O designer, um equilibrista profissional

A difícil habilidade de resolver a novidade de cada caso e, por sua vez, respeitar os códigos da comunicação para que a mensagem seja compreendida.

Raúl Belluccia Buenos Aires
Followers:
639
Comments:
2
Votes:
4
Compartir:

Sempre que alguém solicita um trabalho a um designer gráfico é porque precisa de uma peça nova de comunicação, ou porque pretende melhorar alguma que já possui. O designer sempre introduz algo novo, em pouca ou muita quantidade, segundo faça falta, por isso acaba sendo visto ( e acaba vendo a si mesmo) como a inovação personificada.

A comunicação põem seus limites

Todas as peças de comunicação pertencem a um tipo ou gênero existente e reconhecido socialmente. Por exemplo, é possível identificar as espécies «caixa de medicamentos» ou «caixa de chocolate» como pertencentes a um conjunto ou gênero maior: «as caixas de produto». E este grupo, por sua vez, como integrante da grande família das «embalagens». Esses tipos e subtipos vem se formando ao longo do tempo, alguns com maior nitidez que outros, e resulta praticamente impossível encontrar casos de peças de comunicação desclassificadas (quero dizer, que não pertencem a nenhum tipo conhecido).

Assim encontramos os folhetos promocionais, os manuais de instrução, as marcas comerciais, as etiquetas de licores, as revistas infantis, os sites da web de agencias de viagens, as placas de sinalização, as planilhas e formulários, as faturas dos serviços públicos, as revistas desportivas, os programas de cinema, os programas de concertos, as embalagens de guloseimas de alta qualidade, e centenas de outras espécies gráficas. Ao ler a lista, fica fácil encontrar cada tipo. E por quê? Porque cada uma tem características comuns que atuam como um modo de código ou convenção.

São várias as recorrências que nos permitem reconhecer cada espécie gráfica: o tipo de imagens e desenhos, os enquadramentos, a seleção de tipografias e a maneira de organização do plano, o manejo dos brancos, das cores e até a materialidade, formas, dimensões e qualidade dos suportes, entre outras.

Graças as recorrências que foram convencionadas podemos diferenciá-las à distância, por exemplo, as latas de cerveja das latas de refrigerante; ou distinguir um folheto institucional de um promocional; ou uma revista de um jornal; ou um cartaz de denuncia social de um de ballet clássico «somente em vê-los» (ou seja sem chegar a ler sua informação).

Tem-se que estar atento já que os estilos gráficos que identificam a cada gênero estão sempre mudando, ainda que quase sempre com lentidão (hoje em dia qualquer pessoa que veja um cartaz da Toulouse Lautec diria que «isso» é um cartaz, ainda que não saiba que foi feito à cento e vinte anos). Em outras áreas as ondas de mudança são mais curtas.

Se bem que há casos difícil de classificar, o designer deve ser esperto em reconhecer os tipos e os gêneros, e em detectar os códigos estilísticos e as particularidades de cada um, já que dificilmente lhe tocará um trabalho que não se encaixe em alguma classe gráfica pré-existente. Não conheço nenhum caso em que seja conveniente reorientar ao público alterando os códigos do gênero, podendo induzi-lo a um erro, ou dificultar o trabalho de compreender a mensagem.

Destino de equilibrista

Na grande maioria dos casos, o designer gráfico se enfrenta com um desafio duplo e de sentido oposto, que constitui, talvez, a maior dificuldade desta profissão:

  1. Por um lado deve respeitar os códigos do gênero do que está projetando (não convém que uma caixa de chocolate seja confundida com uma caixa de lápis, ou que o site web de um orquestra de musica barroca seja confundida com o de uma orquestra de jazz, ou com de um circo; e falando em detalhes menores não deverá projetar o site web de um circo clássico como parecendo um circo contemporâneo).

  2. E por outro lado está obrigado a projetar um caso que, como todo caso de design, tenha demandas e necessidades próprias e não repetidas. Deve projetar «esta» caixa de chocolates, para um chocolate que tem «este» posicionamento diferenciado, «este» preço, «esta» qualidade, «este» nome, para «este» cliente, que tem «estes» concorrentes, para «estes» públicos que vivem «nestes» países; deve projetar, em síntese, situações particulares.

Provavelmente, esta dupla demanda de equilíbrio entre o genérico e o particular – as vezes próximo da esquizofrenia -, tem também o músico que quer fazer uma nova composição. Como pode se notar, na frase «nova composição» se encerra toda uma contradição que desafia a atividade criativa: compor algo que se reconheça como música e que seja diferente das demais composições. A mesma contradição aparente é apresentada ao profissional que tem que projetar uma «nova marca», uma «nova embalagem para chocolates» ou uma «nova revista para uma organização pública».

