Tudo o que qualquer designer deve saber quando procura emprego

Conselhos para obter melhores resultados nas entrevistas para emprego na área do design.

Retrato de Mario Balcázar Mario Balcázar Ciudad de México

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Se és um designer, sabes o que quero dizer: este não é um trabalho normal. No design, tal como todas as profissões, tem características comuns e características que as diferenciam, só que neste caso são mais e muito diferentes.

A procura de emprego é também diferenciada da de um trabalho normal. Inconscientes disto, muitos designers atrapalham-se e colocam o foco nas diferenças, esquecendo-se do básico. Por isso compartilho os que considero ser aspectos mais importantes que todo designer deve ter em conta quando procura trabalho.

1. O candidato não vai de fato

Nem tampouco de gravata. Se fosse um contabilista ou um advogado isto seria imperdoável, mas os agentes criativos distinguem-se por não usarem uma indumentária específica. Isso não significa que se deve ir a uma entrevista de calças rasgadas e t-shirt rota. A regra a seguir é a de que te deves apresentar melhor que o entrevistador mas que, como muitas vezes não sabes o que ele vestirá, o melhor é não correr riscos. Se procuras uma empresa de design ou agência de publicidade, a roupa formal não é boa, mas se, pelo contrário, procuras uma empresa onde é usual o uso de roupa formal, também a deves usar.

Nunca perguntes como deves ir vestido. Isso significa que estás a solicitar permissão para te apresentares de forma pouco correta. Se és homem, retira brincos, piercings e tudo o que puder causar controvérsia. Como estamos inseridos numa cultura conservadora e não sabes com quem será a entrevista, é melhor não arriscares, se não quiseres ser eliminado por esses detalhes.

Pergunta se há forma de ver o portfólio em formato digital, porque muitas vezes as entrevistas são feitas em salas de reuniões sem computadores. Não te esqueças, por isso, de levar sempre contigo o teu computador portátil.
Não te atrases, seja qual for o motivo: é melhor esperares que te esperarem. Mas também não apareças demasiado cedo.

2. O teu currículo é parte do teu portfólio

O que importa é o conteúdo, mas ninguém espera um currículo de um designer feito no Word. Se dizes que dominas as ferramentas da Adobe, a melhor forma de causar boa impressão desde o início é entregar um PDF. Isto não quer dizer que não tenhas uma versão em do currículo em Word, mas é expectável que utilizes mais do que os estilos padrão que o programa proporciona.

Deixo ainda mais alguns conselhos para a elaboração do teu currículo:

  • Não excedas uma página.
  • O conteúdos devem ser organizado por: dados pessoais, educação, emprego anterior e conhecimentos técnicos e profissionais.
  • Todos os dados devem ser fáceis de localizar, legíveis e impressos em boa resolução.
  • Os teus estudos e trabalhos devem ter os anos de referência correspondentes.
  • Deixar claro, nos empregos anteriores, o tipo de empresa e o papel que desempenhaste nela, sem rodeios e de forma concisa.
  • Não incluas o portfólio e o currículo num único ficheiro.
  • O ficheiro deve ser leve, nunca devendo ultrapassar 1 Mb.
  • Nunca remetas o currículo para um link. É bom saber que estás online, mas muitos empregadores, ao ver um link, passam automaticamente para o e-mail seguinte.
  • Leva sempre uma versão impressa do CV para a entrevista.
  • Não disponibilizes a tua fotografia. Se te pedirem é para identificarem a raça. A não ser que te candidates para assessor não há uma única razão para o fazeres. Se no entanto for inevitável, nunca coloques a foto da licença de condução.
  • Verifica a ortografia. Nem imaginas a quantidade de currículos com falhas de escrita e erros de ortografia.
  • Verifica também se o telefone e e-mail estão corretos.
  • Coloca a idade e morada. Se não colocares a idade é porque és velho e se não forneceres a morada é porque vives no fim do mundo.

Finalmente, está na moda dizer qual a sua missão como profissional. No entanto só se deve colocar se essa informação for útil. Todos os designers costumam colocar a mesma: «Encontrar em uma empresa onde eu possa contribuir e crescer como profissional, ser criativo e dar o meu melhor».

3. O teu portfólio do princípio até ao fim

Quanto ao portfólio, é possível ver várias coisas para além do trabalho, da experiência como designer – se já a tens, até onde consegues levar uma identidade corporativa e mantê-la –, a criatividade – às vezes  vê-se isso no trabalho desenvolvido na escola, onde o trabalho tinha menos regras – e o crescimento profissional. Para esse fim, aqui ficam algumas sugestões:

  • Que não seja muito grande. Não se pode dizer que sejam 5, 10 ou 20 páginas, mas o mínimo suficiente para ter uma idéia da tua carreira.
  • Não ser repetitivo. Se fizeste uma revista mensal não deves apresentar todos os números que desenhaste mas apenas aqueles de que mais gostas.
  • Coloca os melhores trabalhos no início e no fim. Temos de causar uma boa primeira impressão e manter o bom gosto.
  • Coloca os trabalhos que te dizem alguma coisa. O que mais gostaste ou o que mais te ajudou a crescer como designer. É mau sinal mostrar um portfólio em que só se pode dizer «este foi um trabalho da escola ... este  também ... e este ...».
  • O melhor formato para apresentares em digital é o PDF. Evita ainda que se pareça uma página web –a não ser que seja essa a área em que procuras trabalho –, mas se for, que seja fácil de navegar, evitando o retorno à homepage para passar à página seguinte e não dando espaço para que as pessoas se percam na navegação.
  • Dá mais importância ao trabalho que ao fundo da página. Muitos designers esforçam-se para criar fundos tão espetaculares que não só os repetem em todas as páginas como fazem com que os trabalhos propriamente ditos se percam nas folhas.
  • Cria uma versão em baixa resolução (2 ou 3 Mb no máximo) para enviar por e-mail e outra em alta para mostrar no próprio computador ou a partir de um disco externo.
  • Tal como no caso do CV, não deixes que o portfólio esteja disponível apenas numa página web. Podes disponibilizar uma amostra em PDF e dizer que existe mais trabalho online.
  • Se tens uma versão impressa, faz com que seja fácil de manusear (formato A4) e de atualizar, facilitando a retirada, substituição ou mesmo acrescento de trabalhos.

Embora estes pontos sejam lógicos e do conhecimento generalizado, muitos designers perdem oportunidades por se apresentarem mal vestidos, possuírem um portfólio defeituoso ou por se preocuparem pouco com o seu CV. Acrescento ainda que não há nada como a sinceridade nas respostas pois isso pode valer mais que uma possível grande trajetória.

Traduzido por Alvaro Sousa V N Gaia

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Mario Balcázar

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Retrato de Mario Balcázar
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Mario Balcázar
Mai 2012

Muito obrigado Alvaro Sousa para a tradução deste artigo.

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Alvaro Sousa
Mai 2012

Foi para mim um prazer ter feito a tradução. Espero que esteja correta e que respeite a texto original.

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Retrato de Leandro Leite
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Leandro Leite
Mai 2012

Concordo que designers não foram feitos para terno e gravata, acredito que o marketing pessoal também está na forma como ele se veste e alguém com uma indumentária tão conservadora não dá pistas de ser criativo. Claro que não podemos ir à uma entrevistas vestidos como um ídolo pop, mas deixar que nossas roupas mostrem que estamos fora do comum.

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