Escolher e combinar tipos

Os v√°rios designers deparam-se diariamente com uma dificuldade, esta √© escolher a tipografia que seja a ¬ęperfeita¬Ľ para os seus projectos.

Retrato de Pedro Aguas Pedro Aguas Portim√£o

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Muitos teóricos e puristas tipográficos gostam de ver cada família tipográfica utilizada na tecnologia para qual foi desenhada. Segundo esse princípio, significa que todos os tipos desenhados antes dos anos 50 devem ser feitos em metal e impressos com prensa e compostos à mão. Mas a maioria dos tipógrafos preservam não todas, mas algumas características que definem o caráter original de um tipo.

De um ponto de vista técnico, existem várias maneiras para aumentar as oportunidades de sobrevivência de um determinado tipo à sua transição para uma composição digital ou para uma impressão offset. Assim, os tipos ao passarem para um formato digital não ficam esquecidos e podem ser sempre utilizados de uma forma muito mais universal e acessível a todos sem que o trabalho do tipógrafo que desenhou o tipo seja esquecido.

Um designer ao utilizar essas adapta√ß√Ķes digitais de tipos desenvolvidos para a prensa tipogr√°fica, tem de ter em conta v√°rios aspectos, visto que uma impress√£o tipogr√°fica acomoda as letras dentro do papel, mas se f√īr uma impress√£o offset disp√Ķe-nas √† superf√≠cie do mesmo. Ou seja v√°rias diferen√ßas v√£o surgir nesses dois modos de impress√£o. A prensa tipogr√°fica d√° mais volume e defini√ß√£o √†s letras, e aumenta a sali√™ncia das pontas das serifas mais finas. Numa impress√£o offset os tra√ßos finos ficam ainda mais finos e as serifas mais delicadas acabam por ser ‚Äúengolidas‚ÄĚ na impress√£o. Assim sendo chego √† conclus√£o que os tipo de metal foram projectados para a impress√£o tipogr√°fica em prensa, e os tipos desenhados para a manipula√ß√£o digital e a impress√£o offset t√™m o seu pr√≥prio peso e acabamento que s√£o totalmente diferentes dos tipos de metal. Ser√° que √© importante escolher as fontes adequadas ao papel no qual ser√£o impressas?

Segundo Robert Bringhurst, esta √© uma quest√£o muito importante, visto que a maior parte dos tipos renascentistas e barrocos foi feita para ser impressa em pap√©is fortes e v√≠vidos e a maioria dos tipos neocl√°ssicos e rom√Ęnticos, por outro lado, foram projectados para pap√©is lisos. J√° as fontes geom√©tricas modernistas (Futura) ou eminentemente realistas (Helv√©tica), tanto podem ser impressas em pap√©is √°speros ou lisos pois s√£o monocrom√°ticas, o que significa que o peso dos tra√ßos destas tipografias s√£o praticamente uniformes. Seguindo este pensamento um designer tem de ter em considera√ß√£o v√°rios aspectos quando est√° a criar o seu projecto.

Necessitando de pensar logo inicialmente qual será o papel que irá utilizar para a impressão do seu trabalho e assim escolher a tipografia indicada. Não deve dar atenção somente ao papel mas também ao tema do seu trabalho, isto porque este é um aspecto muito importante para que um designer consiga obter um bom trabalho. A escolha das fontes tipográficas tem de ser apropriada ao assunto e à tarefa que o designer está a trabalhar no seu projecto. Isto é, se um designer está a fazer um livro ou uma revista sobre bolos, não é pelo facto de na lista tipográfica do seu computador estar lá uma tipografia chamada Bolos e nos seus tipos estarem presentes elementos alusivos ao tema, como por exemplo o O ser em forma de bolo e as serifas dos tipos serem de creme pasteleiro, não significa que essa é a tipografia ideal para o seu projecto.

A melhor tipografia usada para um livro sobre bolos ser√° antes de mais nada uma tipografia boa com um bom desenho. Em segundo lugar a tipografia tem de ter uma leitura confort√°vel e em terceiro lugar ser adequada ao tema. Neste caso dos bolos, na minha opini√£o, uma tipografia provalvelmente serifada e din√Ęmica, mas que n√£o teria elementos alusivos aos bolos, seria talvez a mais adequada. Dentro deste tema da escolha tipogr√°fica e a sua combina√ß√£o √© de igual modo importante salientar alguns exemplos de tipografias indicadas para determinadas situa√ß√Ķes projectuais. Por exemplo, se o texto que o designer utilizar incluir muitos algarismos conv√™m que a fonte tenha os seus n√ļmeros partcularmente bem desenhados. As fontes indicadas para esse fim s√£o por exemplo a Palatino, Pontifex, Trump Mediaval e Zapf Internacional. Caso contr√°rio, se o designer quiser usar algarismos alinhados com tr√™s quartos de altura, as op√ß√Ķes tipogr√°ficas alteram-se e podem ser a Bell, a Trajanus e a Weiss.

