Designer independente, muito prazer

A independência como princípio, a autonomia como meta: o caminho mais curto (e seguro) para uma plena realização profissional.

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Esse √© o meu cart√£o de visitas. Eu levei 15 anos para faz√™-lo. Eu sei, eu sei‚Ķ parece uma piada idiota ou um recibo acidentalmente sincero de lentid√£o e incompet√™ncia ‚Äď s√≥ que n√£o. O que ele tem de especial pra mim? Bom, em primeiro lugar eu me diverti um bocado juntando nesse reduzido impresso uma cole√ß√£o curiosa de lembran√ßas de alguns projetos realizados nesse per√≠odo: War in Rio, selos, letterings, marcas, mini Rio‚Ķ

Mas o mais importante mesmo est√° no verso, no que escrevi logo abaixo do meu nome: ¬ędesigner independente¬Ľ.

Quando eu era um estudante, meu ideal de realização profissional era ser um designer bem sucedido, naturalmente, e isso se materializava pra mim na imagem de um escritório grande, com várias cadeiras caras e computadores brancos, funcionários, clientes importantes e uma boa remuneração. Que jovem designer do começo dos anos 2000 não tinha esse ideal graphic designer pimp mothafucker como modelo de sucesso na cabeça?

Por isso jamais imaginei que, 15 anos depois, eu fosse me sentir realizado ao escrever ¬ęindependente¬Ľ no cart√£o de visita. O que aconteceu com o ¬ęCEO da ag√™ncia¬Ľ, ¬ęgerente de qualquer parada¬Ľ ou o ¬ęcreative director of this whole shit¬Ľ?

A verdade √© que, ao longo da minha trajet√≥ria, fui percebendo que o mais importante n√£o √© a apar√™ncia do sucesso, mas a ess√™ncia do que eu considerava ser uma plena realiza√ß√£o profissional. E acabei entendendo que isso estava, necessariamente, relacionado √† minha independ√™ncia como designer ‚Äď e n√£o a qualquer outra manifesta√ß√£o material de minhas ambi√ß√Ķes profissionais.

Independ√™ncia n√£o quer dizer isolamento (a gente sempre depende de parceiros, apoiadores e amigos), mas quer dizer uma liberdade consider√°vel de propor os pr√≥prios projetos, determinar sua atua√ß√£o como designer e, principalmente, poder dizer N√ÉO quando isso merece ser dito, um dos maiores luxos que um profissional de qualquer √°rea pode almejar na carreira. Independ√™ncia quer dizer controle, liberdade e autonomia ‚Äď e n√£o cadeiras, clientes e computadores.

Honestamente, n√£o estou escrevendo isso para receber um tapinha nas costas pelo que sou ou conquistei, ou pelo cart√£o pessoal bonitinho que criei: isso s√≥ deveria ser importante pra mim. Mas me sinto muito honrado de ter recebido alguns minutos de sua aten√ß√£o para compartilhar, √† minha maneira, que existem op√ß√Ķes, caso voc√™ n√£o queira passar o resto da vida lembrando e sendo lembrado apenas pelas cadeiras, clientes e computadores que pilotou nessa jornada.

Talvez voc√™ j√° soubesse disso, talvez n√£o. Eu, particularmente, fui percebendo isso com o tempo, at√© que minha independ√™ncia profissional tornou-se um objetivo claro e urgente. Hoje √© meu maior patrim√īnio, meu maior feito profissional, algo √† que atribuo uma parte muito importante de todo o tes√£o que tenho pela minha profiss√£o. E dedico todos os meus esfor√ßos cotidianos para manter isso no lugar.

¬ęDesigner independente, muito prazer¬Ľ

N√£o existe uma decis√£o a ser tomada, tampouco recomendo qualquer freada brusca ou guinada violenta ‚Äď especialmente em um momento pouco favor√°vel da economia.¬†Cada um tem seu tempo, por isso n√£o use uma r√©gua que n√£o te pertence na hora de tirar as medidas do mundo. Desenvolva seu pr√≥prio modelo de realiza√ß√£o profissional, de acordo com suas aspira√ß√Ķes humanas e materiais. Evite ter que escolher entre uma coisa ou outra: s√£o aspectos complementares da vida, e n√£o antag√īnicos.

Pode ser que leve 15 anos pra voc√™ tamb√©m, ou que isso j√° seja claro desde os primeiros dias de faculdade. A verdade √© que esse seria o grande conselho que daria a mim mesmo, se pudesse falar com aquele jovem designer cheio de ambi√ß√Ķes. Fico feliz em nos reencontrarmos, filosoficamente, nas linhas deste texto.

Não tenha pressa, mas pense nisso. E se estiver de acordo, batalhe duro e dobrado pela sua independência e liberdade de ação quando estiver no mercado. Essa entidade não é o monstro que parece, se você definir claramente na sua vida (e ao longo de suas escolhas) quem será o condutor e quem será o carona. Molde o mercado, não seja moldado por ele (sim, isso é possível). E no final das contas, lembre-se: não importa a que velocidade você vai caminhando, importante é que esteja indo na direção correta. A direção que você escolheu e não a que o mundo insiste em empurrar você.

E depois você me conta o que escreveu no seu cartão. Boa viagem!

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Fabio Lopez

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Retrato de Rogério Torres
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Rogério Torres
H√° 5 meses

Faço minhas suas palavras, Fábio! Conheci seu trabalho a partir do projeto Mini Rio, que aliás é do baralho! Continuo acompanhando seus textos por aqui também. Abraço.

1
Retrato de Fabio Lopez
58
Fabio Lopez
H√° 5 meses

valeu Rogério! seguimos por aqui. :-)

0
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Retrato de Roberto Magalhaes Silva
0
Roberto Magalhaes Silva
H√° 5 meses

Destacando a frase que mais me impulsionou!

"Molde o mercado, não seja moldado por ele (sim, isso é possível). E no final das contas, lembre-se: não importa a que velocidade você vai caminhando, importante é que esteja indo na direção correta. "

1
Retrato de Fabio Lopez
58
Fabio Lopez
H√° 5 meses

\o/

0
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Retrato de Mario Santiago
6
Mario Santiago
H√° 6 meses

Muito bom o seu texto, Fábio. Acredito em cada uma das suas palavras e compartilho integralmente o seu pensamento. Na editora Atafona (projeto de independência editorial ao qual me lancei depois que deixei a universidade e a vida docente) busco me aproximar de gente que pensa assim e que tem a autonomia como princípio e como estatuto ético. Quem sabe um dia vc. não se aproxima da gente também? Abraço por tudo isso!

P.S.-quando tiver um tempinho, passe por aqui: www.editoraatafona.net

2
Retrato de Fabio Lopez
58
Fabio Lopez
H√° 5 meses

obrigado Mario! sorte na editora.

0
Responder

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