Tudo o que é sólido desmancha no ar

O papel do designer é pensar primeiro sobre experiências humanas, em vez de pensar na coisa em si.

Retrato de Érico Fileno Érico Fileno Curitiba

Seguidores:
17
Opiniões:
5
Votos:
17
Compartir:

Muito tem se falado sobre Design Thinking e alguns tentam levar para uma discussão dicotômica, ou ainda pior, para uma discussão maniqueísta entre o bem e o mal. E não quero nem lembrar que às vezes surgem discussões rasas e confusas sobre o assunto. Surgem até os «pioneiros do último verão», já que estamos falando de uma buzzword nova. Afinal todo mundo quer falar sobre tal (eu me incluo nessa!). Porém, eu procuro ser muito prático no meu modo de ver e trabalhar o design na minha vida profissional. Acredito que devemos aproveitar esse momento positivo para construir um discurso coerente através desse «novo design».

Historicamente o design passou por muitas ondas, de escolas acadêmicas a movimentos. Nesses primeiros anos do novo século, não só o design, mas toda nossa sociedade está passando por profundas mudanças: barreiras geográficas estão caindo, há uma mudança significativa na ordem mundial e modelos que sustentavam nosso mundo, caíram por terra. Vemos jovens que lançam um serviço na Internet ficarem ricos da noite para o dia. Vemos empresas tradicionais nos seus ramos perderem sua liderança para empresas novatas em pouco tempo. Marcas que ontem eram símbolos da nossa sociedade, já não existem mais. Impérios se mostraram verdadeiros castelos de areia. E o que o design tem com isso? Tudo oras!

O design como manifestação do labor humano faz parte da nossa cultura e ele também está passando por profundas mudanças, conectadas ao que escrevi acima. Por quê? Porque hoje não estamos mais fazendo coisas. A «coisificação« não está mais no nosso pipeline, porque o consumidor se transformou de receptor passivo em participante ativo do processo. O nosso papel como designer é pensar primeiro sobre experiências humanas, em vez de pensar na coisa em si. Hoje somos mediadores! Essa é a nova onda!

Por isso, antes de discutir que novo design é esse que estamos falando, penso que devemos ter a clareza que o design que conhecemos está se desmanchando. Hoje, estamos pensando e construindo processos e sistemas, com foco no entendimento das experiências das pessoas. As empresas precisam acordar para esse novo momento, que está focado nas nossas experiências com os serviços.

É através da interação com os serviços, que podemos ter uma visão desse design contemporâneo e da nossa importância dentro do processo produtivo. Se tivermos a conscientização da imaterialização do design, pouco importa que nome o mercado dá para isso. Dessa forma ficamos mais livres e podemos assim nos preocupar em fazer (e pensar) design. Podemos focar no seu real objetivo: entregar valor através de serviços significativos para pessoas e de forma sustentável para a sociedade.

Seguidores:
17
Opiniões:
5
Votos:
17
Compartir:
  • Gostaria de indicar a leitura do livro de Marshall Berman que dá título a esse artigo: «Tudo O Que É Sólido Desmancha No Ar»
Código QR para acesso ao artigo Tudo o que é sólido desmancha no ar

Este artigo não expressa a opinião dos editores e responsáveis de FOROALFA, os quais não assumem qualquer responsabilidade pela sua autoria e natureza. Para reproduzi-lo, a não ser que esteja expressamente indicado, por favor solicitar autorização do autor. Dada a gratuidade deste site e a condição hiper-textual do meio, agradecemos que evite a reprodução total noutros Web sites.

Érico Fileno

Mais artigos de Érico Fileno

Título:
Objetos que são avatares dos serviços
Resumo:
Uma reflexão acerca dos objetos que, no século XXI, se tornam avatares de serviços, como o carro para o serviço de locomoção entre dois lugares.
Compartilhar:

Debate

Logotipo de
Minha opinião:

Ingresse com sua conta para opinar neste artigo. Se não a tem, crê sua conta grátis agora.

