Design abaixo do Equador

Porque devemos pensar grande num mundo onde ainda nos espelhamos no design dos países desenvolvidos: uma reflexão às futuras gerações de designer

Retrato de Luis Emiliano Costa Avendaño Luis Emiliano Costa Avendaño São Paulo

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Dias atrás levei duas turmas de alunos para assistir uma palestra sobre design, programada por uma grande loja de móveis e utilidades domésticas  na cidade de São Paulo. O espaço lotou tal era o interesse em temas pertinentes ao design. Retornando à aula solicitei que fizessem uma reflexão e comentários sobre esta palestra.

Infelizmente, na totalidade, não gostaram da palestra e menos do palestrante que teve dificuldades para se fazer  entender. Os alunos  comentaram que queriam ouvir alguém que falasse de criatividade, novas ideias, tendências, em fim algo novo para poder levar para seu dia a dia.

De fato a palestra foi para promover uma marca europeia de utilidades domésticas e só se falou disso. Reconheço que eles têm um bom design, são altamente criativos e principalmente tem um negócio presente em 104 países.

O aluno só viu o lado negativo desta apresentação, pois não se colocou como um designer reflexivo, a de estarmos sendo invadidos por produtos com design vindo de outros países desenvolvidos.

Lhes disse  que o designer brasileiro, e possivelmente o latino-americano, é tímido se comparado com as atitudes dos designers dos países desenvolvidos, pois lá, acima do Equador, os designers montam seus escritórios já pensando em desenvolver produtos para grandes empresas, muitos deles montam, como designers autorais, seus próprios negócios, fabricam seu design e exportam. Perguntei, então, porque o designer brasileiro não pensa grande, e a resposta deles foi que  dificilmente vamos chegar ao nível dos designers europeus pois não temos apoio, estrutura para sermos competitivos como eles são.

Em parte eles tem razão, falta apoio das entidades organizadas para alavancar o design brasileiro num patamar mundial, mas também coloquei, como fator essencial, a baixa autoestima. Temos criatividade, mas falta vontade de se arriscar.

A questão do risco está profundamente arraigada nas atitudes empresariais, o medo de errar é muito grande e o design é um componente de alto risco para o empresário, alguns profissionais já comentaram desse perfil do empresariado brasileiro, acomodados a uma situação de dependência e de cópia que dificilmente vai ser mudada, com raras e ótimas exceções.

Entretanto, podemos mudar esta percepção a partir do designer e não do empresário. É o designer com todo seu aprendizado de inovação e de gestão que pode mudar esta condição, se arriscando mais, não tanto criando mais escritórios para atender aos empresários, mas criando empresas e indústrias que servirão de exemplo para os atuais empresários a mudar sua maneira de perceber sua própria gestão e estratégia de inovação. Quem sabe assim eles aprendem a acreditar mais no designer.

No jornal Folha de São Paulo, num editorial de um arquiteto, este escreveu após visita a escritórios europeus, que o «Design brasileiro só será competitivo quando os profissionais se dedicarem a gestão e planejamento». Já estamos formando profissionais com essa visão, mas ainda o caminho é longo. Deveríamos formar líderes empresariais, ensinar além da Gestão de Design, empreendedorismo.

Neste ponto da conversa os alunos ficaram mais pensativos, espero que algum deles se arrisque e mostre novos caminhos para o design brasileiro e latino-americano.

Yes!! Abaixo do Equador temos design competitivo, não é só dar uma chance, não vamos ficar aguardando chances, é tomar as rédeas do risco.

Editor: Ana Bossler Porto Alegre

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Luis Emiliano Costa Avendaño

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Retrato de Jorge Montaña
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Jorge Montaña
Dez 2014

Mi estimado Luis. Totalmente cierto tu enfoque es cuestión de actitud y esta es un pesado lastre sociocultural que compartimos del Rio Grande hasta la Patagonia.

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