Avis rara: o designer que n√£o projeta suas apresenta√ß√Ķes

As apresenta√ß√Ķes pobremente planejadas s√£o habituais e pouco eficientes. Mas quando s√£o de um designer ou professor de design, √© imperdo√°vel.

Retrato de Daniel Silverman Daniel Silverman Córdoba

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Como designer, gosto de ver o que meus colegas fazem. Em geral tenho visto confer√™ncias profundas (√†s vezes pol√™micas) e muito interessantes. Entretanto, cada vez mais me assusta ver proje√ß√Ķes cheias de texto, sem diagrama√ß√£o nem espa√ßo em branco e com erros grosseiros de ortografia. Este problema ganha propor√ß√£o quando os trabalhos expostos s√£o designs de grande qualidade. Nesses casos n√£o posso deixar de pensar na evidente contradi√ß√£o. Que discrep√Ęncia entre apresenta√ß√£o visual e conte√ļdo!

Quanto sofre uma boa idéia ou trabalho quando sua apresentação não é bem planejada? Uma voz autorizada para responder poderia ser a de Steve Jobs. Os produtos da Apple são excelentes, mas ele sabia que só qualidade não é suficiente; que a forma de comunicar importa, e muito! Sua filosofia era clara: se os produtos são maravilhosos, sua apresentação também deve ser maravilhosa. Não é necessário dizer que Jobs é considerado um dos melhores apresentadores de nosso tempo.

Se um designer se prepara para expor sua estrat√©gia, teoria ou produto de design para um p√ļblico, ent√£o os eslaides que projeta tamb√©m devem ser o resultado de um processo de design. Um professor que exponha sobre teoria do design e projete eslaides com uma lista intermin√°vel, imagens de baixa qualidade, diagramadas ao acaso, falta de alinhamento e baixo contraste, gerar√° d√ļvidas a respeito de sua autoridade, de sua teoria ou de sua capacidade para transpor os conceitos para a pr√°tica.

Ler os textos diretamente da tela √© um costume t√£o comum quanto ineficiente. A Teoria da Carga Cognitiva e as investiga√ß√Ķes de cientistas e neurobi√≥logos (como John Medina ou Susan Weinschenk) demonstram o qu√£o dif√≠cil √© para o p√ļblico processar a informa√ß√£o quando lhe √© apresentada em forma oral e escrita, simultaneamente. O que concluem em seus trabalhos √© que a multitarefa, quando se trata de prestar aten√ß√£o, √© um mito: lemos o eslaide ou escutamos o expositor, mas n√£o fazemos bem ambas as coisas ao mesmo tempo. Desse modo, um apresentador que l√™ eslaides dando as costas para o p√ļblico n√£o s√≥ gera d√ļvidas sobre o que realmente sabe como tamb√©m provoca chatea√ß√£o e desinteresse.

Uma melhor op√ß√£o seria permanecer em sil√™ncio e permitir que o p√ļblico leia os eslaides. Mas se isso fosse o caso, os assistentes teriam todo o direito de perguntar ao apresentador: "para que est√° a√≠?"; "por que n√£o nos enviou a apresenta√ß√£o por e-mail?". Eventualmente, estas perguntas podem surgir independentemente se o apresentador l√™ ou n√£o. O resultado √© uma audi√™ncia que se sente estafada e com vontade de reclamar por uma hora perdida de sua vida.

Os eslaides que transcrevem o discurso do apresentador s√£o comuns nas aulas te√≥ricas das faculdades de design. Por que muitos professores enchem de textos seus eslaides? Uma poss√≠vel resposta √© que quando o fazem t√™m uma falsa ilus√£o de efici√™ncia: um mesmo arquivo serve para apresenta√ß√£o e anota√ß√Ķes. Acreditam economizar tempo quando matam dois coelhos com uma cajadada, mas o √ļnico que matam √© a efetiva comunica√ß√£o. Uma apresenta√ß√£o oral com proje√ß√£o de imagens √© diferente de um documento bem escrito e a tentativa de mistur√°-los gera pobres apresenta√ß√Ķes e pobres documentos. Esses eslaides ser√£o visualmente deficientes e como anota√ß√Ķes carecer√£o de profundidade

Uma melhor maneira consiste em redigir um bom documento para entregar como anota√ß√£o depois da aula, ou confer√™ncia, e em preparar bons eslaides. S√£o duas a√ß√Ķes diferentes e que demandam um pouco mais de esfor√ßo, mas vale a pena.

Para terminar, tenho duas not√≠cias: uma m√° e outra boa.A m√° √© que a maioria das apresenta√ß√Ķes multim√≠dia √© insuficiente e pouco efetiva. A boa not√≠cia √© que, nesse contexto, fazer uma boa apresenta√ß√£o √© uma excelente oportunidade para se destacar. Uma oportunidade que, em geral, todo expositor deveria aproveitar, especialmente os designers e docentes.

Traduzido por Luiz Claudio Gonçalves Gomes Campos Dos Goytacazes

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Retrato de Alexandre Fontes
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Alexandre Fontes
Jan 2014

E √© incr√≠vel como isso acontece! √ďtimo ponto de reflex√£o.

Arrisco dizer que praticamente todos alunos j√° passaram ou passar√£o por uma situa√ß√£o dessas. Como √© terr√≠vel: um conte√ļdo interessante, um professor de intelig√™ncia agu√ßada, ambos ofuscados por uma apresenta√ß√£o pobre, ma√ßante e confusa.

Neste ponto, acho que alguns designers/professores poderiam aprender com os publicitários, que muitas vezes tornam a apresentação envolvente como parte-chave do "produto" que querem vender.

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