Quero mudar meu logo: como faço?

As dificuldades de um empres√°rio que quer ser orientado no desconhecido (para ele) mundo dos designers gr√°ficos.

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O presente texto é uma ficção, qualquer coincidência com pessoas reais é pura casualidade. No entanto, tenho que dizer que já ouvi uma conversa muito simulai enquanto estava numa fila para entrar no teatro. Na ocasião, dos senhores atrás de mim falavam, com muito humor, de suas experiências ao contratarem profissionais da nossa área. Seus comentários me inspiram a escrever o texto a seguir.

 

Como todas as sextas, depois de terminar a jornada de trabalho, um grupo de amigos se encontra num bar para tomar alguma coisa e conversar antes de voltar para casa. Manuel, dono de uma empresa familiar de móveis chega primeiro. Sentado no banco, sozinho e imerso em seus pensamentos, parece indagar olhando o café que esfria na sua frente. Distraído no seu mundo interior não vê que Pepe, seu amigo, se aproxima, e ele o sacode com uma palmada no ombro mais forte que habitual.

 

Pepe: Dá para ver que você está preocupado. Está buscando respostas dentro da xícara de café? (Se senta ao seu lado e volta sacudi-lo com palmada poderosa). O que houve? As pessoas não estão mais comprando móveis pra escritório? Sua pressão arterial subiu ou o quê?

Manuel: (segurando seu bra√ßo para evitar a terceira palmada) N√£o, estou preocupado porque sinto que tenho que melhorar a marca de minha empresa e n√£o sei por onde come√ßar.

P: Fácil. Chama uma agência de publicidade ou um designer gráfico e em três tapas te resolvem. Daí é discutir o preço. Na minha empresa, ano passado contrataram uma designer que fez um ótimo trabalho. Me liga na segunda e eu te passo os dados dela.

M: Não, obrigado. Já entrevistei quatro designers. Não é difícil encontrar quem faça o trabalho, nem mesmo baixar preço. Devo dizer que não são muito bons em negociação.

P: Então qual é o problema?

M: √Č que estou acostumado com coisas concretas. Voc√™ tamb√©m √© engenheiro est√£o me entende. O problema √© que cada u, dos quatro designers que entrevistei me recomenda uma coisa diferente, ningu√©m concorda num √ļnico caminho. √Č como se eu tivesse levado a quatro m√©dicos diferentes e mesma exame e sa√≠sse com quatro diagn√≥sticos diferentes.

P: N√£o precisa exagerar. Fazer uma marca n√£o √© uma ci√™ncia exata. Devem mesmo existir opini√Ķes distintas...

M: Concordo, mas o que preocupa não é que sejam diferentes, mas que sejam tão distintas. Além do mais, por mas que eu baixe o preço, o investimento que eu vou ter que fazer depois não é pequeno. Depois de redesenhar a marca, tenho que mudar toda papelaria, os flyers, meu site, as fachadas, as etiquetas, repintar os veículos! Não posso errar! (Toma um gole do café frio e volta a olhar como que hipnotizado o fundo da xícara).

P: (Reprimindo, por compaix√£o, dar-lhe outra palmada) Voc√™ tem raz√£o. Na minha empresa depois da mudan√ßa no logo veio uma enxurrada de gastos, mas como trabalho numa companhia grande ningu√©m sentiu no pr√≥prio bolso. Porque voc√™ n√£o se emprega numa sociedade an√īnima e tira esses problemas de cabe√ßa? (Tosse, ri e pede ao gar√ßom uma cerveja).

M: E eu ainda nem te contei o pior.

P: Me conte est√£o.

M: Fui pesquisar e...

P: (O interrompendo) Você não aprende que não tem que pesquisar. Quando alguém vai atrás se mete em problemas, veja o que aconteceu com a Susanita, que, aliás, já deveria estar aqui.

M: O que aconteceu com ela?

P: Viu? Já quer saber, conhecer, investigar... Melhor eu não dizer nada de não vai dar mais problemas. Antes me conte o que você queria saber tão racionalmente?

M: N√£o te entendo. Era melhor n√£o saber?

P: Eu penso diferente. Eu vejo essas situa√ß√Ķes como um fil√≥sofo que sabe manter dist√Ęncia cr√≠tica e n√£o se deixar afetar pelos problemas. Vamos! Fala logo se n√£o vai ter um infarto. Me conte o drama com o enigm√°tico mundo do design!

M: Bem, fui procurar na internet.

P: (O interrompendo com tom de chacota) Estou vendo que optou por um método científico...

M: (Irritado) Se me interromper de novo, n√£o falo mais.

P: T√°! Daqui em diante, serei uma tumba.

M: Bem. Na internet encontrei uma site que publica textos e debates sobre design e os profissionais participam dando a sua opinião. Entre outros debates sobre marcas conhecidas, apareceu um sobre a mudança do logo das Aerolíneas Argentinas.

P: Não fiquei sabendo da mudança.

M: O tema me interessou porque o site, que se chama FOROALFA, publicou a marca nova e a anterior e lan√ßou a pergunta: qual √© melhor? Como tinha mais de 150 respostas, pensei: aqui vou aprender alguma coisa sobre marcas, mas ao inv√©s de ter s√≥ quatro opini√Ķes, vou conhecer um monte de opini√Ķes de profissionais especializados. Mesmo que meu neg√≥cio n√£o seja uma companhia √°rea, tinha certeza que acharia alguma pista concreta para a minha humilde empresa. Isso foi o que eu pensei.

P: (Dando-lhe um tapa leve nas costas) Muito bem engenheiro! 

