Quer experimentar?

Ainda existem empresas que trabalham como se comparassem um projeto de design a uma camiseta pendurada no cabide de uma loja.

Luiz Renato Roble Curitiba
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Quando alguém entra em uma loja de roupas é possível que nem tenha entrado ali para comprar alguma coisa, mas para passear, conhecer as novidades, as ofertas ou admirar a loja. Durante o passeio, se interessar por algum produto, uma camisa ou quem sabe um terno, seja pelo toque do tecido, pela cor ou para aproveitar o preço, basta experimentar ali, na hora, e levar a roupa pronta para ser usada ou ainda se for o caso, sair da loja vestindo a roupa nova. 

Uma pessoa ao entrar em uma alfaiataria, provavelmente quer encomendar alguma coisa. Durante sua visita, ela faz a encomenda, diz quais são suas necessidades, seus anseios, seus temores. O profissional a escuta, tira suas dúvidas, tira suas medidas, dá conselhos e eles acertam um preço. É escolhido o tipo e a cor do tecido nos catálogos e por fotos, é possível se ter idéia de como ficará a roupa exclusiva, feita sob medida para ela. O alfaiate, depois do recebimento do sinal, encaixa o novo trabalho em sua programação e se dedica àquela encomenda, traçando e cortando a peça de tecido, trabalhando por alguns dias modelando e pespontando aquela roupa que em breve será apresentada e experimentada a quem a encomendou. Depois de uma ou mais provas se forem necessárias, faz a entrega da roupa, recebendo o restante do valor combinado inicialmente.

Ainda existem empresas que trabalham como se comparassem um projeto de design a uma camiseta pendurada no cabide de uma loja. Um produto pronto, que pode ser visto, manipulado, escolhido e experimentado sem compromisso, para ver se serve e se tem um bom caimento. Se não servir, não tem problema. Procura outro, em outra prateleira, em outra seção ou então, vai a outra loja para começar tudo de novo.

Se fosse realmente necessário comparar um projeto de design com uma das situações acima, teríamos que compará-lo ao trabalho de um alfaiate. O design, assim como o trabalho de alfaiataria, é sob medida, personalizado, customizado e único. O cliente que, depois de escolher o estúdio de design que tiver a melhor proposta comercial, que convencer ter mais experiência através do portfolio e ser digno de sua confiança, paga o valor estipulado para a entrada do serviço e faz sua encomenda em uma reunião de briefing, onde suas necessidades são ouvidas ou despertadas e detalhadas pelo profissional do atendimento.

Assim como o alfaiate, que depois do recebimento de uma entrada, encaixa o novo trabalho em sua programação, o estúdio, depois de contratado, inicia o processo de pesquisa e desenvolvimento do conceito do trabalho, que depois de aprovado, como a prova de um terno, será continuado e transformado, através de arte-final e detalhamentos técnicos, em um projeto executivo, pronto para ser produzido e entregue para o cliente que satisfeito paga o valor que foi combinado.

O desafio do cliente é acreditar na experiência do studio de design contratado, que por já ter desenvolvido soluções criativas para outros clientes ou para outros trabalhos anteriormente, estarão, através de um briefing bem passado, fará valer seu investimento. O grande desafio do estúdio contratado, é provar que por já ter desenvolvido soluções de design para outros clientes ou em outros trabalhos anteriores, atingirá seus objetivos, deixando o cliente satisfeito em depositar nele sua confiança e principalmente fazendo com que o resultado esperado pelo cliente seja conquistado. Quer experimentar?

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Luiz Renato Roble

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Idioma:
PT
Title:

Design é mais que desenho, é conceito

Synopsis:

Ter dedos ágeis no teclado e no rato é importante, mas é apenas uma habilidade com uma das ferramentas de trabalho, que é o computador, e não o fundamental.

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21
Sebastian Urrea Suarez
Apr 2012

Luiz, concordo com o robô não desenhar, mas eu acho que as comunidades são frequentemente concebidos para públicos específicos ou pode ter o mesmo valor ou mais do que apenas desenhar para uma pessoa específica, como você tem que atender mais de uma expectativa, em tempos fato de muitos que não atendem às necessidades dos clientes, mas os clientes do seu cliente.

0
18
Luiz Renato Roble
May 2012

Sebastian, quando se atende um cliente, atende-se na verdade os clientes dele, aí nasce a necessidade do design dever ser eficiente e vendedor, por mais que nós, como criadores, gostaríamos de que fosse visto mais como arte. Acredito que as necessidades dos clientes do nosso cliente, sejam eles 2, 20 ou 20000, é que devem ser vistas caso a caso, por isso a comparação com o alfaiate.

