Design sustent√°vel

Ecofeedback: Os designers tambem devemos estabelecer um compromiso com a sustentabilidade do planeta.

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Arevolução industrial de finais do século XVIII que deu vida às máquinas e fez nascer o design, trouxe também consigo a contaminação e o desgaste do nosso planeta. A nossa preocupação com o meio ambiente, o aquecimento global e a redução drástica de alguns recurso básicos é cada vez maior e, por causa dela, nasceu uma nova corrente dentro dos designers: o design sustentável, até agora conhecido como eco-design. Podemos defeni-lo1 como a capacidade para projetar objetos, edifícios, cidades, etc., sobre os princípios da sustentabilidade económica, social e ambiental. Abrange por isso numerosos campos tais como a arquitetura, o design ambiental, o urbanismo, a engenharia, o design gráfico, o design de interiores e o design de moda.

O seu maior propósito é o de produzir espaços, produtos e serviços de forma a que se reduza a utilização de energias não renováveis e, com isso, reduzir o impacto negativo da nossa pegada ecológica no ecossistema.

Reduzir o impacto ambiental

O design gr√°fico sustent√°vel √© aquele que considera o impacto no meio ambiente dos produtos que consigo se relacionam, tais como embalagens, etiquetas, pe√ßas gr√°ficas de publicidade, publica√ß√Ķes, etc. Para desenvolvermos um design ecol√≥gico devemos considerar todos os elementos que se utilizam em todo o processo de desenvolvimento de cada projeto: diferentes suportes, m√£o de obra, transporte, utiliza√ß√£o de produtos e sua elimina√ß√£o.
O designer pode contribuir para um design sustentável se tiver em conta estratégias que afetam, de várias formas, o seu trabalho do dia-a-dia:

  1. Trabalho no ateliê: hábitos e ambiente;
  2. Seleção e produção de materiais: escolha de gráficas, serviços e materiais localizados perto do seu local de trabalho, para assim reduzir o uso de meios de transporte, tal como eleger modos de obter informação que recorram a um menor uso de matérias primas, ou ao aluguer de alguns produtos que reduzam o consumo  privado, etc.
  3. Eco-feedback: design centrado no utilizador.

1. Hábitos e ambiente no ateliê

Os nossos h√°bitos de trabalho podem levar √† prepara√ß√£o de um produto ecol√≥gico. Para que isso aconte√ßa pode criar um ambiente adequado, tendo em aten√ß√£o coisas como a escolha de l√Ęmpadas, o recurso √† reutiliza√ß√£o de folhas para provas, o desligar todos os equipamentos inform√°ticos que n√£o est√£o em uso, etc.

A revista australian¬†Desktop2, fala-nos das diferentes iniciativas que os designers podem ter para contribuir para um meio ambiente melhor, oferecendo solu√ß√Ķes mais ecol√≥gicas aos clientes. Anna Carlile criou, em Melbourne, o ateli√™ de Design Viola Ecographic Design, cuja oferta assenta na sustentabilidade das solu√ß√Ķes. Para al√©m disso, coloca √† disposi√ß√£o de outros designers um guia com informa√ß√Ķes √ļteis sobre papel e sistemas de impress√£o para se obter se produzir um design ecol√≥gico. Entre as propostas apresentadas destacamos as seguintes:

  • Comprova, juntamente com o teu impressor, o formato para poderes aproveitar da melhor forma as especificidades na imposi√ß√£o e, assim, economizares papel;
  • Assegura-te¬†do tipo de emiss√£o de gases emitidos durante todo o processo de produ√ß√£o: tintas, vernizes, colas, solu√ß√Ķes de limpeza, etc;
  • Confirma junto do impressor a op√ß√£o de imprimir sem recorrer √† produ√ß√£o de fotolitos;
  • Escolhe, sempre que poss√≠vel, tintas de origem vegetal e papel n√£o revestido;
  • Evita as tintas met√°licas e fluorescentes, j√° que cont√©m metais pesados;
  • Escolhe vernizes de base aquosa em vez de vernizes UV ou plastificados;
  • Confirma com a gr√°fica se reciclam os res√≠duos e utilizam algum sistema de poupan√ßa de energia;
  • Assegura-te que o trabalho que produziste pode ser facilmente reciclado e que n√£o cont√©m nenhum material ou efeito n√£o recicl√°vel;
  • Escolhe um papel que tenha sido elaborado com √°rvores plantadas para esse efeito. Confirma que este tem o certificado FSC (Forest Stewardship Council).

