Yahoo: faça você mesmo

Como o ex-gigante buscador da internet criou seu novo logotipo.

Retrato de Luciano Cassisi Luciano Cassisi Buenos Aires

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Ilustração principal do artigo Yahoo: faça você mesmo

Em sua p√°gina de Tumblr, Marissa Mayer (Presidente e Diretora Executiva do Yahoo) explicou que o processo de cria√ß√£o do novo logotipo foi realizado internamente, sem gastar milh√Ķes em consultorias externas:

¬ęEm um final de semana do ver√£o passado arregacei as mangas com a equipe de design do logo: Bob Stohrer, Marc DeBartolomeis, Russ Khaydarove e nosso estagi√°rio Max Ma. Passamos a maior parte do s√°bado e do domingo desenhando o logo do principio ao fim, e nos divertimos muito avaliando cada detalhe¬Ľ.

Um dos principais argumentos de Mayer a favor da mudan√ßa √© que 87% dos empregados do Yahoo n√£o gostava do antigo logo e que alguns clientes manifestavam que, ainda que adorassem os produtos recentemente projetados, o logotipo anterior era visto como ¬ęestranho¬Ľ. E sem d√ļvida era, ainda que nem sempre de modo t√£o evidente.

Lembro-me que no ano de 2000 ou 2001 fizemos uma pequena experiência de análise de qualidade gráfica marcária com meus alunos de Design Gráfico da UBA. Selecionamos cinco logotipos de famosas marcas multinacionais entre os quais se encontrava o Yahoo. A cada aluno era dado um papelzinho onde deveria avaliar anonimamente a qualidade gráfica de cada logotipo, definindo entre qualidade alta, média e baixa.

Naquele momento, o logotipo do Yahoo era praticamente igual ao logotipo anterior, com suas letras pessimamente desenhadas, deformadas e desalinhadas. A √ļnica diferen√ßa residia na cor, que era vermelha no lugar de p√ļrpura, al√©m disso, tinha uma sombra plana que piorava ainda mais a j√° p√©ssima qualidade do signo. Havia escolhido marcas de diferentes qualidades e a do Yahoo era claramente a pior das cinco. Entretanto, quase a totalidade de meus alunos considerou que esse logotipo tinha qualidade m√©dia ou alta. Como n√£o podiam ver uma coisa t√£o √≥bvia? Era s√≥ separar qualquer uma das letras e observar seu jeito desengon√ßadonas fisionomias curvas e a desprolixidade de todos os tra√ßos e v√©rtices; erros reconfirmados por sua duplica√ß√£o na sombra plana.

Antigo cabeçalho do Yahoo onde é possível ver o logotipo anterior, na cor vermelha, com uma sombra plana.

Naqueles anos, Yahoo era, aos olhos do mundo, o que hoje √© o Google: necess√°rio como a √°gua.O v√≠amos como uma empresa moderna, jovem, descontra√≠da, hiper-tecnol√≥gica. Era o rei dos buscadores e dos ¬ęponto com¬Ľ, mas que pouco tempo mais tarde protagonizaria, junto com tantas outras, trepidante queda do √≠ndice Nasdaq. Nesse contexto, era compreens√≠vel que meus alunos n√£o tivessem condi√ß√Ķes de ver a baixa qualidade nos signos gr√°ficos. O posicionamento da marca camuflava todas as grosseiras imperfei√ß√Ķes de seu logotipo.

Hoje, que o posicionamento do Yahoo está bastante comprometido, fica muito mais fácil ver aqueles erros e aprovar a decisão de Mayer pela decisão em produzir uma mudança.

Quando li a explica√ß√£o do Yahoo para seu novo logotipo senti certa esperan√ßa: n√£o haviam ca√≠do nas argumenta√ß√Ķes delirantes, est√©reis e incomprov√°veis em que geralmente caem muitas multinacionais quando decidem mudar sua marca gr√°fica. Cheguei a pensar que poderia ser uma nova tend√™ncia rumo ao senso comum. Mas Mayer me clicou no globo em sua p√°gina Tumblr:

¬ĽN√£o quer√≠amos linhas retas no logo. As linhas retas n√£o existem na forma humana e s√£o extremamente raras na natureza. O toque humano no logotipo √© que todas as linhas e formas t√™m ao menos uma ligeira curva¬Ľ.

