Há uns anos atrás, o meu amigo designer industrial André Ricard e eu reunimo-nos para discutir assuntos relativos à profissão. Num desses encontros, disse-me que tinha visto que no conjunto de pictogramas existentes faltava um: o que indicava se para se abrir uma porta se tinha de empurrá-la ou puxá-la. Surpreendeu-me que fosse um designer industrial quem o descobrira dado que desenhar pictogramas é um tema que pertence ao âmbito do design gráfico.
Comentámos que seria interessante que o seu design não fosse obra de um designer em concreto, mas sim que resultasse de uma colaboração da comunidade internacional dos designers gráficos. Assim, com a colaboração da ONG Design for the World, pusémo-nos em contacto com as associações de designers gráficos de muitos países, pedindo para que os seus sócios colaborassem com ideias, esboços, maquetes para resolver este pictograma.
Uma vez recebidas as propostas – 105 no total –, pusémo-nos em contacto com um colega designer que ensina na escola de design Elisava em Barcelona, pedindo-lhe ajuda para ordenar todas as propostas recebidas. Ele incumbiu quatro estudantes de as ordenarem de acordo com a sua parecença conceptual em várias «famílias» de pictogramas.
As «famílias» de signos obtidas são as seguintes:


Uma vez estabelecidas as ditas famílias, os estudantes colaboradores sintetizaram o conjunto de propostas de cada família num único pictograma.
Ora bem, como em muitos outros casos, é necessário investigar o «âmbito de signos» no qual se tem de inserir um determinado projecto de design gráfico. Neste sentido, o sistema de pictogramas do AIGA1, assim como o sistema de pictogramas projectado por Otl Aicher2 para os Jogos Olímpicos de Munique em 1972, entre outros, constituem o dito «âmbito», o qual mostra características visuais muito específicas que indicam a natureza básica de como se representa um pictograma e de que forma se transmite o seu conteúdo.

Por exemplo: os pictogramas de «homem» ou «mulher» explicam este significado de extrema síntese. Nenhum deles indica qualquer característica pessoal das pessoas representadas, se é jovem ou idoso, bonito ou feio, se é de raça branca ou negra, casado ou não; não informa mais do que representa o pictograma: «homem»-«mulher».
Dadas as características básicas que definem a «linguagem visual» dos pictogramas, as propostas ou «famílias» de signo de empurrar-puxar que não se adecuam a esta «linguagem visual», foram eliminadas, tais como as sob a denominação «abstractas» ou «símbolos». Parece, portanto, óbvio que o novo pictograma de «empurrar-puxar» deveria seguir este carácter de extrema síntese com a finalidade de ser imediatamente compreensível e também poder ser integrado na família dos pictogramas existentes, tais como os mencionados do AIGA que se mostra acima.

A intenção era registar os pictogramas definitivos a nível mundial de maneira a que ninguém se pudesse apropriar deles. No entanto, depois de ter pedido conselho a uma empresa de patentes, parece que a imagem da porta empurrada e puxada não pode ser registada. Isto não impede que a partir de agora estes pictogramas possam ser utilizados por quem quer que seja e assim formar parte das famílias de pictogramas existentes. Para promover a sua difusão envolveremos as associações internacionais de design para que nos ajudem neste propósito.

