O Design: pensamento estratégico para a inovação

O design aplicado como pensamento estratégico na empresa gerando vantagens competitivas na forma de novos modelos de negócios, serviços e experiências.

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Como designer e analista de sustentabilidade sempre sou questionado por empres√°rios de diferentes setores: ¬ęPara qu√™ eu quero um designer, se a minha empresa n√£o projeta, nem desenvolve um produto f√≠sico? Eu trabalho com servi√ßos, com o intang√≠vel!¬Ľ

Caro empres√°rio brasileiro, perceba que o design acima de tudo aporta para a sua empresa um ¬ępensamento¬Ľ estrat√©gico-criativo-inovador, independente se a sua empresa desenvolve produtos f√≠sicos ou n√£o. Esse pensamento estrat√©gico gera novas e aperfei√ßoa as j√° existentes vantagens competitivas da empresa no mercado e frente a seus concorrentes, com novos modelos de neg√≥cios, novos servi√ßos, experi√™ncias, percep√ß√Ķes de sua empresa para o consumidor e para os concorrentes.

Um exemplo conhecido √© a Apple. Steve Jobs era um design thinker de primeira classe, ele entendeu perfeitamente o ¬ęvalor e a aplica√ß√£o do design¬Ľ como um pensamento estrat√©gico para gerar inova√ß√£o √† todos os n√≠veis poss√≠veis, desde processos de engenharia (tang√≠vel) at√© cria√ß√£o de novos estilos de vida globais (intang√≠vel).

Sem o design dessa perspectiva n√£o-material unicamente, dificilmente produtos com iPad, iPhone, e servi√ßos derivados deles (iTunes) teriam surgido no mercado, criando novos mercados e consolidando mercados j√° existentes. Esta qualidade criativa e inovadora √© algo natural, inerente ao designer pela sua mesma forma√ß√£o profissional, e leva-o a ter sempre uma vis√£o e abordagem sist√™mica sustent√°vel e a capacidade de entender e integrar as diferentes disciplinas/din√Ęmicas da empresa.

√Č um fato que o design √© sempre um catalisador de inova√ß√Ķes, a qualquer n√≠vel que seja aplicado! Isto n√£o deve ser subestimado e muito menos desperdi√ßado.

O design e a sua empresa

O design √© vital para que a empresa seja sustent√°vel e inovadora em todas as suas dimens√Ķes e divis√Ķes (ambiental, social e econ√īmica) funcionando o design tamb√©m como um elemento unificador, criador e consolidador da cultura sustent√°vel da empresa.

Mais frustrante ainda é verificar que comitês de sustentabilidade, prêmios às melhores empresas sustentáveis, e até empresas certificadoras, não tem nenhum designer (afinal, elas não produzem nenhum produto físico!). Mesmo assim, devem decidir o que é estratégico, sustentável e inovador, sem um designer.

Isso acontece porque n√£o entendem ou n√£o conhecem o beneficio estrat√©gico do design em um ¬ęcontexto global- n√£o produtivo¬Ľ, e ainda acreditam muito erroneamente que um engenheiro especializado em gest√£o ambiental e processos, junto com administradores e financeiros ¬ęverdes¬Ľ ser√° mais do que suficiente para gerar ou julgar ¬ęinovadoras¬Ľ din√Ęmicas sustent√°veis. Sem o designer e a sua vis√£o, as din√Ęmicas sustent√°veis da empresa ser√£o limitadas, conservadoras e de curto prazo. A empresa ser√° sustent√°vel sem o designer (importante dizer), mas n√£o ter√° todo o seu potencial mapeado, conhecido e explorado como deve ser.

√Č hora do empres√°rio brasileiro deixar para atr√°s essa vis√£o obsoleta de que o design somente √© necess√°rio caso a empresa desenvolva produtos f√≠sicos no ch√£o da fabrica.

O design no século XXI

No s√©culo XXI o design n√£o existe mais apenas como um elemento f√≠sico-industrial para manufatura. Deve ser percebido como um pensamento estrat√©gico-criativo-inovador vital para a empresa, em todos os sentidos. Caso o empres√°rio queira realmente ser sustent√°vel e inovador, precisar√° sempre do design como pilar central para a inova√ß√£o e sustentabilidade. O Design deve ter o seu respectivo lugar de destaque na busca da ¬ęsustentabilidade empresarial brasileira¬Ľ neste s√©culo XXI (√Č muito pedir, caro empresario?).

Afinal, vis√Ķes conservadoras e quadradas, em qualquer √Ęmbito da a√ß√£o humana, n√£o podem gerar sustentabilidade e muito menos inova√ß√£o.

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Artigo publicado originalmente no Design Simples

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Marcio Dupont

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Anna Paula
Mar 2013

Ser√°? Ser√° correto subestimar um engenheiro, administrador e outros profissionais dessa forma para valorizar o papel de um designer? Essa  ľvis√£o ľ que o designer tem n√£o pode ser atribu√≠da √† outros profissionais? H√° muitas empresas criativas e inovadoras de sucesso por a√≠ sem um designer para que esta afirma√ß√£o seja feita t√£o banalmente.

1
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Foca Rodrigues
Ago 2013

Acredito, Anna, que o autor realmente foi um tanto duro nas afirma√ß√Ķes, mas isso no caso v√™m da pr√≥pria indigna√ß√£o com o cen√°rio presente, onde o trabalho do designer √© substituido por outras fun√ß√Ķes, talvez simplesmente ignorado ou ainda deixado como uma disciplina operacional (pensamento completamente equivocado). Acredito que o que ele quis dizer foi que o simples fato de atribuir fun√ß√Ķes inovativas a engenheiros e administradores, sem uma tutoria confi√°vel sobre o processo criativo seja leviano por parte das empresas.

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