Rê Gastal

Rê Gastal

A inovação no design de produtos

No mercado de hoje é preciso ser inovador em vários aspectos e em grande velocidade, em cada ponto do processo de produção.

  • 8Me gusta
  • 0Seguidores
  • 4
    Opiniones
  • Enviar

A diferença entre invenção e inovação, está que a primeira tende a ser livre e despreocupada com desdobramentos, enquanto a segunda pode ser incremental ou radical e não despreza detalhes práticos, e dependem da existência dos fatores conhecimento, competência e circunstância, conforme descreve Medeiros (2004). Ao longo do tempo um conjunto de inovações promovem alterações radicais nos produtos e processos utilizados socialmente. Quintella (2000) aponta que as inovações modificam radicalmente a cultura organizacional, a cultura de uma nação e dos grupos humanos.

Em Barbieri (1997) apud Pereira (1998), na área produtiva, inovação significa o estabelecimento de novidades materializadas através dos produtos, processos e serviços, tanto os novos como os modificados. Inovação tecnológica pode ser vista como um processo realizado por uma empresa para introduzir produtos e processos que incorporem novas soluções técnicas, funcionais ou estéticas. Sobre esta definição, é adicionado o conceito ambiental, onde só se caracteriza como uma verdadeira inovação tecnológica aqueles processos que levem em conta a introdução de técnicas e conceitos que estejam de acordo com os preceitos do desenvolvimento sustentável.

Tipos de inovação

Barbieri (1997) classifica as inovações como:

  1. novo processo produtivo ou alteração no processo existente, são alterações em produtos e serviços geralmente introduzidos com o objetivo de reduzir custos, melhorar a qualidade ou aumentar a capacidade de produção;
  2. modificações no produto existente ou a substituição de um modelo por outro, que cumpra a mesma finalidade básica, acrescidas de outras complementares;
  3. introdução de novos produtos integrados verticalmente aos existentes, ou seja, fabricados a partir de um processo produtivo comum ou afim;
  4. introdução de novos produtos que exigem novas tecnologias para a empresa.

Os projetos de desenvolvimento de produtos são definidos por Amaral (2006) nos seguintes tipos:

  1. projetos radicais ou breakthrough: envolvem significativas modificações no projeto do produto ou do processo existente; são incorporadas novas tecnologias e materiais;
  2. projetos plataforma ou próxima geração: representam alterações significativas no projeto do produto e/ou do processo, sem a introdução de novas tecnologias ou materiais, mas um novo sistema de soluções para o cliente;
  3. projetos incrementais ou derivados: envolvem projetos que criam produtos e processos que são derivados, híbridos ou com pequenas modificações em relação aos projetos já existentes; incluem versões de redução de custo; requerem menos recursos, pois partem dos produtos ou processos existentes, estendendo a aplicabilidade e ciclo de vida.

Amaral (2006) apresenta uma segunda classificação de projetos de desenvolvimento, dependendo do escopo da nova tecnologia ou de mudança na plataforma e de quão rápido a empresa transfere a plataforma de um projeto para outro:

  1. novo projeto: é desenvolvida uma nova plataforma tecnológica;
  2. transferência de tecnologia simultânea: um novo projeto utiliza a plataforma de um projeto-base, antes que o desenvolvimento deste tenha sido concluído;
  3. transferência de tecnologia sequencial: um novo projeto utiliza a plataforma de um projeto base, cujo desenvolvimento já foi concluído e encontra-se em fase de produção;
  4. Modificação de projeto: não há transferência de tecnologia ou de plataforma de um projeto para outro; o projeto é modificado, mas sem que haja mudança na plataforma.

Pahl e Beitz (1999) apud Medeiros (2004), informa que o projeto pode ser:

  1. o projeto original envolve a elaboração de uma solução nova; pode gerar uma inovação radical por modificar significativamente o que existia em termos de produto ou processo;
  2. o projeto adaptativo envolve a adequação de princípios de solução já conhecidos, incorporando a eles melhorias incrementais;
  3. o projeto rotineiro exige mudanças de tamanho ou rearranjo no produto que agregue melhorias ao existente.

Produtos Inovadores

A ideia de incentivar as invenções mediante a concessão do monopólio de uso —a patente— surgiu na República de Veneza, em 1477, segundo relatos de Macedo (2000). Tal prática foi retomada após um século e meio pelo Estatuto dos Monopólios e difunda pela Europa até a América no fim do século XVIII. No decorrer do século XIX inúmeros países tinham suas leis nacionais de patentes, sendo o Brasil, em 1830, o primeiro dos países em desenvolvimento a conceder proteção patentária às invenções. A patente pode ser conceituada, inicialmente, tendo por base os princípios do «Contrato Social» de Rousseau, como um acordo entre o inventor e a sociedade.