2. Gr√°ficas: tintas e papeis

Tintas

Os produtos gr√°ficos que desenhamos podem ser sustent√°veis se tivermos o cuidado de escolher gr√°ficas que consumam pouco energia e cujos consum√≠veis prejudiquem o menos poss√≠vel o meio ambiente. Atualmente, existem sistemas de impress√£o que para al√©m de respeitar a natureza garantem a m√°xima qualidade no resultado final. As tintas convencionais, para al√©m de serem feitas com derivados do petr√≥leo, precisam de ser misturadas com solventes cuja base √© o √°lcool, o que liberta gases t√≥xicos para a atmosfera, prejudiciais tanto para a sa√ļde como para o ecossistema. Em alternativa, j√° existem m√°quinas que oferecem solu√ß√Ķes ecol√≥gicas, como a impress√£o sem √°lcool e o offset sem √°gua.3 Outra solu√ß√£o √© a utiliza√ß√£o de tintas √† base de √≥leos naturais que n√£o integram √≥leos minerais. As virtudes destas tintas s√£o o fato de se n√£o secarem no tinteiro, oferecerem uma boa absor√ß√£o e deixarem menos res√≠duos.¬† Por outro lado, e atendendo a que os designers usam cada vez mais o verniz para acabamento, deve-se exigir √† gr√°fica que recorra a vernizes √† base de √°gua e isentos de amon√≠aco.

Bolsa ecol√≥gica. Lleva impresa la siguiente leyenda: ¬ęEsta bolsa est√° hecha con papel fabricado sin blanqueadores e impresa con tintas al agua. Por favor reutilizar para proteger el medio ambiente¬Ľ.
Saco ecol√≥gico. √Č-lhe aposto, por impress√£o, a seguinte legenda: ¬ęEste saco foi produzido com papel fabricado sem branqueadores e impresso com tintas √† base de √°gua. Por favor reutilize para proteger o meio ambiente¬Ľ.

Papel

O fabrico de papel comum utiliza grandes quantidades de energia e fibra vegetal virgem,  sendo um processo poluente.  Se optarmos por um papel ou suporte adequado, podemos também contribuir para a conservação da natureza. Um papel ecológico será aquele cuja elaboração evite o impacto no meio ambiente, pelo que se deverá ter em consideração não só o uso e consumo dos recursos naturais e de energia, mas também a eliminação de resíduos, produção de ruído e odores durante a extração das matérias primas, etc, isto é, o papel ecológico não tem de ser reciclado ainda que se tenha de ter em conta que o modo de elaboração respeite o ambiente.

Etiqueta Eco-label europea

Isto n√£o quer dizer que n√£o se possam fazer trabalhos de qualidade recorrendo a papel reciclado, j√° que os grandes avan√ßos conseguidos na tecnologia da reciclagem j√° nos permitem escolher um papel reciclado de alto desempenho para aplica√ß√Ķes mais elaboradas, mas o melhor √© optar por um papel certificado por organismos cujos selos nos permitam perceber se √© ecol√≥gico, e o classifiquem segundo o grau de agress√£o ao meio ambiente.

Existem, em diferentes pa√≠ses, selos que nos permitem distinguir se o papel que escolhemos √© ecol√≥gico, reciclado, livre de cloro elementar (ECF ‚Äď Elemental Chlorine Free) ou totalmente livre do cloro (TCF ‚Äď Total Chlorine Free), como o R√≥tulo Ecol√≥gico Europeu, cujos crit√©rios ecol√≥gicos podem ser consultados na Web.

3. Eco-feedback

Dani Armengol no blog Usolab¬†faz alus√£o a uma nova corrente de design sustent√°vel: a ¬ęeco-feedback¬Ľ, descrevendo-a como a corrente em que o design ¬ęque tenta modificar a conduta dos utilizadores de um sistema, elucidando-os para as consequ√™ncias no meio ambiente das suas a√ß√Ķes¬Ľ.

Anuncio de la WWF
An√ļncio daWWF.

