Do valor da informação ao valor do Design

A aparição do chamado Design Thinking está convertendo o Design em uma fonte de inovação.

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Quando nasci, faz mais de 40 anos, a Cidade do M√©xico ainda estava longe de ser a megal√≥pole que hoje nos absorve. Eu nasci e cresci quase no limite da civiliza√ß√£o, em uns dos grandes conjuntos habitacionais que expressavam com orgulho a modernidade mexicana dos anos 60. √Ä minha volta se inalava a inspira√ß√£o da ordem e do progresso que a Revolu√ß√£o Mexicana parecia ter alcan√ßado, e a promessa cumprida do benef√≠cio e conviv√™ncia social na que coincidiam os governos do mundo civilizado. A aten√ß√£o estava voltada √†s maneiras de construir e desenvolver para ¬ęmodernizar¬Ľ, para ¬ęglobalizar¬Ľ.

Contudo, a chamada modernidade para mim, com sua áurea de viagens espaciais e aventuras tecnológicas, estava muito longe da decepcionante realidade na qual eu vivia.

Nesse contexto, e enquanto pude, decidi me dedicar ao Design porque me dava as ferramentas para mudar aquela realidade, seja ela no papel ou em uma maquete.

Para mim o Design é uma profissão de inconformados, de perfeccionistas, de inventores. Do Design valorizo a visão do laboratório, a mística da oficina e o mérito na reinvenção dos negócios: a capacidade de definir bem um problema e buscar a fórmula adequada para solucioná-lo.

Ao longo dos 30 anos que nos antecedem e apesar da férrea resistência do sistema imperante, as coisas começaram a mudar: passamos de uma tecnologia lenta, burocrática, cara, especializada e controlada, a viver em um mundo hiper comunicado.

Trata-se das mudan√ßas que est√£o modificando substancialmente o mundo no qual vivemos: multid√Ķes inteligentes, prosumers, redes sociais, energias alternativas e desenvolvimento sustent√°vel, s√£o realidades com as quais hoje todos estamos familiarizados.

O futuro n√£o est√° por vir. O futuro √© hoje. Uma realidade completamente diferente, com a que vivemos diariamente e que modela nossa conduta. Na √ļltima d√©cada experimentamos m√°s mudan√ßas que em quase toda a metade do s√©culo anterior.

Mudou o mundo, mas muitos seguem pensando no passado. A nova realidade exige capacidades, ferramentas e enfoques mentais mais rápidos e mais criativos: o pensamento que precisamos para o futuro é o chamado Design Thinking1.

Nossa acelerada realidade exige diminuir os tempos de adapta√ß√£o e renovar o conhecimento e a informa√ß√£o √ļtil na maior velocidade poss√≠vel. J√° n√£o h√° espa√ßo para o conhecimento enciclop√©dico com pretens√Ķes universais e permanentes. As profiss√Ķes da pr√≥xima d√©cada ainda ser√£o inventadas e o estudante que come√ßa hoje a universidade ter√° que reaprender a maior parte dos seus conhecimentos √ļteis antes de terminar sua carreira.

O futuro desafia os negócios

O futuro que vivemos hoje consiste, em boa parte, em um amplo mercado com fronteiras perme√°veis, que cresce e se integra exponencialmente. Hoje √© precisamente a sutileza o que agrega valor. Para conseguir essa diferen√ßa sedutora √© necess√°rio conceber os neg√≥cios ‚ÄĒsejam eles comerciais ou n√£o‚ÄĒ como novas artes, mais sens√≠veis.

A barreira ideol√≥gica acabou. Hoje podemos aceitar que todos somos, antes que cidad√£os, consumidores. Descobrimos o enorme valor das nossas decis√Ķes, que podem fazer florescer grandes iniciativas o afundar na ignominia as melhores inten√ß√Ķes.

Temos uma grande capacidade de eleição nas nossas mãos, mas ainda não somos todos designers.

No meu ponto de vista, a solu√ß√£o pede mais criatividade e mais imagina√ß√£o. √Č a mistura de tr√™s ou quatro ingredientes-chaves, que liberam for√ßas impar√°veis: reinven√ß√£o.

A reinven√ß√£o surge quando v√°rias pessoas, com a estranha capacidade de cal√ßar os sapatos do outro, se re√ļnem em frente a uma situa√ß√£o ou um problema, com o cora√ß√£o suficientemente aberto para olhar a realidade em toda sua complexidade e gerar, a partir de pontos de vista m√ļltiplos, solu√ß√Ķes originais, arriscados e eficientes.

O Design, quando é bom design, se identifica precisamente como o anterior: observação inteligente.

Trata-se de gerar solu√ß√Ķes √≥timas em um mundo cada vez mais complexo. Por ser uma profiss√£o, o Design se converteu em uma compet√™ncia ou habilidade empresarial.

N√£o √© exagerado dizer que surgiu a economia do Design, como sucessora da economia da informa√ß√£o, antes precedida pela economia dos servi√ßos e a economia da manufatura. Estamos presenciando uma invas√£o do Design no mundo da administra√ß√£o de organiza√ß√Ķes humanas.

Bussiness by Design

O Design √© uma forma de pensar que permite encontrar solu√ß√Ķes, que outros n√£o visualizaram, em produtor, servi√ßos e procedimentos.

