razão quanto ao meu tom inadequado e quanto à generalização : não li o título com devido cuidado. Os adjetivos que atribuí ao trabalho de Skinner se devem ao fato de eu não admirar a pesquisa baseada em fortes condicionamentos. Aceito suas outras indicações, sim, principalmente porque não sei quais são as "teorias da cópia". Gosto de ler esse forum que indico para meus alunos. Às vezes erro no tom mas é mais por entusiasmo e vontade de debater.

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María Claudia Saldaña
Jul 2016

Boa reflexão, Ricardo. Estudo comunicação e acho que em nossa faculdade também tem muitas universidades/institutos que nos formam para viver no passado.

Acho que cada um é responsável de se informar, educar e aprender ao ritmo da tecnologia; inclusive, de compartilhar o que aprendemos com nossos professores e colegas de aula.

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Caroline Ranzolin
Jul 2016

Obviamente são poucas as faculdades, ou melhor, professores que associam os conceitos (que são a nossa base) com as novas tecnologias/novos métodos de design, muitos seguem um determinado autor/teoria e não saem disso. A faculdade não nos ensina a trabalhar com softwares como o Photoshop, Illustrator ou a pintar com aquarela, o que temos são aulas básicas e para dominar as ferramentas, precisamos investir dinheiro em cursos ou tempo com tutoriais.

Como estudante, noto também a falta de autonomia de acadêmicos em busca de novas fontes, referencias e teorias, se contentando apenas com o que recebem de informação em aula.

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

Sim Caroline, há bastante espaço para melhoras nos cursos. Onde você estuda?

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Retrato de Caroline Ranzolin
0
Caroline Ranzolin
Jul 2016

Na Faculdade da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

Ricardo, outro quesito que estamos atrasados é na metodologia de ensino, desde as primeiras séries... estamos acostumados com a metodologia passiva, onde fomos acostumados a receber a informação, sem questionar muito. Há um longo caminho pela frente.....

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Retrato de Lucas Santos Meneghini
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Lucas Santos Meneghini
Jul 2016

Estou formado desde 2004 e, depois da conclusão da pós em comunicação empresarial em 2012, estou longe do meio acadêmico. Quero acreditar que houve evolução no ensino da novas técnicas nos cursos de Design. Acho pouco provável, por exemplo, que ainda ensinem técnicas analógicas nas aulas de fotografia. Foi o meu caso quando aluno, peguei uma transição entre fotografia analógica e digital, vi os dois mundos. Acho mesmo que deveriam ensinar, além de conceitos, práticas. Nem sempre (quase nunca, eu diria) você vai ter o melhor equipamento, o melhor prazo, o cliente mais propenso a aceitar seus 5 anos de estudos aplicados no layout... Já tive que me virar com flash pra fazer uma animação para video, era o que "tinha pra hoje". Por fim não acho que o conhecimento vulgo ultrapassado que tive seja totalmente obsoleto para o que faço hoje.

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

Hei Lucas, bom te ver por aqui (não é todo dia que encontramos um colega de faculdade comentando num texto nosso rsrs mundo pequeno). O curso evoluiu em alguns aspectos, mas em outros continuamos com um longo caminho pela frente. Feedbacks como o seu são bem úteis para termos uma visão mais ampla dos fatores envolvidos. Um abraço.

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Retrato de Lucas Santos Meneghini
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Lucas Santos Meneghini
Jul 2016

Pois é, ainda estamos na luta... Design na UFPR, você sabe, sempre foi mais teórica que prática. É (ou era?) um curso de humanas, não de exatas. Alguns professores dinossauros (sem ofensas) devem ainda estar lá, pro bem ou pro mal. Se sim, velhas teorias ainda devem ser ensinadas. Queria saber se incluiram alguma disciplina voltada para web design. Abraço.

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Retrato de Ernesto Harsi
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Ernesto Harsi
Jul 2016

Infelizmente é muito comum ler opiniões que confundem técnicas com conceitos.

Um curso de design que se presta tem que se basear em conceitos do design que valem para todas as técnicas. De nada adianta ensinar técnicas atualizadas hoje, se quando o aluno se formar as técnicas ensinadas já forem ultrapassadas. Tecnologias digitais mudam completamente a cada seis meses. Então isso não é bem assim.

O erro estaria em focar nas técnicas e não nos conceitos que são válidos com qualquer tecnologia, seja presente, passada ou futura. Os melhores cursos são aqueles que ensinam o aluno a pensar, porque isso ele levará para a vida inteira e servirá com qualquer técnica que venha a ser inventada depois que o aluno receber o diploma.

