Afinal, o que é o design thinking?

Uma metodologia de resolução de problemas complexos dos negócios em construção permanente.

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¬ęNada √© permanente, salvo a mudan√ßa¬Ľ.

Her√°clito de √Čfeso (fil√≥sofo pr√©-socr√°tico)

Grandes empresas tendem a transformar uma experi√™ncia bem sucedida em um padr√£o funcional em tempo integral, como uma linha de montagem. As pequenas empresas tamb√©m. Organiza√ß√Ķes humanas tendem a buscar o controle total sobre seus processos, mesmo os mais criativos. N√£o estou falando mal das empresas, todos n√≥s tendemos absorver os eventos transformadoras em rotinas mentais sujeitas ao nosso controle.

As empresas precisam de processos que possam ser aprovados e replicados, mesmo sabendo que alguns deles ser√£o apenas muletas para justificar poss√≠veis futuros fracassos ‚ÄĒ como deu errado, se eu segui todos os procedimentos? Estamos envolvidos¬†em um gigantesco impasse na economia mundial tentando buscar justificativas no passado, presos aos modelos tradicionais.

Nesse mesmo momento, a palavra inova√ß√£o est√° se transferindo para as placas de sinaliza√ß√£o das portas da comunidade de neg√≥cios, indicando que cada profissional que estiver atr√°s dessas portas faz parte do esfor√ßo de inova√ß√£o da empresa. Mesmo assim, existe uma sensa√ß√£o no ar que indica que as organiza√ß√Ķes n√£o sabem bem o que √© inova√ß√£o, embora desejem ser inovadoras.

O que estimula a inova√ß√£o? Certamente o n√£o-conformismo e a criatividade. Ultimamente, nos c√≠rculos dos profissionais de inova√ß√£o, um neologismo vem aparecendo muito: o design thinking. Digo ultimamente baseado no fato que o termo, embora usado h√° muito mais tempo, foi assumido e divulgado intensamente a partir de 2003 por um dos grupos criativos mais reconhecidos do planeta, a IDEO. David Kelley, fundador da IDEO e do d.school da Universidade de Stanford,¬†pressup√īs que a metodologia que sua empresa usava para a resolu√ß√£o dos problemas complexos dos seus clientes poderia ser chamada dessa forma.

¬ęSomente os extremamente s√°bios e os extremamente est√ļpidos √© que n√£o mudam¬Ľ.

Conf√ļcio (fil√≥sofo chin√™s, 551 a 479 a.C)

Logo depois, acad√™micos de psicologia e da √°rea da administra√ß√£o dos neg√≥cios reconheceram o design thinking como uma disciplina capaz de ajudar na resolu√ß√£o dos chamados wicked problems. Simultaneamente, grandes companhias testaram a metodologia com resultados positivos e divulgaram suas experi√™ncias. Em seguida, artigos e livros foram escritos com uma extensa defesa te√≥rica e com descri√ß√Ķes de casos reais de produtos e servi√ßos. Parecia que o design thinking havia atingido um ponto de inflex√£o para ganhar velocidade crescente de divulga√ß√£o espont√Ęnea. Ent√£o, duas rea√ß√Ķes desse movimento tomaram forma.

Como¬† primeira consequ√™ncia, o pr√°tico universo dos neg√≥cios se prop√īs a absorver o processo se houvesse uma esp√©cie de manual, uma vers√£o replic√°vel dos princ√≠pios criativos da metodologia. O procedimento passo a passo do design thinking em cinco etapas se transformou em sete e logo ganhou uma vers√£o em dez passos. Como uma tend√™ncia irresist√≠vel no mundo regrado dos neg√≥cios, o design thinking foi se transformando em uma ¬ęci√™ncia¬Ľ de resolu√ß√£o de problemas.

Outra consequ√™ncia foi a rea√ß√£o contr√°ria da classe criativa. Os criadores n√£o olharam com bons olhos a assimila√ß√£o da metodologia pela ansiosa comunidade dos administradores. Com um certo desdenho, alguns designers e gerentes de inova√ß√£o disseram que o design thinking nada mais era que a ¬ęmetodologia do design¬Ľ com outra roupagem. Ambas as rea√ß√Ķes s√£o convencionais e negativas. Nem se deve engessar qualquer metodologia criativa, nem jogar pedras sobre algo ainda em forma√ß√£o e t√£o promissor.

Ser√° que o ¬ęknow-how amea√ßar√° a intui√ß√£o e a inspira√ß√£o?¬Ľ Ser√° que o design thinking se transformar√° em outra muleta para a tomada de decis√Ķes dos gerentes? O design thinking est√° realmente trazendo novos insights e novas id√©ias? ¬ęOu √© simplesmente um processo de drenagem da energia a partir das coisas que estamos fazendo?¬Ľ Alguns pensamentos s√£o de Robin Lanahan, diretora de estrat√©gia de marca e incuba√ß√£o de novos neg√≥cios da Microsoft, em junho de 2012, no artigo What is design thinking anyway?