Pode-se aplicar a qualquer campo, tanto para solucionar problemas sociais, quanto para modificar h√°bitos culturais, desenvolver a√ß√Ķes ambientalmente sustent√°veis ou aumentar a produ√ß√£o de uma empresa. Utiliza-se para enfrentar problemas que o pensamento convencional n√£o √© capaz de resolver: problemas que exigem solu√ß√Ķes interdisciplinares, flex√≠veis e inusitadas.

Porque o bom design √© integrativo; determina, categoriza e define um problema interessante; analisa os modelos convencionais, ocupa a melhor das solu√ß√Ķes parciais e configura uma terceira op√ß√£o que, sendo congruente com o problema, oferece as vantagens perseguidas sem restri√ß√Ķes pr√©vias.

O Design Thinking está se convertendo em um motor importante de rendimento corporativo em todo o mundo; é uma revolução mental a qual seria muito pouco inteligente se atrasar.

No M√©xico chamamos esta tend√™ncia global ¬ęBusiness by Design¬Ľ, por√©m poderia ser chamada de qualquer outra forma. O que importa √© o conceito que a sustenta: a aplica√ß√£o da mente criativa dos designers √† servi√ßo de projetos de neg√≥cio e organiza√ß√Ķes.

O valor do ¬ęBusiness by Design¬Ľ se alimenta do encontro de dois mundos antes separados e diferentes, quando n√£o excludentes: o mundo do Design, por um lado, e o mundo dos administradores de empresas, pelo outro. Agora, ambos se encontram para uma gest√£o de inova√ß√£o, mais bem sucedida, frente a uma realidade nova.

Os componentes do Design Thinking

Na minha experiência detectei que pensar (e resolver) como designer compete:

Observar

O primeiro a fazer para elaborar uma solução de Design é algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo como observar. Contemplar quase do mesmo modo Zen: prestar atenção aberta e concentrada, analítica e inteligentemente, ao assunto ou problema, para detectar seus elementos essenciais.

Nessa observação é fundamental categorizar e definir o problema, se perguntar a fundo qual é o desafio, já que a construção e formulação do enunciado abre ou limita a compreensão.

Observar é fascinante, porque tudo que importa já está, já existe na realidade; só que se encontra fora do lugar ou escondido à vista dos demais.

Imaginar

Outra constante no Design Thinking implica descartar as solu√ß√Ķes √≥bvias e propor uma diversidade de novas rotas que geram cen√°rios diferentes, emp√°ticas com o usu√°rio e com o contexto. Uma mesma realidade aparente √© o detonante das solu√ß√Ķes infinitas.

N√£o se trata s√≥ de criar coisas novas, sen√£o de as reinventar. De certa forma todas as solu√ß√Ķes preexistem no problema, mas necessitam de um ponto de vista muito particular para poder v√™-las e as acomodar de maneira que as melhorem. O exerc√≠cio da imagina√ß√£o √© o de intuir, ver e perceber a possibilidade que as coisas tem. √Č melhor saber abra√ßar as solu√ß√Ķes adequadas do que for√ßar os resultados.

Prototipar

Uma caracter√≠stica do trabalho de Design √© provar as solu√ß√Ķes em distintas etapas de conceptualiza√ß√£o. N√≥s designers amamos os prot√≥tipos: existe uma rela√ß√£o de escala que faz que o jogo da mente atue na realidade.

Selecionar

As vezes um problema complexo oferece tantas op√ß√Ķes de resposta que tende a paralisar as decis√Ķes. Uma mente de Design pode distinguir o essencial do sup√©rfluo e encontrar uma mistura potente.

Articular

Pensar a partir do Design implica na habilidade de sintetizar e apresentar eloquentemente uma revela√ß√£o, inovar na experi√™ncia e na realidade; introduzir na mente e na vida dos outros, solu√ß√Ķes que se adaptem natural e intuitivamente √† sua vida. Em uma palavra, articular.

Executar

O que diferencia ao Design Thinking do pensamento especulativo √© que o designer atua diretamente na a√ß√£o. N√£o somos grandes te√≥ricos; n√≥s designers valorizamos as a√ß√Ķes pr√°ticas e a fun√ß√£o real das nossas atividades.

O Design Thinking é estratégico porque tem presente que só o que existe tem valor e que não há maior valor que atuar na realidade, mudando ou adaptando-a de maneira empática.

Nutrir

O bom design √© um processo, n√£o um objeto. N√£o tem a imposi√ß√£o das solu√ß√Ķes mas a adaptabilidade, a muta√ß√£o e o crescimento.

Concluindo

Minha esperan√ßa √© que podemos convocar a que cada dia mais gente se converta em designers: gente que desenvolva neg√≥cios, que dirija organiza√ß√Ķes, agente de e para a mudan√ßa no mundo. Nossa profiss√£o √© hoje, mais que uma especializa√ß√£o, √© uma fonte de inova√ß√£o.

O que eu observo atualmente é um enorme potencial de uma disciplina que será a próxima grande revolução do pensamento. Vivemos um grande momento na história. Temos as ferramentas e o enfoque. Nossa missão como designers agora é a de crescer e nos multiplicar: fazer de toda ação humano uma experiência de Design.

Retrato de Vicente Encarnación Vicente Encarnación Ciudad de México Seguidores: 16

Traducción: Thales Aquino Rio de Janeiro Seguidores: 29

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  1. Nota da reda√ß√£o. A tradu√ß√£o de Design Thinking √© ¬ępensamento design√≠stico¬Ľ, ¬ępensamento de design¬Ľ ou ¬ępensamento projetual¬Ľ.

Este artigo resume a palestra apresentada pelo autor na edição 2009 dos Seminários FOROALFA.

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