Nelson Graubart

Identidade Visual é mais do que um logotipo

Facilidades no acesso às identidades visuais das empresas e seu uso indiscriminado podem destruir a sinergia entre suas aplicações.

Tão ou mais importante que um belo símbolo ou logotipo para sua empresa é a sinergia criada pelo conjunto de suas aplicações institucionais, promocionais, administrativas, ambientais e até operacionais. Todos os públicos impactados (inclusive e principalmente o público interno) devem perceber a harmonia desse conjunto para formar a imagem positiva e organizada de uma empresa, instituição ou entidade.

O excesso de informações visuais e os diversos veículos de difusão, impressos ou digitais, fazem com que nossa atenção seja pulverizada e todas as possíveis informações não passem de ruídos. O uso com coerência e unidade na construção das marcas torna-se um dos poucos recursos para reter a atenção e facilitar a memorização por parte do nosso público alvo, tornando nossa marca reconhecida, bem representada e respeitada.

Independente do porte das organizações, manter sua identidade dentro de uma linguagem visual uniforme e coerente em todas as aplicações de seu símbolo (logotipo, cores, tipografia e outros recursos visuais agregados) é procedimento que deve ser observado por todos nos momentos da criação e da produção de seus pontos de contato visual.

Há alguns anos os Manuais de Identidade Visual tinham a função de orientar apenas os profissionais quanto ao uso apenas de seu logotipo, cor e sobre como aplicá-lo no papel carta, no cartão de visitas e algumas outras aplicações básicas.

Hoje, sabemos que a Identidade Visual1 é formada por um conjunto de elementos tais como: cores, tipografia, grafismos, design dos produtos, folhetos, embalagens, sites, PDV e outros pontos de contato. É esse conjunto que constrói uma linguagem gráfico-visual única, una, exclusiva e reconhecível que pode até chegar a dispensar o próprio logotipo.

Com a disponibilização destes elementos nos computadores, nas redes sociais e até em sites de buscas, além de orientar, um Manual de Identidade deve restringir o uso indiscriminado e sem critério desses elementos formadores da identidade visual da empresa por seus colaboradores e fornecedores e, ao mesmo tempo, disponibilizar material, exemplos e referências para não «engessar» o uso do símbolo ou do logotipo, transformando-os em «carimbo» usado sem critérios.

O acesso a esses elementos tornou muito fáceis as «criações de soluções gráficas» por parte de colaboradores que, sem formação específica, desconhecem o processo da construção de uma identidade visual. Assim, embora bem intencionados, distorcem, deformam, mudam proporções, cores, tipografias e incorporam elementos estranhos à a esta linguagem.

Devemos lembrar também que, hoje, o maior volume de comunicações empresariais é digital e não gráfica, ou impressas em máquinas digitais, uma nova mídia que também não oferece qualidade constante e uniforme, varia do computador de quem envia para o computador de quem recebe e de impressora para impressora. Não existe um padrão cromático entre as diferentes marcas de monitores, impressoras e fabricantes de cartuchos e por isso, aquilo que o emissor vê na sua tela não seja o mesmo que vê quem recebe.

Só a observância e o respeito aos modelos estabelecidos em um Guia ou Manual de Identidade por todos os envolvidos (colaboradores internos e externos, designers, agências e fornecedores) pode garantir o pronto reconhecimento de uma empresa ao longo do tempo através de sua identidade visual.

A criação de uma simples peça de comunicação e o controle de qualidade na compra de um item que carrega a identidade visual da empresa deve ser tão rigoroso e preciso quanto a compra de um parafuso para montar uma determinada peça ou da escolha de uma simples palavra na redação de um contrato quando elaborado por um advogado.

Author
Nelson Graubart São Paulo
Edition
Thales Aquino Rio de Janeiro
  1. (IFD, 2008), O manual de identidade visual é um guia para correta aplicação do logotipo nele estão expostos os conceitos para a criar uma normatização de escala cromática, fontes gráficas, dimensões. Este guia procura delimitar os limites em que o logo pode ser inserida.

Published on 04/03/2015

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