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82
Jenny Buitrago Díaz
Apr 2012

Espero me fazer entender com a ajuda do Google Translate. Luiz, acho que um dos pontos mais importantes de seu artigo é «reunião de briefing» conheça o seu cliente e ouvir suas necessidades é vital, no entanto, penso da mesma forma que um alfaiate lhe dá dicas sobre o que tamanho da camisa ou a cor são os melhores para você, eu acho que não só os profissionais deve ser responsável para pedir-lhe que seu cliente quer que as coisas, eu acho que para obter melhores resultados, criar um diálogo, onde ambas as partes concordam, de repente, dessa forma, evitar que o nosso cliente é alterado vestido.

2
18
Luiz Renato Roble
Apr 2012

Olá Jenny, entendi perfeitamente o que disse não só pelo Google, mas por suas idéias. Realmente uma reunião de briefing produtiva de ambas as partes é fundamental para que o trabalho tenha qualidade. E para isso o diálogo deve existir.

0
82
Jenny Buitrago Díaz
Apr 2012

Obrigado, fico feliz que a língua não é barreira. Concordo com você, deve haver diálogo, acho que o pensamento autoritário não deve ter lugar no projeto, a «regras» devem ser estabelecidos com o cliente, cada pessoa tem determinadas preferências que podem ser mais facilemente numa loja de roupas no entanto, o eterno problema surge, os limites definidos, como é que sabemos o quanto o cliente deve ser envolvido em nosso trabalho, oferecemos um serviço para os outros, mas o quanto ele deve decidir. Não é a idéia de criar regras ditatoriais, mas eu acho que deveria haver uma base.

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18
Luiz Renato Roble
Apr 2012

É realmente difícil, pois mesmo tendo uma base, um padrão, cada caso é um caso e então teremos que seguir para um entendimento. O cliente acaba tornando-se quase um mal necessário. Ao mesmo tempo que é a razão do trabalho, pois foi ele que nos chamou, por ter-nos chamado, é sinal que confia em nosso trabalho. Compreendemos que devemos atuar profissionalmente, com liberdade, através de nossa experiência. No final, um impasse, o cliente dá a palavra final e então temos que, muitas vezes, convencê-lo do melhor caminho, da melhor solução e lembrá-lo que fomos contratados justamente para isso.

0
82
Jenny Buitrago Díaz
Apr 2012

Certo, estabelecer regras básicas seria difícil porque cada projeto é diferente e exige características específicas para o desenvolvimento, você não pode limitar ou ser metodológica porque o projeto em si não é. Acho que a melhor opção é estabelecer acordos com o cliente, em que ambas as partes concordam e são confortáveis ​​para trabalhar dessa forma. Não faria para dizer ao cliente o que eles pensam ou acreditam que pode ser alguma coisa, se o cliente não confia no nosso trabalho, eu acho que é importante ter a confiança de que crescer mais e mais. Obrigado por compartilhar suas ideias.

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9
Julio Teixeira
Apr 2012

Luiz Renato,

Seu artigo é esclarecedor, especialmente, ao comparar de forma exemplificada: a situação esperada (projeto de alfaiate) e o cenário de projeto que muitos designers vivenciam (loja de roupas). No entanto, ao final uma pergunta fica no ar (acredito que propositalmente) sem evidenciar para quem ela é direcionada «Quer experimentar?» Tal pergunta cabe bem tanto para quem contrata o serviço (cliente), como para que oferta (designer).

0
18
Luiz Renato Roble
Apr 2012

É isso mesmo Julio. Cabe tanto ao contratante, como ao contratado, acreditar e ir fundo nessa experiência.

0
9
Julio Teixeira
Apr 2012

Luiz, o fato de existir uma grande recorrência de designers sendo solicitados a atuar como loja de roupas é, muitas vezes, o preço pago pela postura e discurso de muitos deles (e de + muitos «pseudo-designers»). A regulamentação e amadurecimento da profissão no Brasil, com o tempo, nos auxiliará a minimizar tal forma de trabalho. De fato, o maior preço pago por essa falta de reconhecimento da profissão ocorre por culpa de nós designers, ao nos negligenciarmos em explicar, demonstrar e até impor essa experimentação que você propõe, enquanto isso não acontecer à maior culpa não será do cliente.

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Luiz Renato Roble
Apr 2012

De fato Julio, temos que reconhecer que os culpados somos nós. É claro que a profissão é relativamente nova, mas cabe a nós, profissionais, nos unirmos e termos atitudes padronizadas em relação à ética e procedimentos. Um fórum como esse, é um sinal de que as coisas estão começando a acontecer.

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