Julio Teixeira

Design: Importante ou imprescindível?

Entre os textos e relatos de acadêmicos e de profissionais ligados ao design, percebe-se que um assunto permeia recorrentemente as discussões: O Reconhecimento da Profissão.

Tem-se visto comparações que relacionam Design com Medicina, Engenharia, Arquitetura, Direito, etc. Tais comparações são válidas e auxiliam no amadurecimento da profissão e do profissional. No entanto, para avaliar com maior clareza esta questão, devemos separar alguns pontos. Primeiramente, faz-se importante entender quais são os fatores internos e externos. Consideraremos aqui, como «fatores externos», principalmente a percepção da sociedade quanto as nossas atividades, e como «fatores internos» a atividade da forma como é realizada pelos designers.

Portanto, vamos iniciar trazendo a superfície os «fatores externos». Algumas profissões são vistas, por grande parcela da sociedade geral, empresas e governos como profissões imprescindíveis, outras são vistas como importantes.

Entre as imprescindíveis existem profissões que são consideradas por atender necessidades básicas, na maioria das vezes, fisiológicas e de segurança. Estas normalmente assumem responsabilidades técnicas nos resultados de suas ações (inclusive por meio de laudos, pareceres, projetos etc.) que estão suscetíveis a graves consequêcias caso estejam equivocadas (mortes, acidentes, contaminação etc.). Outras profissões conseguiram especificar, valorizar e proteger tanto a sua atividade, que as pessoas e as organizações não se sentem seguras em empreendê-las por si mesmas, em alguns casos isso não é nem permitido pela legislação. Dessa forma, naturalmente, o profissional recebe reconhecimento, credibilidade, maior remuneração e em alguns casos recebe certa «blindagem social» e os leigos se sentem desconfortáveis em questioná-los e relegam isso a outros profissionais da mesma classe.

As importantes normalmente são vistas como profissões onde habilidades específicas são necessárias e o conhecimento técnico-científico é aplicado proporcionando melhores resultados. Partes dessas atividades são realizadas por profissionais que não possuem formação específica na área, pois não são consideradas de necessidade básica ou regulamentadas pelo governo, ou seja, a profissão não conseguiu ainda, mostrar-se imprescindível para a sociedade ou para um grupo específico.

No caso do design, quanto aos «fatores internos» devemos considerar que:

  • A profissão é recente (quando comparado as mais tradicionais). 
  • As atividades que são características da profissão, ainda não são completamente especificadas, pelo contrário, o design tem buscado ampliar os horizontes de trabalho «infiltrando-se» em outras áreas sem se consolidar e sem resolver tecnicamente a sua atividade. 
  • Muitos profissionais não adotam uma postura e discurso profissional. Por exemplo, dificilmente se pautam em pesquisas e informações científicas.
  • A busca e articulação pela regulamentação da profissão ainda vista como um sonho (pelo menos no Brasil); e por fim.
  • O designer não coleciona informaçoes palpáveis e quantificáveis de seus resultados, muito menos chega a assumir riscos e responsabilidades por suas atitudes e por seus projetos.

Enquanto tais «fatores internos» não estiverem melhor resolvidos, o reconhecimento do designer como profissional capaz de proporcionar desenvolvimento de uma organização e até de uma sociedade não ocorrerá, e a culpa não é e não será da sociedade.

Author
Julio Teixeira Florianópolis

Published on 26/03/2012

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