O design como fator inovador na educação

Quando se decide ser professor, a inquietação pela transformação começa!

Retrato de Tiago Rossi Tiago Rossi Caxias Do Sul

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Quando eu decidi ser professor, comecei a estudar o atual cenário acadêmico do nosso país. Bom senso vem do berço. Tenho amigos que são professores universitários, muitos deles já foram meus professores e outros atuam no ensino fundamental e médio das redes municipal e particular. Independente de classe social ou nível de formação, o problema parece ser semelhante em todas as áreas. Observo que existe uma falta de vontade em ambas as partes, o aluno e o professor.

Você nunca se deparou com aquele aluno ou professor que, mesmo com todas as dificuldades da instituição, sempre se destaca, quer seja por notas ou bom comportamento. Este é exatamente o ponto onde quero chegar. O bom senso vem do berço. Se uma família educa seu filho adequadamente, é muito difícil ele se transformar no bagunceiro da turma ou no aluno problema. Neste século, onde pais e mães trabalham arduamente, filhos são deixados muitas vezes em escolas maternais, ou se já forem maiores, em casa. O problema não é de quem está cuidando do filho, mas sim do pouco tempo que alguns pais dedicam a seus filhos. Os pais oferecem todos os apetrechos tecnológicos da época, mas os filhos passam muito tempo sozinhos ou com os amigos. Com a finalidade de «educar», matriculam o filho em aulas de línguas estrangeiras, esportes e muito mais, ocupando todo seu tempo livre. Com isto, eles acabam vivendo a maior parte do tempo com amigos.

Observamos que este comportamento na educação dos filhos não é saudável, já que um filho vai preferir viver longe dos pais e expor suas dores e necessidades para desconhecidos. Podemos notar uma diferença neste aspecto em filhos que tem pais que trabalham em casa. A convivência é muito mais saudável, e o respeito em sala de aula é maior.

Existe um fator grave em alunos que já estão em graduação. Possuem uma dificuldade imensa de leitura e oratória. Muito provavelmente, estes alunos não desenvolveram o hábito da leitura, cursaram o ensino médio com descaso ou ainda tiveram professores que não inspiraram nele a vontade de aprender. Relato de professores do ensino fundamental diz ser necessário ensinar os alunos a segurarem o lápis para escrever. Não podemos deixar isto acontecer sem uma atitude onde o pai deve instigar a vontade de seu filho em aprender. Porque conhecimento é liberdade.

Muitas vezes nos deparamos com pessoas que não conseguem imaginar como uma pessoa atinge um cargo de liderança. A resposta é simples, estudo e determinação. Não estou apenas dizendo para parecer fácil, o problema é que não conseguimos realizar atividades complexas sem conhecimento. O conhecimento é o nosso principal método de evolução. E ele deve ser uma evolução com humildade. Mas isto é assunto para outro post.

Criatividade

Citei acima professores e alunos que se destacam, vamos entender o professor primeiro. Você nunca teve aquele professor que lhe deu aquela aula que mudou sua percepção das coisas? Aquele professor que mesmo sendo divertido, é respeitado na hora da aula e das explicações? Muitos podem responder que sim e é bem provável que esses professores ficaram na memória dos alunos. E o que eles fazem de diferente dos outros? Eles sentem prazer em serem professores e assim criam maneiras diferenciadas para apresentar um conteúdo. É provável que, quando alunos, já tenham passado por dificuldades e  decidiram repassar o conhecimento de uma forma dinâmica. Professores que inovam na forma de ensinar geralmente são os mais adorados pelos alunos, porque deixam a aula mais agradável. No entanto, muitos alunos vão estudar sem vontade e a forma de ensinar de alguns professores não está ajudando.

Ambientes criativos geram pessoas criativas

Foi-se o tempo em que todos trabalhavam em ambientes com divisórias, cores frias e relacionamento impessoal. No mundo atual a chave para as respostas está no design.

O design é um fator diferencial para as empresas.  Muitos CEOS introduziram conceitos e práticas de design em suas gestões e o resultado são empresas boas para trabalhar e que conseguem alcançar suas metas de lucratividade. O design começou a ser introduzido em empresas que necessitavam de criatividade constante. Aos poucos, ele veio sendo introduzido em empresas de outros segmentos, e hoje está mudando a produtividade das empresas. Isto deveria acontecer com as escolas.

As pessoas passam a maior parte dos seus dias nas empresas que devem ser um lugar bom para viver. É comum dizerem «lá é minha segunda casa!». Para produzir bem, é importante sentir-se bem. O que devemos transmitir no espaço do trabalho? Esta é uma pergunta chave a ser respondida pelos designers quando criam. Saber entender seu público é essencial para o êxito do processo de design.

As instituições de ensino precisam urgentemente mudar os seus conceitos. Não precisamos de pequenos espaços criativos, mas sim de um lugar estimulante como um todo. Podemos ver isto nas escolas de design do passado como Bauhaus, Ulm, onde o ambiente era um estímulo a criatividade dos alunos.

Vamos pensar:

  • Se em uma sala de aula fossem retiradas as carteiras e as substituíssem por enormes pufes aconchegantes? 
  • Se trocassem o quadro negro por um cavalete de pintura ou onde as matérias fossem projetadas na parede, que o professor escolheria para projetar?
  • Se substituissem as cores tradicionais das paredes por cores vivas, alegres, ou salas ambientadas como, a sala branca, a sala das cores, a sala high-tech?
  • Se em algumas partes dos corredores fossem pintadas no chão faixas de trânsito, onde nas esquinas tivessem placas semelhantes as de trânsito?

De fato, seria muito mais estimulante lecionar e estudar em algum lugar assim. Nossa vida é 90% emoção e 10% razão. Existe tanta competição e informação que o stress e a ansiedade estão batendo na porta dos descuidados. Precisamos ter experiências que relaxem e estimulem nosso cérebro. Não passarmos o dia todo em um ambiente causador de stress como a maioria das empresas e passar o resto do dia em salas de aulas que mais parecem celas de prisão.

Recentemente compareci ao TED X sobre inovação na educação. O discurso abordado é bem semelhante às minhas conclusões. Mas e a ação? Pensar e não agir não adianta nada. Todos nós sabemos que alguns fazem a diferença, mas chegou o momento que todos devem ter voz e fazer as mudanças. O tempo da inquietação começou!

Editor: Ana Leticia Perosa Ravagnani Urupês

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