Retrato de Celso Skrabe
1
Celso Skrabe
Mai 2013

O paradoxo deste texto é que ele é muito sólido para, simplesmente, se desmanchar no ar. No setor hospitalar, onde atuo como publisher do Anuário de Design Hospitalar e do site HospDesign Center, a idéia do Design Thinking está presente sob múltiplas formas, do Design de Serviços ao Design Basead0 em Evidência (na linha do Evidence-Based Design americano). Na atenção à saúde a questão da experiência humana está no eixo da transformação que o Design pode (e deve) promover. Afinal, se a lógica é servir ao homem, então vale o que diz Philippe Starck: «Design não é estilo. Design é lógica«

0
Retrato de Érico Fileno
17
Érico Fileno
Mai 2013

Oi Celso, tudo bom?

Citar Philippe Starck é um outro paradoxo! Pois a lógica não é apenas servir ao homem, mas sim colocar o ser humano em primeiro plano dentro do processo projetual. Parece que não há diferença nessa frase, mas na prática muda muita coisa.

0
Responder
Retrato de Pâmela Machado
2
Pâmela Machado
Mar 2013

Não vejo o Design Thinking como o «novo design». Até porque ele está mais para uma metodologia que se apropria de um conjunto de princípios do design, que podem ser aplicados por diversos profissionais e organizações a fim de resolver uma ampla variedade de problemas. Uma equipe de design thinkers não é formada somente por designers, mas sim uma série de profissionais de outras faculdades dispostos a utilizar o poder desruptivo da forma de se pensar do design para a resolução de um problema. Por isso da palavra thinking - pensamento.

Abraços!

1
Retrato de Érico Fileno
17
Érico Fileno
Mar 2013

Oi Pâmela, concordo com você. Também não vejo o Design Thinking como um «novo design», por isso o uso das aspas!

0
Responder
Retrato de Leandro Leite
0
Leandro Leite
Mar 2013

Este é um dos meus maiores problemas com o design, vê-lo como uma ferramenta que ajuda de fato a sociedade, não apenas um embelezador de produtos. Espero que essa visão imaterial do design possa abrir uma brecha para encararmos a profissão e a área de estudo de uma maneira socialmente mais positiva.

0
Responder

Lhe poderiam interessar

Retrato de Julio Teixeira
Autor:
Julio Teixeira
Título:
Design: Importante ou imprescindível?
Resumo:
Entre os textos e relatos de acadêmicos e de profissionais ligados ao design, percebe-se que um assunto permeia recorrentemente as discussões: O Reconhecimento da Profissão.
Compartilhar:
Interações:
Votos:
9
Opiniões:
2
Seguidores:
9
Ilustração principal do artigo Historia Mundial do Design
Autor:
Félix Beltrán
Título:
Livro: Historia Mundial do Design
Resumo:
Entrevista a Victor Margolin em relação ao seu livro «World History of Design», uma obra inigualável onde apresenta a sua extensa pesquisa e opinião sobre o tema.
Traduções:
Compartilhar:
Interações:
Votos:
9
Opiniões:
1
Seguidores:
51
Retrato de Luiz Renato Roble
Autor:
Luiz Renato Roble
Título:
Design é mais que desenho, é conceito
Resumo:
Ter dedos ágeis no teclado e no rato é importante, mas é apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que é o computador, e não o fundamental.
Compartilhar:
Interações:
Votos:
13
Opiniões:
1
Seguidores:
18
Retrato de Luis Emiliano Costa Avendaño
Autor:
Luis Emiliano Costa Avendaño
Título:
Design abaixo do Equador
Resumo:
Porque devemos pensar grande num mundo onde ainda nos espelhamos no design dos países desenvolvidos: uma reflexão às futuras gerações de designer
Compartilhar:
Interações:
Votos:
4
Opiniões:
1
Seguidores:
5
Retrato de Adrián Pierini
Autor:
Adrián Pierini
Título:
Minha primeira vez como estudante de Design
Resumo:
A experiência e a trajetoria são resultado do esforço e do sacrificio.
Traduções:
Compartilhar:
Interações:
Votos:
8
Opiniões:
1
Seguidores:
447
Retrato de Daniel Silverman
Autor:
Daniel Silverman
Título:
Avis rara: o designer que não projeta suas apresentações
Resumo:
As apresentações pobremente planejadas são habituais e pouco eficientes. Mas quando são de um designer ou professor de design, é imperdoável.
Traduções:
Compartilhar:
Interações:
Votos:
6
Opiniões:
1
Seguidores:
51