A qualidade existe e é inegociável

Para incentivar o entusiasmo do desenvolvimento de sua própria cultura gráfica e aspiração à qualidade.

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Para incentivar o entusiasmo do desenvolvimento de sua própria cultura gráfica e aspiração à qualidade.

Em uma aula sobre qualidade de marcas para alunos de design gr√°fico, eu mostrava exemplos bem extremados, bem contrastantes, de marcas de excelente e de p√©ssima qualidade, a diferen√ßa era gritante, mesmo para um leigo no assunto. Ao mostrar a √ļltima marca (a pior em todos os sentidos), uma estudante me perguntou: Por que voc√™ diz que a marca √© ruim? Minha perplexidade paralisou minha possibilidade de resposta por alguns momentos. Era como ter que explicar que √© dia para uma pessoa que est√° tomando um banho de sol. Como se explicam as evidencias?

De qualquer forma, a pergunta da estudante foi, para mim, esclarecedora: no mundo em que vivemos hoje a perfei√ß√£o n√£o √© clara para todos e, portanto, o horror tamb√©m n√£o √© evidente. A origem desta dissolu√ß√£o das evid√™ncias culturais √© f√°cil de detectar: ‚Äč‚Äčse trata do acelerado processo de ‚Äúdescultura√ß√£o‚ÄĚ, t√≠pico da sociedade de consumo. N√£o precisamos nos estender muito, a literatura sobre isso √© vasta e tamb√©m os sintomas s√£o bem aparentes, basta sair na rua ou ligar a televis√£o.

Mas o interessante n√£o √© tanto para analisar este processo e suas redu√ß√Ķes. E sim, a redu√ß√£o da redu√ß√Ķes: o "tudo √© relativo". Parece que se vale tudo e que o que alguns "dogm√°ticos" consideram "inculto" √©, em realidade, um produto de "uma outra cultura" ... fazer o que amigos! Hip√≥teses como esta abriram caminho para todo tipos de desastres.

Com esta introdução, vamos passar agora para o nosso campo, o gráfico. Para isso, vamos começar a partir de um fato inegável: o gráfico é uma área da cultura, como a arquitetura, gastronomia e esporte. E não é apenas uma área da cultura, indo além do design gráfico, é uma das primeiras áreas a se desenvolver na humanidade. Lembre-se das cavernas, estamos desenhando há mais de 15 mil anos.

Em todos os campos da cultura existem códigos que regulam sua reprodução e o seu disfrute. Há boas bandas de rock, e bandas de rock péssimas, e no meio as regulares. Roqueiros autênticos, aqueles que sabem de rock não costumam errar e só vão a shows que valem a pena. Aqueles que conhecem futebol sabem apreciar uma boa jogada e sempre tem uma lembrança para a mãe do atacante que a frustrou. A torcida sabe, e não perdoa.

Bem, o mesmo vale para o gr√°fico. Uma pessoa com cultura gr√°fica sabe diferenciar um bom ilustrador de um ruim. √Č claro que existem situa√ß√Ķes em que o julgamento √© controverso, e as unanimidades s√£o raras. Mas esses casos s√£o a exce√ß√£o que confirma a regra. √Č uma mentira que tudo √© relativo. Os valores s√£o relativos apenas a quem os n√£o tem. Em outras palavras: o alardeado "tudo √© relativo" nada mais √© do que o √°libi para os iletrados.

Mas, contra o oportunismo do relativista que suspende sine die o julgamento, a cultura exibe esmagadoramente suas certezas: um ‚Äč‚Äčpatrim√≥nio irrefut√°vel de pe√ßas maravilhosas e outro, resultado da ignor√Ęncia ou mediocridade. Assim como existe cultura, existe tamb√©m barb√°rie. Distinguir um do outro n√£o √© uma quest√£o de opini√£o, e sim de conhecimento.

A descri√ß√£o acima poderia ser interpretado como um pedido de elitismo. Contra esse perigo que eu me lembro de uma escrita acima: "A torcida sabe, e n√£o perdoa" Se trata de ‚Äúsaber‚ÄĚ. E o conhecimento √© distribu√≠do entre os setores sociais de acordo com suas afinidades: uns sabem de rock, outros de futebol, outros de gr√°fico. Praticamente ningu√©m sabe tudo, isso √© normal e at√© diria que saud√°vel.

E o que isto tudo tem a ver com design? Bem, tudo. Quando um cliente usa um designer gráfico é porque ele não é treinado para satisfazer adequadamente uma necessidade de comunicação. Ele sabe que não sabe e recorre alguém, que como a torcida, sabe do seu. E dentro desse conhecimento está saber detectar a qualidade (de uma fonte, uma paleta de cores, de uma fotografia, uma ilustração ...). E, mais ainda, saber produzir essa qualidade.

E entre todas suas caracter√≠sticas est√° fornecer materiais gr√°ficos de alt√≠ssima qualidade, pois este compromisso √© o princ√≠pio fundamental do profissionalismo (em qualquer profiss√£o). Seja qual for o tema da pe√ßa, o p√ļblico-alvo ou a linguagem, a pe√ßa deve ser excelente: a qualidade √© estrat√©gica e, portanto, indispens√°vel. E √© tamb√©m, o motivo pela qual se usa um designer gr√°fico em vez de ir diretamente para a Ind√ļstria Gr√°fica.

Quando temos d√ļvidas de nossa aprecia√ß√£o da qualidade, um padr√£o de conduta correto seria n√£o refugiar-se no relativismo, e sim questionar a nossa capacidade de avalia√ß√£o. N√£o duvide da Cultura, mas sim da que voc√™ possui. E da√≠, colocar m√£os √† obra na tarefa de incorporar ela... que nunca acaba.

Nas opini√Ķes enviadas ao ForoAlfa sobre temas estritamente t√©cnicos (por exemplo, a qualidade de uma nova marca), predominam diferen√ßas marcantes, e n√£o no tom, o que √© normal, mas no sinal, positivo e negativo, da avalia√ß√£o.

Na avaliação da qualidade, é compreensível que observem diferenças em grau, oriundas do diferente nível de exigência opinativo. Mas, tratando-se de membros de uma mesma profissão, é inconcebível que o mesmo produto gráfico seja considerado por eles como de alta e baixa qualidade: um médico acredita que o paciente é saudável e seu colega diz que é morto.

A crise cultural, j√° mencionada, parece estar afetando escolas, pois uma parte importante dos seus diplomados saem com disciplinas centrais pendentes.

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Traducción: Joaquin Presas Curitiba Seguidores: 17

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Norberto Chaves

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Retrato de Alexandre Fontes
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Alexandre Fontes
Mar 2014

Uma vez um palestrante, Carlo Giovani, ilustrador e designer, falou que devemos tomar extremo cuidado com tudo que produzimos, pois somos responsáveis pela qualidade da próxima cultura gráfica.

E isso parece se conectar diretamente com o que esse texto se prop√Ķe. Al√©m de termos que adquirir o conhecimento espec√≠fico para identificar bons produtos gr√°ficos, tamb√©m devemos deixar como legado no mercado, pe√ßas impec√°veis que estimulem clientes, empresas e novatos a perseguir uma linguagem gr√°fica de qualidade.

Gostei muito das reflex√Ķes e admiro a convic√ß√£o de seus argumentos.

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