O sistema

Sobre os modelos racionais e industriais na educa√ß√£o contempor√Ęnea e o quase fim dos caminhos emocionais.

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¬ęWe don‚Äôt need no education,
We don’t need no thought control,
No dark sarcasm in the classroom,
Teachers leave them kids alone¬Ľ.

Another Brick In The Wall, Pink Floyd‚Äč‚Äč

N√£o por coincid√™ncia a influ√™ncia dos fundamentos baseados na raz√£o alcan√ßaram os modelos educacionais que perduram at√© hoje. Na era medieval a educa√ß√£o formal era restrita √† igreja e portanto ao catolicismo. Apesar de toda a press√£o renascentista propondo uma escola distante das quest√Ķes religiosas, o poder do conhecimento, j√° √†quela √©poca, come√ßava a ficar evidente. As massas eram manobradas segundo interesses pol√≠ticos da classe dominante. A educa√ß√£o e conhecimento eram privil√©gio de poucos e mesmo assim seguia premissas religiosas, talvez at√© tendenciosas.

A Revolu√ß√£o Francesa foi um grande passo para a educa√ß√£o livre. Em 1816 foi inaugurado o que seria a primeira escola nos moldes do que conhecemos hoje. Era um instituto de forma√ß√£o do car√°ter para jovens, que cuidava dos filhos dos oper√°rios de uma f√°brica na Esc√≥cia. Dentro de um contexto totalmente impregnado pela ind√ļstria que se desenvolvia ao ritmo de uma revolu√ß√£o, por sorte ou azar, as escolas passaram a ser vistas como ambiente de treinamento dos jovens para engrossar as frentes de trabalho das f√°bricas, que por sua vez eram baseadas em‚Ķ linhas de produ√ß√£o.

A consequ√™ncia √© f√°cil deduzir: um modelo de educa√ß√£o no qual o input era o cidad√£o miser√°vel e explor√°vel e o output eram mais pe√ßas para o grande arsenal industrial. Havia um expl√≠cito movimento de uniformiza√ß√£o das pessoas. Os padr√Ķes eram r√≠gidos, a cultura intransigente. Nessa √©poca era pensada a quantidade e n√£o a qualidade. E esta maneira de pensar influenciou diretamente o processo educacional. Observando uma antiga reprodu√ß√£o de uma sala de aula do s√©culo XIX nota-se alguns aspectos interessantes como a disposi√ß√£o em fila das carteiras dos estudantes, a postura cl√°ssica do professor autorit√°rio. Um detentor do saber transmitindo, unidirecionalmente, o conhecimento para muitos.

Avancemos 150 anos no tempo. Haveria de se esperar que o processo educacional e o processo industrial avan√ßassem no mesmo ritmo, na mesma dire√ß√£o. Ao que parece isso n√£o ocorreu. Observando uma fotografia dos anos 50, nota-se exatamente as mesmas caracter√≠sticas: mesma forma de acomodar os alunos em sala de aula, mesma postura autorit√°ria do professor. Como diferen√ßa sutil, no entanto, podemos observar que nas escolas do in√≠cio e meados do s√©culo XX os alunos eram separados entre meninos e meninas, por idade, exigindo-se deles conhecimentos ¬ęformatizados¬Ľ. Usavam todos os mesmos uniformes, o mesmo corte de cabelo e obedeciam todos aos mesmos crit√©rios para medir seus resultados. N√£o era sequer permitido escrever com a m√£o esquerda: todas as crian√ßas deveriam ser destras!

Típica turma de estudantes. Somente mulheres. Mesmas roupas, mesmos cortes de cabelo. Foto de 1958.

Est√°vamos na mesma linha de montagem que se mantinha intocada por muitos e muitos anos. Fazendo uma analogia a celebre frase de Henry Ford ‚ÄĒ ¬ęO cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto¬Ľ ‚ÄĒ, os alunos provavelmente poderiam se interessar e aprender o que quisessem, desde que estivesse na grade curricular.

Emo√ß√Ķes postas de lado. Criatividade censurada. Individualidades ignoradas. Um ex√©rcito marchando seus intelectos, todos, para a mesma dire√ß√£o. Um mecanismo denso e eficiente que n√£o aceitava quem n√£o andasse na linha.

O que diria um certo Professor Keating, interpretado por Robbin Willians no filme ¬ęA Sociedade dos Poetas Mortos¬Ľ ‚Äď ao constatar a morte de um aluno de um tradicional√≠ssimo internato, em 1959, que enveredou pelo campo das artes e cometeu suic√≠dio devido √†s press√Ķes sociais e familiares? Talvez tenha percebido que mais uma grande etapa da humanidade foi percorrida sem pisar naquele ¬ęprimeiro grande caminho¬Ľ, primitivo, que era trilhado atrav√©s do instinto e da intui√ß√£o, da emo√ß√£o e da criatividade. Esse caminho h√° muito fora esquecido‚Ķ

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Andre Bello

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