A Publicidade como diretora da novela das nossas vidas

Diariamente, cada um de nós deve desempenhar um papel na sociedade. Um papel que provavelmente não escolhemos interpretar.

Retrato de Paola Marín Paola Marín Bogotá

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Geralmente fazemos as coisas sem sequer nos perguntar por que as fazemos, ou quem determinou que deveriam ser de uma determinada forma. Poucos conseguimos determinar quem é o diretor das nossas vidas, aquele que nos diz qual será nosso papel e como teremos de desempenhá-lo. Nosso diretor é sigiloso e passa despercebido. É como uma mensagem subliminal de uma canção: a gente não ouve, mas ela trabalha na nossa mente. Nosso diretor é tão inteligente que se faz chamar «Publicidade».

Desde seus inícios, a publicidade conseguiu mudar o pensamento e o comportamento das pessoas. Foi ela que, por meio de suas peças, determinou o lugar da mulher na sociedade, fazendo-a passar do papel de mulher submissa, que somente cuidava do marido e dos filhos, ao de mulher independente, trabalhadora e lutadora que, sem deixar de lado sua família, podia também realizar seus sonhos.

A publicidade é de uma transcendência tal nas nossas vidas que ela inclusive nos diz como amar e o que esperar do amor, nos diz o que vestir e como agir. Talvez por isso haja tantas pessoas vivendo na infelicidade: porque a publicidade nos vende sonhos, ideais e expectativas que provavelmente não conseguiremos conhecer na vida real. Quantas mulheres deixam passar homens bons, que as amam, só porque não se parecem com o ideal do príncipe azul que sempre nos venderam? E até mesmo tendo homens bons, elas sofrem e dizem que não encontram o verdadeiro amor. Quantos homens têm dó de dizer que não gostam de futebol? Isso somente por medo de serem vistos como esquisitos, porque culturalmente todos os homens têm de ser aficionados do futebol.

Não digo que a publicidade seja ruim. Sou publicitária e amo ser publicitária. Digo que devemos atentar mais para as mensagens que recebemos e saber quais devemos ignorar. Também digo que, às vezes, devemos sentir mais e pensar menos, que devemos nos preocupar mais tentando ser felizes do que tentando satisfazer os outros, porque de tanto pensar perdemos oportunidades que realmente nos fariam sorrir.

O que aconteceria se cada um começasse a criar seu próprio ideal de felicidade? Com certeza, conseguiríamos ser felizes. A publicidade pode obter coisas maravilhosas. A publicidade social, por exemplo, essa sim mereceria ter a nossa atenção o tempo todo, porque realmente nos ajuda a construir uma sociedade melhor. Mas aquela que nos diz como devemos ser, essa, deveríamos simplesmente eliminar. Se nós publicitários tivéssemos uma ideia da imensa ferramenta que temos nas nossas mãos e utilizássemos com sabedoria, possivelmente não seríamos vistos apenas como aqueles que fazem o cartaz da padaria ou os cartões de visita.

Traduzido por Eliane Frenkel Montevideo

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