Design é mais que desenho, é conceito

Ter dedos ágeis no teclado e no rato é importante, mas é apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que é o computador, e não o fundamental.

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      Os avan√ßos tecnol√≥gicos, mais especificamente a inform√°tica trouxe, traz e trar√° progressos para a nossa vida. Todos esses avan√ßos possibilitam grandes e pequenas conquistas, imposs√≠veis de serem imaginadas h√° algumas d√©cadas. Essas conquistas, por estarem t√£o presentes no nosso dia-a-dia, fazem com que muitas vezes n√£o percebamos, nem a sua import√Ęncia, nem a sua omnipresen√ßa.

J√° imaginou o inferno que seria conduzir pelas ruas de qualquer cidade, passando por tantos far√≥is, sem√°foros ou sinaleiros (como preferir), se n√£o existisse um sistema inform√°tico garantindo a sincronia do seu funcionamento? Pior, quem teria coragem de aterrar num aeroporto como o de Congonhas, por exemplo, sem que houvesse um moderno e complexo conjunto de computadores na torre de comando, auxiliando os controladores de tr√°fego a√©reo? √Č dif√≠cil de imaginar, mesmo porque, n√£o s√≥ os avi√Ķes, mas at√© os autom√≥veis, s√£o cada vez mais constru√≠dos e movidos atrav√©s do intenso uso de computadores.

Se por um lado, a tecnologia inform√°tica melhora as nossas vidas, por outro lado, a sua presen√ßa maci√ßa vem transformando-nos ao ponto de j√° n√£o sermos mais os mesmos que costum√°vamos ser quando ela n√£o existia. N√£o enviamos mais cartas de amor manuscritas com ardor, capricho e borr√Ķes, mandamos sim, e-mails frios, objectivos e automaticamente corrigidos. Tamb√©m j√° n√£o conseguimos desejar um sonoro e sincero ¬ębom dia¬Ľ √† telefonista de uma empresa, pois somos atendidos por uma grava√ß√£o autom√°tica. No futuro, se calhar, estaremos a premir tecla 1, para ¬ębom dia¬Ľ, tecla 2 para ¬ęboa tarde¬Ľ e tecla 3 para ¬ęat√© logo¬Ľ.

A verdade, √© que a mesma tecnologia que proporciona coisas positivas, tamb√©m √© respons√°vel por aspetos negativos em √°reas que dependem muito do computador no dia-a-dia. O design, por exemplo, com o advento dos computadores, passou por uma verdadeira revolu√ß√£o. Atividades e possibilidades que anteriormente eram dif√≠ceis, demoradas e portanto, caras para serem executadas, s√£o agora facilmente realizadas com o aux√≠lio do computador. A populariza√ß√£o dos programas gr√°ficos contudo, nivelou os profissionais do design por baixo, possibilitando hoje em dia a qualquer um, tornar-se, ou pelo menos, considerar-se, um designer da noite para o dia em poucos ¬ęclics¬Ľ. √Č raro encontrar novos profissionais que saibam desenhar utilizando l√°pis, papel e criatividade.

Ter dedos √°geis no teclado e no rato √© importante, mas √© apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que √© o computador, e n√£o o fundamental. Os efeitos especiais que os novos programas oferecem, fazem com que as pessoas se esque√ßam ou realmente n√£o saibam que para ser um bom designer √© preciso talento, estudo, capacidade, informa√ß√£o e acima de tudo, conte√ļdo.

Cada vez mais vemos trabalhos de design, para pequenas e m√©dias empresas com solu√ß√Ķes pasteurizadas e banalizadas. Para que isto n√£o ocorra, √© necess√°rio buscar profissionais que saibam trabalhar o conceito de uma marca ou de um produto. Que saibam estudar o mercado, o p√ļblico alvo e encontrar as solu√ß√Ķes corretas que vender√£o a imagem a ser comunicada com for√ßa e competitividade.

N√£o basta apenas fazer uso dos fant√°sticos recursos da computa√ß√£o gr√°fica, para intitular-se designer. Limitar-se a isso, √© fazer parte de uma farsa, que engana a poucos e por pouco tempo. Na verdade, um bom designer existe com ou sem computador, ou seja, um verdadeiro profissional de design sabe conceituar. √Č aquele que continua a trabalhar normalmente, mesmo quando a luz do escrit√≥rio falta e o computador tem que ficar temporariamente desligado.

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Luiz Renato Roble

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Retrato de Clerivan Carmo
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Clerivan Carmo
Nov 2014

Plena verdade, conheço designs que nunca rabiscou ou não saber se quer fazer um raf.

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