Lanahan conclui que se pudemos evitar dar um nome e uma f√≥rmula ao processo, talvez o m√©todo pudesse funcionar. Achei engra√ßado. Me lembrou o bem humorado Bruce Nussbaum, editor da BusinessWeek e professor de inova√ß√£o e design da Parsons, que sugeriu chamarmos o processo de design thinking ou de inova√ß√£o de ¬ębanana¬Ľ porque os homens de neg√≥cios n√£o gostam do conceito de design,¬†pois lembra decora√ß√£o. Em 2011 ele reformulou a id√©ia e disse que a ¬ębanana¬Ľ da ocasi√£o era a palavra ¬ęcriatividade¬Ľ porque era a meta dos engenheiros e dos capitalistas de risco. Nussbaum disse tamb√©m que a d√©cada do design thinking estava terminando e que ele ¬ęestava se mudando para outro quadro conceitual¬Ľ. Criada por ele e tema de um livro da HarperCollins, ele¬†estava antecipadamente lan√ßando a Intelig√™ncia Criativa.

¬ęUma mudan√ßa deixa sempre patamares para uma nova mudan√ßa¬Ľ.

Niccolò Machiavelli (pensador da ciência política moderna)

Se voc√™ digitar ¬ęafinal, o que √© design thinking?¬Ľ no Google, em qualquer l√≠ngua, voc√™ encontrar√° dezenas de textos que tentam emitir um parecer. Sempre entendi que o design thinking era uma metodologia experimental e explorat√≥ria. Era o que me atra√≠a nela. Diferente de Lanahan, sempre¬†pensei que a grande vantagem do design thinking era ser uma metodologia flex√≠vel e em constru√ß√£o, completamente experimental al√©m de incorporar, sem constrangimentos, ferramentas de diversas outras disciplinas ao projeto do design.

Toda vez que converso com profissionais de outras áreas sobre o design thinking, me vejo dizendo: também usamos os mind maps do inglês Tony Buzan, assim como o processo sequencial CPS de divergir e convergir dos americanos Alex Osborne e Sidney Parnes. Por que não usar a técnica inventada pela Disney desde 1930, o story board?

¬ęAbsorva (roube) dos melhores, ent√£o adapte¬Ľ.

Tom Peters (guru norte-americano)

Design thinking n√£o √©, ou n√£o deveria ser, uma plataforma fechada mas aberta e adapt√°vel ao problema do cliente. Uma metodologia que absorveu os procedimentos de observa√ß√£o dos antrop√≥logos e tamb√©m o uso sequencial de itera√ß√Ķes usada na pesquisa cient√≠fica, na matem√°tica, na programa√ß√£o de softwares e nos processos de engenharia. Dependendo da ocasi√£o ou do grupo reunido, pode-se gerar uma reuni√£o de brainstorm tradicional ou uma oficina de debates na qual as pessoas precisam defender seus pensamentos, como sugere Charlan Nemeth.

Desde que comecei a ler sobre o design thinking,¬†percebi que estava diante de uma plataforma b√°sica, a do projeto do design, sobre a qual se deveria estruturar os ensinamentos e ferramentas √ļteis que vinham de outras disciplinas complementares. N√£o sei exatamente de onde veio a experi√™ncia da montagem das equipes multi, trans ou interdisciplinares, t√£o necess√°rias para a resolu√ß√£o dos problemas complexos. Talvez das primeiras experi√™ncias das tribos ao redor da fogueira.

O que importa √© que toda ferramenta usada criativamente ajuda¬†no processo de cria√ß√£o. Bem-vindos a investiga√ß√£o com novas regras, as t√©cnicas da etnografia, o hot-house, os exerc√≠cios para a descoberta de padr√Ķes e¬†√†s oficinas de incentivo √† abdu√ß√£o, ao pensamento n√£o-linear, aos saltos conceituais, ao sequenciamento de palavras, √† gera√ß√£o de hist√≥rias, √† busca da mem√≥ria emocional, ao aprendizado da empatia. Com uma atitude mais aberta, dever√≠amos estar escolhendo outras pr√°ticas para aprimorar o processo da inova√ß√£o.

Aprender r√°pido e adaptar parece ser da biologia. √ďtimo, o que podemos fazer para sair da perigosa acomoda√ß√£o para melhorar os neg√≥cios?

¬ęEnt√£o, √© melhor voc√™ come√ßar a nadar¬†
Ou ir√° afundar como uma pedra
Pois os tempos est√£o mudando¬Ľ.

Bob Dylan (The Times They Are A-Changin)

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Retrato de S√īnia Valentim de Carvalho
0
S√īnia Valentim de Carvalho
Aug 2013

artigo muito bom!

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Retrato de Chico Neto
2
Chico Neto
Aug 2013

Rique, seu livro é excelente. Foi uma grande surpresa para mim. E tem uma leitura simples, concisa, mas completa a proposta. Abraços.

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