«O Estado concede o monopólio de invenção, isto é, a sua propriedade inerentemente caracterizada pelo uso exclusivo de um novo processo produtivo ou a fabricação de um produto novo vigente por um determinado prazo temporal e, em troca, o inventor divulga a sua invenção, permitindo à sociedade o livre acesso ao conhecimento desta». (Macedo, 2000)

Um aspecto importante que contribui para o desenvolvimento industrial é a condição obrigatória de que o produto ou processo seja industrializável. Barbosa detalha que qualquer invenção de produto ou de processo, deve ser nova, envolver um passo inventivo e ser passível de aplicação industrial. Portanto, são requisitos:

  1. Novidade: o produto ou processo deve ser novo, a invenção não pode ter sido divulgada num prazo superior a 12 meses;
  2. Passo inventivo: deve situar o produto ou processo, para o qual se requer a patente além do «estado da técnica»atualmente conhecido; a invenção necessita representar um progresso não óbvio ao atual estado da técnica;
  3. Aplicação industrial: o produto ou processo deve ser industrializável, ser útil para o consumo e para o processo de produção.

As patentes funcionam como indicadores das tendências tecnológicas e de mercado. Conforme Barbosa, através do conteúdo encontrado no relatório descritivo, nas reinvidicações, nos desenhos e no resumo, as patentes informam aos empresários o nível de desenvolvimento da tecnologia aplicada a cada área.

Embora a ciência e tecnologia tenham objetivos e metodologias diferentes, há um vínculo histórico e lógico entre ambas que se evidencia a partir do século XIX nos primórdios do processo de apropriação do conhecimento científico pelo tecnológico, como explica Macedo (2000). Muitos cientistas que contribuíram para o avanço da ciência também produziram significativas invenções, como Isaac Newton o telescópio refletor, Kelvin patenteando o galvanômetro de espelho, Louis Pasteur obtendo as patentes para os processos de fabricação de cerveja e levedura e, Alfred Nobel desenvolvendo a dinamite. No século XX, trabalho científico e técnico interagem e são encontrados cientistas como inventores nos documentos de patentes, tais como Einstein, Hahn, Milikan, Soddy, Ziegler, Boyer, etc.

Atualmente, existe uma capacidade de geração de inovações muito rápida e com isso, se adotou uma tática de reduzir o tempo de vida útil de um produto, lidando deste modo com a introdução sistemática de novos produtos, como diz Quintella (2005). A tarefa torna-se mais árdua quando se percebe que a vida média dos produtos do mercado está cada vez mais curta, como indica Baxter (1998).

O redesign ou o desenvolvimento continuado de produtos ocorre quando: há declínio do mercado de atuação do produto; surgem novas tecnologias, materiais e processos; desenvolvem novas formas de funcionamento —do mecânico para o eletrônico—; a miniaturização de componentes; facilitadores de uso do produto; mudanças em padrões estéticos e formais; ou ainda, mudanças das necessidades dos usuários. Lobach (2001) afirma que o projeto mais requisitado para os desenhistas industriais é a adaptação de produtos obsoletos a condições atuais, «já que em uma sociedade industrial tão desenvolvida é quase impossível lançar um produto totalmente novo».

Publicado el 25/06/2010

  • 8Me gusta
  • 0Seguidores
  • 4
    Opiniones
  • Enviar

Artículos relacionados

Autor:
Norberto Chaves

Norberto Chaves

Título:

El banco de ordeñar

Sinopsis:

Breve historia del sentarse escrita por un testigo presencial.

Votos:
18
Opiniones:
4
Seguidores:
231
Autor:
Álvaro Magaña Tabilo

Álvaro Magaña Tabilo

Título:

Diseño: ¿cómplice o aliado del consumo?

Sinopsis:

Respondiendo al artículo «El consumo del signo», surge la incógnita de cuál es, o cuál debe ser, la relación del diseño con la cultura económica.

Votos:
4
Opiniones:
1
Seguidores:
8
Autor:
Ivan Abbadie

Ivan Abbadie

Título:

Hay que reglamentar el ejercicio del diseño

Sinopsis:

La colegiación de los diseñadores es un paso importante para la prestación de un mejor servicio.

Votos:
87
Opiniones:
73
Seguidores:
1
Autor:
Antoni Mañach

Antoni Mañach

Título:

Manifiesto S

Sinopsis:

Los alumnos de segundo curso de diseño de la Escuela Superior de Diseño-ESDi, de Sabadell (Barcelona), escriben un manifiesto a favor de un diseño regido por valores éticos.