Projetar é difícil porque sempre há que combinar positivamente as necessidades divergentes. É como um equilibrista que maneja uma grande vara para não cair da corda nem para uma lado nem para o outro, já que caia onde cair o impacto será igualmente doloroso. Ai!

Translated by Bernardo Henrique Novo Hamburgo
Followers:
639
Comments:
2
Votes:
4
Compartir:

2 Comments

Comment

This article does not express the opinion of the editors and managers of FOROALFA, who assume no responsibility for its authorship and nature. To republish, except as specifically indicated, please request permission to author. Given the gratuity of this site and the hyper textual condition of the Web, we will be grateful if you avoid reproducing this article on other websites. Published on 29/07/2015.

Raúl Belluccia

More articles by Raúl Belluccia in Portuguese

Idioma:
PT
Title:

O que fazem os designers quando desenham?

Synopsis:

Os designers exercem uma profissão cujos resultados são indispensáveis para a planificação industrial dos artefatos

Share:
Idioma:
PT
Title:

Quero mudar meu logo: como faço?

Synopsis:

As dificuldades de um empresário que quer ser orientado no desconhecido (para ele) mundo dos designers gráficos.

Share:

You may be interested

Alejandro Tapia
Idioma:
ES
Author:

Alejandro Tapia

Title:

Retórica y diseño: la experiencia brasileña

Translations:
Share:
Interactions:
Votes:
45
Comments:
1
Followers:
50
Ricardo Martins
Idioma:
ES
Author:

Ricardo Martins

Title:

La razón principal por la que los proyectos de diseño fallan

Translations:
Share:
Interactions:
Votes:
67
Comments:
24
Followers:
78
Jorge Luis Muñoz
Author:

Jorge Luis Muñoz

Title:

Social design cases

Translations:
Share:
Interactions:
Votes:
6
Followers:
117
Jorge Del Toro
Idioma:
ES
Author:

Jorge Del Toro

Title:

Paradigma y resistencia al cambio de imagen

Share:
Interactions:
Votes:
12
Comments:
16
Followers:
22
Alejandro Benitez
Idioma:
ES
Author:

Alejandro Benitez

Title:

Construcción de sentido del mensaje diseñado

Share:
Interactions:
Votes:
15
Followers:
8
Victor Garcia
Idioma:
ES
Author:

Victor Garcia

Title:

Al filo del diseño

Translations:
Share:
Interactions:
Votes:
76
Comments:
33
Followers:
188
My opinion:

Login with your account to comment on this article. If you do not have it, create your free account now.

1
Marcela Natalia Arango Pinzon
Aug 2015

Buen día, primero quisiera agradecer por tan buen aporte al diseño y segundo solicitar muy cordialmente la posibilidad de divulgar este u otro articulo en nuestra revista "LOGOS" revista de índole académica. Comparto con usted los links con mayor informacion esperando una pronta respuesta.

Muchas Gracias

http://www.uniboyaca.edu.co/index.php?op... :logos-recepcion-de-articulos-edicion-21&catid=55:ultimas-noticias&Itemid=190

0
Reply
0
Felipe Viaro
Aug 2015

Muito bom Raúl.

Achei muito esclarescedor enfatizar que antes mesmo de começar a projetar já temos uma série de requisitos e restrições impostas pelo tipo de formato que iremos trabalhar. Na área do design visual percebo que as coisas não são tão bem-definidas como na área do design de produto. Por isso, acho importante pontuarmos os limites de cada tipo de projeto.

Abraço

0
Reply

Upcoming online courses

Branding Corporativo

Branding Corporativo

Cómo planificar, construir y gestionar la marca de empresas e instituciones

4 weeks
17 Septiembre

Estrategia de Marca

Estrategia de Marca

15 claves para programar el diseño de símbolos y logotipos de alto rendimiento

4 weeks
29 Octubre

Relecturas del Diseño

Relecturas del Diseño

Una inmersión en el discurso sobre el diseño para despejar sus nociones más controvertidas: creatividad, innovación, arte, tecnología, función social...

4 weeks
28 Enero 2019

Branding: Diseñador y Cliente

Branding: Diseñador y Cliente

Tratar con el cliente, hacer presupuestos y planificar las etapas de la creación de una marca

3 weeks
22 Abril 2019

Auditoría de Marca

Auditoría de Marca

Taller de práctica profesional: análisis, diagnóstico y programa de marca sobre casos reales

6 weeks
22 Junio 2019