Artesanato e Design

O artesanato não pode se limitar a reprodução de utensílios do passado. Existe um mercado marginal de produtos artesanais que precisa ser atendido pelo desing.

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Em um mundo globalizado a produção seriada em larga escala se faz conveniente para suprir o macro mercado global unificado. Esse modelo favorece os países com maior poder econômico e que produzem, como efeito colateral, a imposição do seu modo de vida através dos seus produtos em contextos socioculturais muito divergentes. Globalizar (é) uniformizar e homogeneizar o mercado, atropelando culturas as nativas, atropelando e suplantando as mesmas. Os produtos globalizados em nada têm a ver com as peculiaridades das culturas nas quais eles são comercializados, de modo que esse sistema gera um lamentável empobrecimento da cultura local.

Diante desse cenário, somente o fazer artesanal pode ainda reter essa pluralidade de sensibilidades que existem e criar produtos que levem em conta as necessidades e os gostos de pessoas e mercados minoritários. Produtos elaborados em series limitadas e fabricados com materiais nobres. A nobreza desses materiais reside em sua vasta história de confiabilidade a serviço do Homem (com H maiúsculo). A madeira, o cristal, a cerâmica e os metais básicos são materiais que permitiram a maior e a melhor parte do progresso da cultura objetual humana. Essa nobreza está em destaque por serem estes materiais naturalmente renováveis e recicláveis. Materiais que em nenhum momento agridem o seu entorno: não geram poluição, são recicláveis e possuem qualidades estéticas e organolépticas que não encontramos nos materiais artificiais gerados pelos alquimistas da sociedade industrial.

Houve um tempo em que se temia que os processos produtivos industriais fossem suplantar o artesanato a um nível da lembrança, um vestígio do passado para recordações turísticas. Isso não aconteceu, muito pelo contrário. A hipertrofia em que se encontra a produção industrial faz com que se valorizem cada vez mais as qualidades que são oferecidas pela elaboração artesanal. E não é somente o público que reclama por produtos mais atentos as expectativas particulares de um determinado mercado. Os designers também querem criar obras mais exclusivas, menos seriadas e massificadas pensadas para um público mais próximo e específico. Uma linha de colaboração entre o mundo do design e do artesanato é possível e desejável. Ela permite oferecer objetos mais próximos das pessoas. Objetos úteis, de caráter contemporâneo que não são regidos pelas duras leis homogeneizadoras do sistema, mas que levariam em conta a diversidade das sensibilidades que coexistem.

A colaboração entre artesão e designers parece muito coerente. Uma colaboração em que cada parte possa aportar seu talento:

  • O artesão seu perfeito domínio de um ofício que permite realizar obras que só são possíveis através de técnicas e materiais que a indústria não domina.

  • O designer, sua capacidade para detectar nas coisas mais cotidianas aqueles aspectos que podem ser melhorados e imaginar o modo e as formas de fazê-lo.

A colaboração entre artesanato e design seria então um modo de relacionar o «saber fazer» com o «saber que faz».

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André Ricard

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