Artesanato e Design

O artesanato não pode se limitar a reprodução de utensílios do passado. Existe um mercado marginal de produtos artesanais que precisa ser atendido pelo desing.

Retrato de André Ricard André Ricard Barcelona

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Em um mundo globalizado a produ√ß√£o seriada em larga escala se faz conveniente para suprir o macro mercado global unificado. Esse modelo favorece os pa√≠ses com maior poder econ√īmico e que produzem, como efeito colateral, a imposi√ß√£o do seu modo de vida atrav√©s dos seus produtos em contextos socioculturais muito divergentes. Globalizar (√©) uniformizar e homogeneizar o mercado, atropelando culturas as nativas, atropelando e suplantando as mesmas. Os produtos globalizados em nada t√™m a ver com as peculiaridades das culturas nas quais eles s√£o comercializados, de modo que esse sistema gera um lament√°vel empobrecimento da cultura local.

Diante desse cen√°rio, somente o fazer artesanal pode ainda reter essa pluralidade de sensibilidades que existem e criar produtos que levem em conta as necessidades e os gostos de pessoas e mercados minorit√°rios. Produtos elaborados em series limitadas e fabricados com materiais nobres. A nobreza desses materiais reside em sua vasta hist√≥ria de confiabilidade a servi√ßo do Homem (com H mai√ļsculo). A madeira, o cristal, a cer√Ęmica e os metais b√°sicos s√£o materiais que permitiram a maior e a melhor parte do progresso da cultura objetual humana. Essa nobreza est√° em destaque por serem estes materiais naturalmente renov√°veis e recicl√°veis. Materiais que em nenhum momento agridem o seu entorno: n√£o geram polui√ß√£o, s√£o recicl√°veis e possuem qualidades est√©ticas e organol√©pticas que n√£o encontramos nos materiais artificiais gerados pelos alquimistas da sociedade industrial.

Houve um tempo em que se temia que os processos produtivos industriais fossem suplantar o artesanato a um n√≠vel da lembran√ßa, um vest√≠gio do passado para recorda√ß√Ķes tur√≠sticas. Isso n√£o aconteceu, muito pelo contr√°rio. A hipertrofia em que se encontra a produ√ß√£o industrial faz com que se valorizem cada vez mais as qualidades que s√£o oferecidas pela elabora√ß√£o artesanal. E n√£o √© somente o p√ļblico que reclama por produtos mais atentos as expectativas particulares de um determinado mercado. Os designers tamb√©m querem criar obras mais exclusivas, menos seriadas e massificadas pensadas para um p√ļblico mais pr√≥ximo e espec√≠fico. Uma linha de colabora√ß√£o entre o mundo do design e do artesanato √© poss√≠vel e desej√°vel. Ela permite oferecer objetos mais pr√≥ximos das pessoas. Objetos √ļteis, de car√°ter contempor√Ęneo que n√£o s√£o regidos pelas duras leis homogeneizadoras do sistema, mas que levariam em conta a diversidade das sensibilidades que coexistem.

A colaboração entre artesão e designers parece muito coerente. Uma colaboração em que cada parte possa aportar seu talento:

  • O artes√£o seu perfeito dom√≠nio de um of√≠cio que permite realizar obras que s√≥ s√£o poss√≠veis atrav√©s de t√©cnicas e materiais que a ind√ļstria n√£o domina.

  • O designer, sua capacidade para detectar nas coisas mais cotidianas aqueles aspectos que podem ser melhorados e imaginar o modo e as formas de faz√™-lo.

A colabora√ß√£o entre artesanato e design seria ent√£o um modo de relacionar o ¬ęsaber fazer¬Ľ com o ¬ęsaber que faz¬Ľ.

Traduzido por Lucas Monteiro Rocha Faria Belo Horizonte

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André Ricard

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