A faculdade não é um curso técnico que serve para que o aluno saia a trabalho a pleno vapor assim que se formou. É muito mais que isso.

O único ponto com o qual concordo é que alguns cursos não ensinam os princípios básicos de como se faz pesquisa que seja válida.

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

Olá Ernesto, obrigado pelo seu comentário. Você tem razão, o maior benefício das faculdades é fazer pensar. No que diz respeito à técnica, você sugere que ela seja eliminada das faculdades? Por exemplo, mas faculdades de medicina, cujo conhecimento dobra a cada 4 anos, seria útil tirar as técnicas cirúrgicas, visto que elas ficam rapidamente defasadas? Ou eliminar as aulas sobre medicamentos, já que esses também se atualizam constantemente? Ou quem sabe tirar as linguagens de programação das faculdades de computação, já que elas mudam todos os dias? O que você acha que deveria ser feito com as matérias técnicas no design? Poderiam ser eliminadas dos currículos? Ou poderia haver um equilíbrio entre teoria e prática?

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Retrato de Ernesto Harsi
1
Ernesto Harsi
Jul 2016

Prezado Ricardo, não estamos discutindo medicina. E sim design, que é completamente diferente, pois não depende de habilidade técnica treinada e sim de um trabalho intelectual. O que o designer tem que "treinar" e ter incorporado no exercício de seu ofício é primeiro a metodologia de projeto. Que é justamente aquilo que é único ao designer, comparado com outras profissões. O pensamento do design, a sua metodologia específica de trabalho, independe de software ou equipamento, seja ele um compasso, um computador, ou um sistema de rede neural universal futuro.

Eu nunca sugeri que as técnicas fossem eliminadas das faculdades. O que eu defendo é que, uma vez que as faculdades têm como principal finalidade ensinar a pensar, e não "treinar" operadores de software, as técnicas são apenas instrumentos e devem ser um mínimo necessário para realizar bem os exercícios escolares e para que o aluno possa ser útil em um estágio no mundo do trabalho para começar sua carreira. O resto muda com o tempo.

6
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0
Guilherme Tavares
Jul 2016

Cuidado ao desdenhar de conhecimentos estabelecidos "há mais de cem anos" pois isso não significa que sejam inválidos. Muita coisa de há mais de cem anos ainda é pertinente e importantíssimo, entre elas, a Gestalt. Cem anos não é tanto tempo assim.

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

olá Guilherme, obrigado pelo comentário. Você tem razão. A Gestalt tem seu valor. Nesse artigo eu elaboro melhor meu ponto de vista sobre ela: https://ideiasricardomartins.w...

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Retrato de Lucilia Alencastro Brancalua
0
Lucilia Alencastro Brancalua
Jul 2016

Concordo quase com tudo. Ainda tenho que mostrar Gestalt e Proporção Áurea, mas deixo claro que são conhecimentos antigos, que podem ou não ser usados e valem sim, como cultura geral da área. O difícil é mudar as esferas superiores e o MEC...

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Retrato de Ricardo Martins
78
Ricardo Martins
Jul 2016

olá Lucília, bom receber seu feedback. Realmente é difícil remar contra a maré. Aqui eu exponho um pouco melhor a minha visão sobre a Gestalt https://ideiasricardomartins.w...

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Retrato de Gióia Bispo
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Gióia Bispo
Jul 2016

Muito claras e engrandecedoras as palavras sobre designer expostas nestes 8 pontos. Sou grato.

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Ricardo Martins
Jul 2016

olá grande mestre da arquitetura nacional. Tb sou grato e honrado com sua presença aqui.

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Jessé Dg
Jul 2016

Na era do After Efects a faculdade em que me formei ainda dá Flash como cadeira obrigatória ¬¬

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

Isso é lamentável Jessé!

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Retrato de María Claudia Saldaña
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María Claudia Saldaña
Jul 2016

No meu caso é igual. Mas ao final, a culpa é de quem? O professor tem que obedecer a currícula, a currícula obedece ao diretor, o diretor ao chefe superior, etc.

Acho que ao final, cada um é responsável de se atualizar pelo seu lado.

1
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Retrato de Kiko Farkas
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Kiko Farkas
Jul 2016

Oi ricardo, goatei do seu artigo. Dê uma olhada no curso de design grafico que estamos montando em sp na ebac

Abs

Kiko farkas

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Retrato de Ricardo Martins
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Ricardo Martins
Jul 2016

opa Kiko, vai ser um prazer! Como posso ter acesso a esse projeto? um abraço

0
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