Juan Cristal: Que possibilidade teria tido uma abordagem do problema do ponto de vista da trajectória ou direcção dinâmica do usuário? Por exemplo: vermelho para «puxe» e verde para «empurre». Para os arquitectos este problema está muito relacionado com a evacuação e as saídas de emergência (portas anti-pânico, sinalética de segurança, etc.).
A proposta de utilizar as cores vermelho e verde é inviável pelas seguintes razões:
Rita Gual: Dado que os pictogramas de Empurrar-Puxar pede uma reacção instantânea do usuário, o qual exige um design compreensível mas também diferenciado entre as duas imagens, especialmente no caso de «puxar», que implica parar e retroceder, fazendo força no sentido oposto, não considera que esse pictograma deveria transmitir esta mudança de atitude do usuário? Qual é a sua opinião relativamente ao facto de utilizar o preto (negativo) para o pictograma de puxar, para representar a acção contrária ao movimento do usuário? Para maior diferenciação, poderia-se inclusive inserir o signo num círculo.
Discordo da sua proposta de «correcção» pelos seguintes motivos. Nos pictogramas que publicámos, tanto o da porta puxada como da empurrada estão em branco e o espaço atrás delas, aquele a que se vai aceder, estão em ambos os casos a preto, o que permite que as portas estejam claramente contrastadas relativamente a esse espaço. Pelo contrário, se considera bem o pictograma de «empurrar» tal como está, a sua proposta de pôr um fundo (o círculo) preto ao pictograma «puxar» obriga a que tanto a porta puxada como o espaço a que se acede, sejam ambos brancos, estando-se assim a criar um signo novo que não diferencia entre os dois, e contribui assim para criar uma confusão para o usuário.
Além disso ter-se-ia um pictograma com porta branca e fundo preto num caso, e outro pictograma com porta e fundos brancos noutro. Seria pouco consistente. Isto significa que a sua proposta já não é auto-explicativa, o que é próprio dos pictogramas tal como se assinala nos pontos 1, 2 e 3 no artigo.
Também não é necessário introduzir considerações relativas a uma «atitude», nem ter de comparar a função de puxar ou empurrar a uma acção negativa ou positiva. A psicologia não tem nada a ver com a leitura ou compreensão de um pictograma.
Publicado el 30/05/2012

A solução escolhida certamente é universal e adotarei sempre que que projetar ambientes. Acredito que realmente é inteligida por qualquer pessoa. Mas me pergunto qual foi o critério para eliminação das propostas com seta. São consideradas abstratas, ou foi uma decisão com o intuito de remover qualquer excesso de elementos? Além disso, implica-se nesta solução que uma porta que se abre para ambos os lados não necessita de um pictograma?

IMPORTANTE: Este artículo no expresa la opinión de los editores y responsables de FOROALFA, quienes no asumen responsabilidad alguna por su autoría y naturaleza. Para reproducirlo, salvo que estuviera expresamente indicado, por favor solicitar autorización al autor. Dada la gratuidad de este sitio y la condición hiper-textual del medio, agradeceremos evitar la reproducción total en otros sitios Web. En cambio, sugerimos y valoramos la reproducción parcial, incluyendo además del nombre del autor, el título y la fuente (FOROALFA), un enlace a esta página (http://foroalfa.org/articulos/o-design-de-um-pictograma) en un lugar claro y visible, que invite a completar la lectura.
Consejos y sugerencias para aprovechar la bolsa como recurso comunicacional.
Proyecto de señalética para los cementerios «Parque del Recuerdo» en Santiago de Chile.
Las campañas publicitarias que pretenden posicionar a las ciudades como si fuesen productos, caen en simplificaciones que desdibujan su autenticidad.
Cuánto tiene que ver el diseño interior de una casa con lo que siente el que la habita. Qué agrega la intervención profesional en un ámbito donde se expresa la intimidad personal.
La empresa familiar en su concepción es, en muchos casos, un cúmulo de expectativas de alto sentido emocional. Las esperanzas de su éxito son altas, falta darle forma.
Cómo darse cuenta cuando a uno le toca diseñar un producto que es un verdadero «bodrio».
Alguna vez debimos tropezar y caer para aprender a caminar. El mundo animal es claro y cruel: si no te pones de pié al nacer, no estás apto para ser de la especie. Tu, ¿estás apto?
¿Quieres que tu cliente te respete? Como mínimo debes presentarle tu trabajo en forma profesional.
¿Cuáles son los elementos que componen a la marca?
La provocación y la vulgaridad: el Mr. Hide de las reflexiones sobre el diseño.
Es importante replantearse los objetivos y metas del diseño a futuro con la ayuda de la experiencia del pasado y la comprensión del panorama actual.
El diseñador gráfico debe aprender a adelantarse a las necesidades de sus clientes, guiándolos por el buen camino.
La pausa para el café durante los eventos académicos internacionales: espacio para vincular diálogos y proyectos de vida entre diseñadores y diseñadoras.