O Sétimo Mandamento

A homenagem, o roubo e o furto de autoria, tornam nebulosos os limites em práticas de design.

Retrato de Erik Spiekermann Erik Spiekermann Berlin

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Recentemente tivemos dois arrombamentos em nosso escritório. Surpreendentemente, nada foi roubado, pelo menos nada que pudéssemos notar. Não temos idéia se levaram algum dado secretamente do servidor ou se copiaram ideias de registros e rascunhos fixados nas paredes. Mas se fosse o caso, como medir esse tipo de dano para informar a empresa de seguro?

Pode ser lisonjeiro encontrar projetos de design que tenham sido influenciados por nosso próprio trabalho​. O problema é que, em nossas atividades, existe uma linha tênue entre copiar, adaptar, imitar, ou simplesmente inspirar-se. E, vamos reconhecer, são raros os os projetos que requerem inovação, porque a maioria dos clientes se sentem mais confortáveis ​​com algo já testado.

Por vezes, os ladrões se entregam sem se darem conta. Tenho visto muitos portfólios, onde a pessoa atribui-se da autoria sem qualquer justificativa. Grandes projetos sempre precisam de mais do que um designer, além disso, muitas vezes outros colaboradores são também envolvidos no processo, sejam eles programadores, tipógrafos, gestores de projeto ou colaboradores em geral. Todos eles podem se atribuírem de uma parte do projeto. Mas isso não significa que cada um deles foi «o designer».

Sempre que eu mostro um projeto utilizo o pronome «nós». E sinto-me orgulhoso de ouvir as pessoas falarem do trabalho que fizemos juntos, quando o que eles dizem é verdade. Deveria ser simples: mostrar o projeto, explicar qual foi o seu papel e atribuir créditos aos demais que trabalharam em determinado projeto. Não esqueça: os clientes ou potenciais empregadores sabem o quão fácil é copiar e colar um portfólio completo.​

O que mais me surpreende é a estupidez: As pessoas me mostram projetos que eu trabalhei e elas não. Utilizam versões de fontes que nunca estiveram disponíveis publicamente. E quando não enviam seus portfólios diretamente para mim, eu acabo vendo esse tipo de coisa quando avalio concursos ou ao visitar estúdios de amigos. Isso é um negócio pequeno. E nós falamos sobre candidatos à empregos​.

Atribuir-se do trabalho de outro não é apenas má pratica, é roubo. Não ser claro a respeito da exata autoria não é moderado, e sim, desonesto. O que fazemos é propriedade intelectual, e retirar isso do designer não é lisonja pela imitação, é na verdade um crime.

Traduzido por Julio Teixeira Florianópolis

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Retrato de José Da Cruz Lopes
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José Da Cruz Lopes
Jul 2013

Sem criatividade não há design(er) funcional e essa criatividade, tem uma génese, tem autor(es). E a isto chama-se propriedade autoral porque esta suporta-se nos princípios latinos do jus utendi, do jus fruendi e do jus abutendi.

Há uma ética natural, uma moral positiva associada ao design e ao seu autor.

O autor da obra/projecto de design será defendido se cada pessoa se guiar pela moral daquilo que é seu e daquilo que não lhe pertence.

Mas também se aplicar com deontologia profissional a sequência da cultura projectual contida no processo de past up e nos seus trabalhos práticos.

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