Que bobagem! Essa simp√°tica senhora n√£o se deu conta de que nenhuma empresa est√° orientada para as m√°quinas, que todas se orientam aos seres humanos e nem por isso seus logotipos ir√£o prescindir de linhas retas?

¬ęPreferimos letras com tra√ßos finos e grossos, para transmitir o car√°ter subjetivo e pessoal de algumas das coisas que fazemos¬Ľ.

...?

¬ęNosso logotipo era percebido como o ic√īnico canto tirol√™s Yahoo! Quer√≠amos preservar isso e fazer algo l√ļdico com as letras ¬ęO¬Ľ¬Ľ.

Uma brincadeirinha que n√£o contribui em nada para a nova marca.

¬ęNossa √ļltima jogada foi inclinar o ponto de exclama√ß√£o em 9 graus, s√≥ para agregar um toque de extravag√Ęncia¬Ľ.

Os argumentos rid√≠culos continuam, mas com tudo isso √© poss√≠vel dar-se conta de que ¬ęfa√ßa voc√™ mesmo¬Ľ foi a filosofia que conduziu esta mudan√ßa. N√£o obstante, podemos sugerir para Marissa Mayer que, se n√£o conseguir sucesso em sua gest√£o de ressuscita√ß√£o do Yahoo, poderia montar sua pr√≥pria consultoria de branding. Depois de tudo, em apenas dois dias, demonstrou que pode produzir os mesmos argumentos est√©reis e chegar aos mesmos resultados de baixa qualidade, curto prazo e baixo rendimento, que algumas das principais consultoras de branding do mundo.

Logotipo anterior √† esquerda, sem sombra e na cor p√ļrpura. Ao seu lado, um pouco mais azulado, o novo logotipo.

Apesar dos argumentos ing√™nuos e de ser o resultado de um ¬ędesign express¬Ľ, devemos admitir que o novo logotipo √© muito menos desastroso que o anterior. Ainda que possua vis√≠veis problemas no entreletras e o desenho destas seja bastante vulgar; em compara√ß√£o com o logotipo anterior, o trabalho √© mais que aceit√°vel. Ainda mais se consideramos que, como diz Mayer, foi resolvido por uma equipe em apenas dois dias.

Vers√Ķes em ap√≥cope do logotipo anterior, uma oferta que n√£o apresenta nada de novo.

Do ponto de vista t√©cnico, o logotipo anterior tinha uma vantagem sobre o atual. O ¬ęY¬Ľ, apesar de seu terr√≠vel desenho, tinha suficiente personalidade para poder funcionar como s√≠mbolo. De fato, Yahoo tinha uma vers√£o apocopada de sua marca gr√°fica: o ¬ęY¬Ľ inscrito dentro de uma elipse horizontalizada, acompanhada do signo de exclama√ß√£o. Esse, que poderia ser um passo necess√°rio para identificar produtos da marca ou aplica√ß√Ķes muito pequenas como o favicon ou o avatar, se perdeu. Evidentemente o novo ¬ęY¬Ľ n√£o servir√° para isso. Talvez como mais um ou dois fins de semana de ¬ęfa√ßa voc√™ mesmo¬Ľ, Mayer e sua equipe de design express se dariam conta disso.

Traduzido por Luiz Claudio Gonçalves Gomes Campos Dos Goytacazes

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Este artigo foi publicado previamente com o t√≠tulo Branding. Atendido por sus due√Īos,¬†na se√ß√£o ¬ęLa Cr√≠tica¬Ľ da revista DNI, que¬†√© publicada junto com ARQ/Diario de Arquitectura de Clar√≠n (Buenos Aires, Argentina).

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Luciano Cassisi

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Retrato de Marcell Marra
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Marcell Marra
Nov 2013

Achei a marca nova um tanto quanto sem vida. Com muitos espaços negativos e pouca singularidade. Prefiro a excentricidade da primeira, que apesar de não estar alinhada aos tredings em relação à suas características, sempre se resolveu bem.

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