Votos:
25
Opiniones:
16
Autor:
André Ricard

André Ricard

Título:

Diseño y medio ambiente

Sinopsis:

El diseño, lejos de «salvar al mundo», puede contribuir a paliar algunos de los problemas que lo aquejan. Aquí va un ejemplo concreto.

Votos:
8
Seguidores:
57
Autor:
Laura García

Laura García

Título:

Mejora tu creatividad en 30 días

Sinopsis:

Una guía, día a día, para entrenar y desarrollar costumbres creativas.

Votos:
134
Opiniones:
89
Seguidores:
2

IMPORTANTE: Este artículo no expresa la opinión de los editores y responsables de FOROALFA, quienes no asumen responsabilidad alguna por su autoría y naturaleza. Para reproducirlo, salvo que estuviera expresamente indicado, por favor solicitar autorización al autor. Dada la gratuidad de este sitio y la condición hiper-textual del medio, agradeceremos evitar la reproducción total en otros sitios Web. En cambio, sugerimos y valoramos la reproducción parcial, incluyendo además del nombre del autor, el título y la fuente (FOROALFA), un enlace a esta página (http://foroalfa.org/articulos/a-inovacao-no-design-de-produtos) en un lugar claro y visible, que invite a completar la lectura.

Autor:
Mario Balcázar

Mario Balcázar

Título:

Tudo o que qualquer designer deve saber quando procura emprego

Sinopsis:

Conselhos para obter melhores resultados nas entrevistas para emprego na área do design.

Votos:
1
Seguidores:
63
Autor:
Alfredo Gutiérrez Borrero

Alfredo Gutiérrez Borrero

Título:

La convección y el mapa

Sinopsis:

El diseño nos importa a todos, pero no significa lo mismo para todos. ¡Por fortuna!

Votos:
3
Seguidores:
79
Autor:
Silverio Contreras

Silverio Contreras

Título:

La importancia del estilo propio

Sinopsis:

Hasta qué punto nos dejamos influenciar por el trabajo de otros. Desarrollar el propio estilo puede ser uno de los logros más gratificantes.

Votos:
11
Opiniones:
19
Seguidores:
12
Autor:
Diana Romero

Diana Romero

Título:

Inbound marketing: la tendencia

Sinopsis:

No persigas a tu cliente, deja que te encuentre en línea.

Votos:
51
Opiniones:
14
Seguidores:
8
Autor:
Joaquín Eduardo Sánchez Mercado

Joaquín Eduardo Sánchez Mercado

Título:

30 frases de Bill Bernbach sobre creatividad en publicidad

Sinopsis:

Una selección de ideas del reconocido publicista estadounidense para quien la publicidad no es una ciencia, sino un arte sutil.

Votos:
115
Opiniones:
47
Seguidores:
83
Autor:
Christian Ullmann

Christian Ullmann

Título:

Transformar problemas en soluciones

Sinopsis:

Empatía, intuición, colaboración y experimentación son las palabras de turno que están transformando el mundo corporativo en la creación de nuevos productos y servicios.

Votos:
15
Opiniones:
4
Seguidores:
2
Autor:
María Alejandra Wuetter

María Alejandra Wuetter

Título:

Los 4 perfiles de diseñador

Sinopsis:

No todos los diseñadores desarrollamos las mismas actividades; ni mucho menos tenemos las mismas habilidades. ¿Te has preguntado cuál es tu perfil?

Votos:
167
Opiniones:
128
Seguidores:
50
Autor:
Ricardo Acosta García

Ricardo Acosta García

Título:

Braços, cabeças e pernas

Sinopsis:

Em muitas ocasiões, trabalhar de maneira interdisciplinar é a melhor opção para o profissional de design.

Votos:
3
Seguidores:
1
Autor:
Francisco Yantorno

Francisco Yantorno

Título:

No es un logo, ¡es un escudo!

Sinopsis:

El nuevo escudo de la Ciudad de Buenos Aires motiva una reflexión respecto a los diseñadores y el respeto por el patrimonio cultural e histórico.

Votos:
135
Opiniones:
125
Seguidores:
13
Autor:
Diego Beristain

Diego Beristain

Título:

Posicionamiento: un débil compromiso

Sinopsis:

La mayoría de las marcas se rehusan a aceptar cualquier clase de limitación en su imagen y personalidad.

Votos:
20
Opiniones:
18
Seguidores:
2
©Cassisi 2005~2012 | FOROALFA ISSN 1851-5606 | 11 de Septiembre 4237 8º A, C1429BJC Buenos Aires, Argentina