Se o designer presisar de usar caract√©res fon√©ticos que correspondam aos normais algumas das op√ß√Ķes ser√£o Lucida Sans, Stone Serif, Sans e Times New Roman. Se for necess√°rio utilizar fontes serifadas e n√£o serifadas numa mesma familia as fontes Haarlemmer, Legacy, Lucida, Le Monde, Officina, Quadraat, Scala, Seria e Stone ser√£o op√ß√Ķes acertadas. Nesta batalha de escolhas o designer tem de se decidir pela op√ß√£o que lhe parece mais acertada tendo em conta alguns par√Ęmetros j√° referidos anteriormente.

O designer dever√° tirar o m√°ximo partido daquilo que utilizar para o seu projecto a n√≠vel tipogr√°fico por exemplo se s√≥ tiver uma tipografia para utilizar que lhe tenha sido imposta por alguma exig√™ncia externa, √© preciso que o designer tire partido ao m√°ximo das suas virtudes, n√£o importando as limita√ß√Ķes da mesma. Num modo geral mesmo que utilizemos uma fonte com m√©ritos modestos deve ser tratada com grande discri√ß√£o, formalidade e cuidado. Essa deve ser composta em tamanhos √ļnicos, com as mai√ļsculas bem espa√ßadas, as entrelinhas devem ser generosas e a caixa-baixa bem ajustada com um kerning modesto. Ou seja segundo Bringhurst, a tipografia deve ser rica e soberbamente comum, de modo a que a aten√ß√£o seja direccionada para a qualidade da composi√ß√£o e n√£o para a individualidade das letras.

Tirar o m√°ximo daquilo que existe , √© usar menos do que aquilo de que se disp√Ķe. As quatro fontes mais dispon√≠veis ‚ÄĒBaskerville, Helvetica, Palatino e a Times New Roman‚ÄĒ n√£o t√™m nada para oferecer umas √†s outras a n√£o ser provocar uma controversia p√ļblica. Neste caso nenhuma √© compat√≠vel com outra, pois cada uma delas baseia-se num conceito diferente a respeito daquilo que faz parte da forma da letra. Com isto concluo que se estiver limitado a estas quatro fontes para a realiza√ß√£o de um projecto devo utilizar uma das quatro e ignorar as outras tr√™s restantes.

A escolha das fontes tamb√©m est√° relacionada com as considera√ß√Ķes culturais e pessoais, ou seja um designer deve escolher fontes cujo esp√≠rito e car√°cter individual estejam de acordo com o texto, isto porque as letras t√™m car√°cter e personalidade. Os tipos ao serem vistos e estudados ao promenor, fornecem muitas pistas acerca das vidas e dos temperamentos dos seus designers e at√© mesmo sobre a sua nacionalidade. Fontes escolhidas com base nestes aspectos tendem a gerar projectos muito mais interessantes, do que aquelas escolhidas por mera disponibilidade ou vontade.

A consist√™ncia tipogr√°fica √© uma forma de beleza e o seu contraste outra, sendo que uma boa p√°gina de texto ou at√© mesmo um bom livro podem ser compostos por uma √ļnica tipografia, de um √ļnico tamanho do in√≠cio at√© ao fim, ou tamb√©m por uma variedade tipogr√°fica. Mesmo que utilizemos uma √ļnica fonte deve existir sempre uma hierarquia tipogr√°fica podendo essa ser representada por tamanhos, cores ou diferencia√ß√Ķes tipogr√°ficas (it√°lico, bold, light, condessed, etc).

Quando um texto b√°sico √© composto por uma fonte serifada √© quase sempre √ļtil usar uma sem serifa em outros elementos do texto, como tabelas, legendas entre outros. Se o designer escolher uma fonte tipogr√°fica que inclua ambas, os seus problemas ficam resolvidos, no entanto existem muito boas rela√ß√Ķes entre tipografias serifadas e n√£o serifadas de fam√≠lias diferentes que resultam tamb√©m bastante bem. Por exemplo se formos usar uma M√©ridien (criada por Frutiguer) seria uma boa aposta procurar uma tipografia n√£o serifada, tamb√©m desenhada por Frutiguer, visto que ir√£o existir compatibilidades entre elas. Mas se a escolha f√īr uma fonte sem serifa mais geom√©trica como a Futura, uma romana renascentista, dificilmente se conjugaram.

Uma das grandes d√ļvidas nas escolhas tipogr√°ficas tamb√©m anda √† volta da utiliza√ß√£o do uso de tipografia serifada ou n√£o serifada. Essa escolha implica v√°rios factores que o designer tem de ter em conta, apesar de que se o designer estiver a construir um texto corrido t√™m de estar ciente de que todos os factores que ajudem o olho humano a perceber uma palavra como um bloco √≥ptico, melhoram a legibilidade, logo a utiliza√ß√£o de uma tipografia serifada nesta situa√ß√£o pareceme a mais indicada. Pois as serifas facilitam a leitura fazendo com que as palavras pare√ßam melhor aglutinadas. As serifas ajudam os leitores a agruparem as letras das palavras, criando um efeito de ¬ęcoagula√ß√£o √≥ptica¬Ľ, muitos estudos confirmam que as fontes serifadas l√™m-se melhor, mas existem opini√Ķes contr√°rias.