Renee Wever, Jasper van Kuijk e Casper Boks4¬†s√£o os elementos do grupo de¬† investiga√ß√£o sobre design para a sustentabilidade da universidade holandesa de Delft. A sua investiga√ß√£o centra-se na promo√ß√£o do design de produtos sustent√°veis, ainda que os resultados sejam extens√≠veis a todo o campo do design. Este grupo de investiga√ß√£o vai muito para al√©m da an√°lise do impacto no meio ambiente dos produtos, na rela√ß√£o com as mat√©rias primas que usam na sua produ√ß√£o, ou do seu impacto ecol√≥gico durante o processo de fabrico, focando a sua aten√ß√£o na sua influ√™ncia no ambiente e na forma como o consumidor interage com os objetos de consumo. Estes investigadores prop√Ķe que os designers promovam nos seus projetos o uso sustent√°vel dos produtos. O design assume assim o compromisso de se adaptar aos h√°bitos do utilizador para conseguir um comportamento mais sustent√°vel por parte dele. Prop√Ķem tr√™s poss√≠veis estrat√©gias de a√ß√£o:¬† a escrita ou scripting, o eco-feedback e a adapta√ß√£o¬† da funcionalidade dos produtos para reduzir o seu impacto ambiental. Desenvolver estes m√©todos requer, para cada projeto, um estudo de comportamento do consumidor que denominaram de ¬ęo design centrado no utilizador¬Ľ.

Relativamente ao scripting trabalha-se sobre a informa√ß√£o direta que √© escrita no pr√≥prio produto. Exemplificando, o designer pode informar os consumidores recorrendo ao uso de pictogramas dizendo que, uma vez consumidos, devem ser depositados nos recipientes adequados para a reciclagem. Pode-se ainda ir mais longe se se transmitir informa√ß√£o espec√≠fica sobre o impacto das suas a√ß√Ķes, o chamado eco-feedback. Um bom exemplo s√£o as etiquetas que informam o utilizador de quanto tempo o produto necessita para se decompor na natureza, se n√£o reciclar adequadamente o seu lixo dom√©stico. Outra iniciativa de eco-feedback √© a coloca√ß√£o no ecr√£ do televisor¬† de uma mensagem informando o utilizador da quantidade de energia que poder√° poupar se desligar por completo o aparelho em vez de o manter em standby. O eco-feedback oferece aos utilizadores informa√ß√£o sobre a efic√°cia econ√≥mica e ecol√≥gica dos seus atos. Uma alternativa mais radical √© a de criar produtos cujo design impe√ßa o seu uso n√£o sustent√°vel , o qual apelidamos de ¬ędesign de funcionalidade for√ßada¬Ľ.¬† Como exemplo temos as anilhas das latas de bebidas. Nos anos 80 do s√©culo XX, retiravam-se e deitavam-se ao lixo, enquanto que as atuais dificultam a sua retirada da embalagem, for√ßando o utilizador a um comportamento mais sustent√°vel.

Al√©m de projetos que promovem o design centrado no utilizador, ao analisar as iniciativas relacionadas com pr√°ticas de um design sustent√°vel devemos¬† mencionar os trabalhos desenvolvidos por ateli√™s espec√≠ficos, como o canadiano de Vancouver SmashLab, que sob o lema Design can change (o design pode mudar), oferece conselhos sobre a pr√°tica de um design sustent√°vel e a possibilidade de se registar e passar a fazer parte de uma lista de designers¬†comprometidos.5¬†Tamb√©m somos obrigados a mencionar as reflex√Ķes que prop√Ķe o arquiteto Ken Yeang no seu livro EcoDesign, A Manual for Ecological Design, que nos oferece solu√ß√Ķes concretas de como nos integrarmos no ambiente natural sem prejudicar a sobreviv√™ncia do planeta.

Retrato de Ainhoa Martin Ainhoa Martin Sevilla Seguidores: 40

TraduçãoAlvaro Sousa V N Gaia Seguidores: 14

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  1. Sustainable design¬†(Dise√Īo sostenible),¬†Wikipedia, consultado em 10/08/08.
  2. Consultar o artigo Green by design de Sam Gopal (em formato PDF).
  3. Consultar a informa√ß√£o fornecida pela empresa de equipamentos para a ind√ļstria gr√°fica¬†Hartmann.
  4. Consultar o documento PDF User-centred Design for sustainable Behaviour.
  5. Design can change

Para mais informa√ß√Ķes:

 

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Retrato de Fran Silva
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Fran Silva
Mai 2014

Ainhoa, grata pelas informa√ß√Ķes contidas em seu artigo, e pelas refer√™ncias tamb√©m. √Č esclarecedor, porque das distintas profiss√Ķes o Designer √© o que est√° na ponta da lan√ßa quando se trata de sustentabilidade e da utiliza√ß√£o da mat√©ria prima. Penso que, da mesma forma que nos atualizamos referente a programa√ß√£o de projetos √© tamb√©m preciso nos atualizar sobre os meios que ser√£o mais sustent√°veis para a execu√ß√£o de um projeto de Design.

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