M: Imagine. Foi como levar uma radiografia para 150 médicos! Isso é que ter uma opinião fundamentada. Estão fiquei que nem um louco lendo o tudo o que aqueles profissionais estavam dizendo sobre a nova e velha marca das Aerolíneas Argentinas. Duas horas e meia de leitura.

P: Foi mesmo uma investigação científica, então. Que paciência... E você chegou a alguma conclusão?

M: A de que perdi duas horas e meia da minha vida. Na realidade foram mais para cinco horas, mas isso é o de menos. A questão é que não tirei nada a limpo...

P: Claro, se meter num debate entre especialistas √© dif√≠cil. Com certeza custou at√© voc√™ entender a linguagem t√©cnica. √Č como ouvir uma conversa entre semi√≥logos. Quem entende alguma coisa?

M: Não foi isso. Entendi tudo perfeitamente. A linguagem que eles estavam usando era até muito simples, eu diria.

P: E ent√£o?

M: √Č que os designers n√£o estavam em acordo com nada. Eles t√™m opini√Ķes muito diferentes entre si.

P: Desculpe, mas agora quem n√£o entendeu fui eu.

M: Foi o que eu pensei. Ent√£o voltei a ler as opini√Ķes uma por uma e classifiquei as repostas. Tenho elas aqui anotadas (tira do bolso um papelzinho). Olha s√≥: 55 deles disseram que a nova marca √© pior que a anterior, 49 opinaram que a nova tem algumas coisas piores e outras melhores e piores. Quarenta falaram que a nova marca √© superior e teve mais algumas respostas que n√£o eram muito claras. ou seja, no que √© fundamental, os grupos est√£o repartidos em opini√Ķes distintas: o grupo ¬ęsim¬Ľ, o grupo ¬ęnem¬Ľ e o grupo ¬ęn√£o¬Ľ. Mas a grande maioria diz que mudar √© bom. Nisso eles est√£o de acordo. Da√≠ fiquei preocupado: ¬ęat√© onde mudar minha pobre marca?¬Ľ.

P: Bem, mas na vida quase nunca existem coincidências plenas...

M: Sim, Pepe, já sei que há matizes em tudo, mas eu pensava que entre os designers deveria haver uma maior coincidência na hora de opinar. E pelo que eu percebi em outros debates do site, o resultado é sempre parecido Nunca estão de acordo.

P: N√£o se irrite, sabe como s√£o os criativos...

M: Por mim poder ser do jeito que quiseram, mas se sobre um tema t√£o simples como uma marca tem tanta diverg√™ncia, te pergunto Pepe: vale la pena pagar a um profissional o honor√°rio que ele est√° pedindo? Porque se eu chamo um designer do grupo ¬ęsim¬Ľ, ele vai me fazer algo muito diferente do que faria i designer do grupo ¬ęn√£o¬Ľ, que ser√° diferente do profissional do grupo nem! Pelo que eu entendi, todos eles d√£o uma import√Ęncia extraordin√°ria √† marca, mas n√£o concordam entre eles sobre quais s√£o as boas e quais s√£o as ruins. N√£o sei o que fazer...

P: Tenho a solu√ß√£o para a sua ang√ļstia. Deixe como est√°. Fa√ßa de conta que voc√™ chamou um designer e que depois de analisar seu logo ele chegou √† conclus√£o de que n√£o faria diferen√ßa mud√°-lo. Se h√° tantas opini√Ķes, como voc√™ diz, seguramente tem um grupo de designers que diria que seu logo est√° √≥timo. Al√©m disso, voc√™ economiza um mont√£o de dinheiro...

M: (volta a olhar a xícara de café) Mmm...

P: Ainda que na minha opini√£o sua marca est√° pouco... como vou dizer? Antiga, fora de moda...

M: Para mim, o problema √© a cor. √Č muito escandalosa. E a fonte n√£o tem gra√ßa...

P: Olha l√°. Chegou a Susanita, vamos a perguntar o que ela acha...

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TraduçãoAbc Design Curitiba Seguidores: 23

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Retrato de Pablo Andres Torres Gomez
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Pablo Andres Torres Gomez
Ago 2015

¬°Qu√© triste y cierto!, cu√°nto dise√Īador en cuesti√≥n (unos porque no estudiaron realmente a fondo el problema comunicativo, otros porque estudiaron casi en un "garaje") se la pasan profiriendo impresiones emocionales acerca de temas que desconocen en toda su extensi√≥n, por lo menos deber√≠an decir al final algo como "es lo que humildemente pienso" o "eso me lo le√≠ en Yahoo respuestas" y lo escrib√≠ a mi estilo. Hace falta mucha responsabilidad en el gremio, seguramente muchos empresarios que realmente s√≠ est√°n dispuestos a pagar por un buen trabajo, concienzudo, investigativo, serio, se est√°n arrepintiendo cada d√≠a al encontrarse cada vez m√°s a estos colegas que de valientes tienen mucho a decir verdad, porque poco menos se necesita para hablar con tanta seguridad de algo a lo que se desconoce.

0
Responder
Retrato de Christian Trucco
30
Christian Trucco
Mai 2012

Exelente!! jaja...

0
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Retrato de Luiz Claudio Gonçalves Gomes
43
Luiz Claudio Gonçalves Gomes
Mai 2012

Te felicito Belluccia por nos dar más una vez la oportunidad de leer este texto tan divertido y al tiempo verdadero. Lo había leído el original pero no dudé en leerlo por segunda vez, ahora en mi idioma. Rico.

0
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