Uma das contra indica√ß√Ķes das tipografias n√£o serifadas √© o chamado efeito p√©rola. Este efeito √© especialmente manifesto em tipos com formas pronunciadamente redondas, como a Futura ou a Gill Sans.

Outro factor importante para que a tipografia tenha legibilidade √© a altura-x, √© o factor mais importante que afecta a legibilidade dos caracteres, principalmente em tamanhos pequenos. Os tamanhos dos ascendentes e descendentes das letras, s√£o tamb√©m outro factor fundamental relativamente √† legibilidade. Pelo facto de, por exemplo, o leitor conseguir distinguir bem um ¬ęh¬Ľ de um ¬ęn¬Ľ, um ¬ęo¬Ľ de um ¬ęd¬Ľ, etc. V√°rios estudos conclu√≠ram que uma altura -x grande mas moderada, faz com que as letras, num modo geral, sejam mais leg√≠veis em corpos pequenos.

Em √ļltima an√°lise a este tema t√£o controverso, chego √† conclus√£o que a escolha de uma tipografia certa para qualquer projecto de design, deve ser bem pensada e bem estudada, para que seja utilizada correctamente em cada tipo de projecto. Visto que o designer tem de ter em aten√ß√£o v√°rios aspectos bastante relevantes como por exemplo em que tipo de papel ir√° ser impresso o seu trabalho, qual o tema do trabalho e o que pretende comunicar com ao p√ļblico alvo. Tem tamb√©m de ter em aten√ß√£o o facto de cada tipografia ser indicada para cada tipo de texto e situa√ß√£o, a n√≠vel num√©rico, a n√≠vel de uso em texto corrido, conseguindo aproveitar ao m√°ximo a tipografia que usa ou que lhe √© imposta em cada projecto.

O designer tem ainda de ter em consideração o contexto histórico de cada tipografia e as suas origens culturais, visto que com esses conhecimentos ele consegue ter presente outros aspectos que pode inserir nos seus projectos conseguindo que os mesmos atingam um nível mais elevado de qualidade. Durante todo este processo existem ainda outra panoplia de factores como kerning, o relacionamento entre fontes de maneira que se consiga fazer uma conjugação acertada e a ainda a preocupação da utilização de tipografias serifadas e não serifadas, dependendo do contexto em que vão ser inseridas.

Posto isto todo este processo é bastante demorado inicialmente mas com o passar dos anos, a experiência do designer aumenta e todos estes conhecimentos ficam bem recalcados na sua maneira de executar os seus projectos, o que faz com que o designer com o passar dos tempos consiga atingir um nível cada vez mais elevado nos seus trabalhos, ficando assim um bom profissional nesta área tão abrangente que é o design.

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Retrato de Jonathan Nu√Īez
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Jonathan Nu√Īez
Mai 2011

Muy interesante, sin lugar a dudas la tipograf√≠a es determinante a la hora de crear cualquier dise√Īo.

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Retrato de Guselo Pelpe
0
Guselo Pelpe
Abr 2011

Me dirijo a los WEBMASTERS.

Estaria bueno que hagan un link en las notas a espa√Īol para asi poder leerla con ganas.

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Retrato de Ana Carolina Mil
6
Ana Carolina Mil
Abr 2011

Ador√©. Bien simple y con varios tips pr√°cticos pa¬ītener a mano y en cuenta. Porsu.. el papel condiciona..

pd// por puro romántica más me gusta como queda la impresión en prensa, a lo vieja escuela, pero se viene cada vez más costoso y complicado de conseguir donde se haga y bien... pero si, ni hablar, le dá otro toque..

0
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Logotipo de Alejandro
77
Alejandro
Abr 2011

Un art√≠culo muy preciso, claro y acertado. Es muy interesante conocer la historia y las atm√≥sferas en las que se suscriben las tipograf√≠as y sus dise√Īadores al ser creadas. Nos permite valorarlas y respetarlas desde otra dimensi√≥n. Conocer esos conceptos enriquece a√ļn m√°s nuestro trabajo.

0
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Retrato de Alex Duran M
0
Alex Duran M
Abr 2011

Definitivamente no todas las tipografías funcionan para todo. muy optimo el articulo y con muchos ejemplos prácticos. No habia pensado que el tipo de papel influye en el tipo de letra., interesante.

0
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Retrato de Andi Ramirez
2
Andi Ramirez
Abr 2011

Es la base de nuestro trabajo, debemos conocer las fuentes y tipografias para poderle decir al cliente cual es la mejor para su dise√Īo. Buen art√≠culo!!

0
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Retrato de Edgar Lara
4
Edgar Lara
Mar 2011

Magn√¨fico art√¨culo y muy ilustrativo, felicidades...!! muy buena propuesta la de incluir art√¨culos de otros compa√Īeros dise√Īadores.

0
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Retrato de Pablo Rupcic
0
Pablo Rupcic
Mar 2011

¡Por favor si pueden pongan la traducción de este artículo! Pude leer dos párrafos, pero se me hizo difícil.. ¡Gracias, ya que es muy interesante!

0
Responder

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